Salada Verde

Entidades entram com denúncia crime contra Ricardo Salles

Grupo ingressou com representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) com base em reportagem de que o ministro havia se reunido em novembro do ano passado com infratores ambientais

Sabrina Rodrigues ·
22 de janeiro de 2020 · 1 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente
Segundo reportagem do jornal Folha de São Paulo, Ricardo Salles havia se reunido com parlamentares, fazendeiros e lideranças ruralistas do Acre e depois teria mandado cessar fiscalização ambiental na RESEX Chico Mendes. Foto: Roque de Sá/Agência Senado.

Entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Ceará, Greenpeace, acadêmicos, políticos e representantes de movimentos sociais entraram nesta quarta-feira (22) junto à Procuradoria Geral da República (PGR) com uma representação contra o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles e o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação do Meio Ambiente (ICMBio), Homero Cerqueira.

Na representação, os signatários pedem que se apure os crimes comuns, ambientais e de responsabilidade baseados na reportagem do jornal Folha de São Paulo, que no dia 4 de dezembro de 2019. Segundo a matéria, Salles havia se reunido, no dia 06 de novembro do ano passado, com parlamentares, fazendeiros e lideranças ruralistas do Acre — quase todos possivelmente envolvidos com crimes ambientais praticados na Reserva Extrativista (RESEX) Chico Mendes. Ricardo Salles, teria, a pedido dos infratores, mandado cessar uma operação de fiscalização ambiental que estava sendo realizada na unidade de conservação.

A ação transcreve na íntegra a reportagem da Folha e destaca alguns nomes dos presentes na reunião como Gutieri Ferreira da Silva, condenado pela Justiça Federal por desmatamento da Reserva Extrativista (RESEX) Chico Mendes; Fátima Abreu Sarks dona de um haras na RESEX e que foi autuada pelo ICMBio; Jorgenei da Silva Ribeiro, autuado pelo ICMBio e denunciado à Justiça Federal por abrir uma estrada ilegal dentro da RESEX; Uenderson de Brito, criador gado na RESEX, autuado pelo ICMBio por desmatamento e quebra de embargo; Senadora Mailza Gomes (PP/AC), condenada em segunda instância por improbidade administrativa; Rodrigo Oliveira Santos: desmatador e grileiro na RESEX, foi sentenciado em primeira instância pela Justiça Federal e preso em flagrante por desmatamento e indiciado por ameaçar de morte o servidor do ICMBio que o autuou.  

A representação destaca a atitude do ministro Ricardo Salles como “de uma gravidade impressionante”. 

“A serem verdadeiros, representam uma verdadeira coleção de possíveis crimes praticados por um cidadão que já houvera sido condenado em primeira instância por infração penal ambiental, à época em que era Secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, o que inclusive motivou um pedido do Ministério Público pelo afastamento dele, Ricardo Salles, da pasta do Meio Ambiente do Governo Federal”, afirma o grupo no texto.  

O grupo lembra de outras ações ingressadas contra Salles, como a de 20 de agosto do ano passado, quando cerca de cinquenta organizações ambientais solicitaram a investigação de atos de improbidade junto à Procuradoria Geral da República e Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão e o pedido de impeachment feito no Supremo Tribunal Federal (STF) em outubro de 2019. 

Os ingressantes da representação citaram que Salles já foi condenado em 2018, em primeira instância por infração penal ambiental. A condenação a que se refere o grupo foi por improbidade administrativa por favorecimento a empresas de mineração ao alterar mapas de zoneamento do plano de manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Tietê (APAVRT), quando Ricardo Salles era secretário de Meio Ambiente de São Paulo.

“Não seria exagero afirmar que essa postura tolerante dos dirigentes da pasta do meio ambiente e dos órgãos a ela vinculados com supostos crimes e criminosos ambientais, em última análise, do próprio governo federal, pode ser apontada como responsável pelo crescimento assustador das queimadas e do desmatamento não só na Floresta Amazônica, mas, em outros importantes biomas brasileiros, fatos que são do conhecimento público no país e no exterior, para nossa infelicidade, afirma o grupo na representação.

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  • Sabrina Rodrigues

    Repórter especializada na cobertura diária de política ambiental. Escreveu para o site ((o)) eco de 2015 a 2020.

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Comentários 5

  1. Ralfo Penteado diz:

    Corrupção clara no governo Bolsonaro que possou de garimpeito adolescente. Bolsonaro, Guedes, salle$ esculhambaram IBAMA, ICMBIO, FUNAI, INPE INPA. E agora ? Isto é contra a constituição.


  2. George diz:

    Chamar o Mourão é mole, ainda mais agora que o Guedes ligou em pânico de Davos.

    Duro vai ser desmobilizar a galera que o governo atiçou durante todo 2019, e que se programou para fazer mais ainda em 2020. O que o governo vai fazer, soltar as tropas para cima deles, igual nas favelas do Rio?


    1. Paulo diz:

      Pois é, e agora José, ou melhor Jair.


  3. Paulo diz:

    Manda embora.

    Chama o Mourão.