Maria Tereza Jorge Pádua recebe medalha John C. Phillips

Daniele Bragança
quarta-feira, 7 setembro 2016 0:29
Maria Tereza Jorge Pádua no VIII CBUC Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação. Foto: Márcio Isensee.
Maria Tereza Jorge Pádua será a primeira brasileira a receber a medalha John C. Phillips, da IUCN. Foto: Márcio Isensee

 

Desde 1963, a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) homenageia personalidades que dedicaram suas vidas à causa da conservação. Este ano, a ambientalista brasileira Maria Tereza Jorge Pádua foi a escolhida para receber a Medalha Comemorativa John C. Phillips. Assim, não só o prêmio foi concedido pela primeira vez ao Brasil, como ela se tornou a segunda mulher, depois de Indira Gandhi, a ser agraciada com uma das maiores honrarias na área da conservação do mundo.

A condecoração aconteceu nesta terça-feira (06) em Honolulu, no Havaí, onde desde o dia 1º de setembro ocorre o Congresso Mundial da Conservação, evento que reúne a cada quatro anos os principais especialistas de políticas ambientais.

Maria Tereza é uma gigante da conservação, que deixou como legado a criação de mais de 8 milhões de hectares de Reservas Biológicas e Parques Nacionais, incluindo a primeira reserva marinha, o Atol das Rocas, e os parques nacionais da Chapada Diamantina, de Fernando de Noronha, da Serra da Capivara e da Amazônia.

A notícia de que tinha sido escolhida por um júri da IUCN para ganhar a medalha John C. Phillips veio por um e-mail que ela pensou ser trote. Coube ao marido, Marc Dourojeanni, também expoente da conservação no seu país, o Peru, informar que o e-mail não era falso. “Mas esse é o endereço da presidente mesmo, acho que você foi indicada”, afirmou. A surpresa inicial foi dando lugar à alegria do reconhecimento pelo trabalho que realizou ao longo de uma vida, em especial entre 1968 e 1981, tempo que esteve a frente da Diretoria de Parques Nacionais do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), órgão que precedeu o Ibama.

Até então, o Brasil tinha apenas 16 Unidades de Conservação. Nenhuma na Amazônia. Em 1968 foram criadas mais 10. Quando Maria Tereza entregou o cargo, em 1982, o país já possuía 63 UCs.

“Esse trabalho que realizamos a frente do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) eu não fiz sozinha. Tínhamos uma equipe maravilhosa e conseguimos fazer algo realmente importante para a Amazônia. [Nessa época] não havia nenhuma unidade de conservação, nenhum parque nacional, nenhuma reserva biológica, nada, nada na Amazônia. e nós propusemos 13 parques e reservas na Amazônia e num único dia foram criadas 11”, relembra Maria Tereza.

Trajetória de sucesso

Após 14 anos no IBDF, Maria Tereza pediu demissão, em 1982, após o presidente Figueiredo autorizar a construção de uma estrada dentro do Parque Nacional do Araguaia. A demissão não foi em vão: o movimento contra a destruição do Araguaia foi tão forte que o governo engavetou a proposta.

Em 1985, ela voltou para o IBDF, onde exerceu o cargo de secretária-geral por 9 meses.

No ano seguinte, Maria criou, junto com outros conservacionistas, a Fundação Pró-Natureza (Funatura), que presidiu por 9 anos. Nesse tempo, a Fundação ajudou na criação do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, criado em 1989.

Em 1992, Maria Tereza foi convidada a presidir o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que nasceu em 1989 após a extinção do IBDF. Lá ficou por apenas 4 meses, sendo exonerada por motivos políticos.

A trajetória da agrônoma e mestre em Ecologia e Manejo de Vida Silvestre não parou por ai.  Ajudou na idealização de projetos conservacionistas importantes como o Projeto Tamar (para a proteção das tartarugas marinhas), o Projeto Peixe-Boi e o Centro de Pesquisa para a Conservação de Aves Silvestres (Cemave).

Maria Tereza é colunista do site ((o))eco desde a sua criação e conselheira da Associação O Eco, a ONG que produz o site. Entre 2011 a 2014, foi presidente da Associação ((o))eco, sucedendo o jornalista Marcos Sá Corrêa.

Por telefone, ao ser perguntada sobre o sentimento de ser agraciada com mais esse prêmio, respondeu que sim, está muito feliz: “O sentimento, depois de tantos anos, é de surpresa e felicidade”.

 

Abaixo a íntegra do discurso que Maria Tereza Jorge Pádua fez ao receber a medalha John C. Phillips

Espanhol

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Saiba Mais

Ouça a entrevista concedida por Maria Tereza Pádua à Rádio EBC

 

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13 comentários em “Maria Tereza Jorge Pádua recebe medalha John C. Phillips”

  1. Parabéns a Maria Tereza Jorge Padua pelo merecido prêmio é para Oeco por contar com a presença desta grande ambientalista brasileira no seu quadro de colunistas.

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  2. Parabéns a Maria Tereza. Como ela há quem deixa legados materiais que reverberam pelo futuro. E há os que ganham discípulos com conversinhas que se revelam modas passageiras. Maria Tereza é gente que faz

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  3. Faz parte de um time de craques que foi responsável por uma geração de ambientalistas que atuou entre 80 e 90.De lá para cá…..é .decepcionante a falta de comprometimento com as unidades de conservação. Saudades de João Bigalera, Vasconcelos Sobrinho,Wanderbilt Duarte, Aldemar Coimbra, José Lutzenberger….

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  4. Minha eterna Presidente Maria Tereza , ninguém mais que você merece esse prêmio ! Meus parabéns do amigo e companheiro da FUNATURA !
    João Carlos

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