Bolsonaro decidiu com Ricardo Salles “fazer a limpa”no Ibama e ICMBio

Sabrina Rodrigues
segunda-feira, 29 abril 2019 19:41
Em evento do agronegócio, o presidente da República, Jair Bolsonaro, declara: “Estamos tirando o Estado do cangote daqueles que produzem”. Foto: Alan Santos/Agência Brasil.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou, nesta segunda-feira (29), que uma das medidas adotadas para o Meio Ambiente é “fazer a limpa” no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e colocar pessoas que estejam ao lado daqueles que produzem.

A declaração foi feita na abertura da 26ª Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow), tradicional feira do agronegócio em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Ao lado dos ministros do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, o presidente dispara: “Uma das medidas tomadas e estudadas com ele [Salles] é fazer uma limpa no Ibama e no ICMBio. Tem que haver fiscalização sim. Mas o homem do campo tem que ser bem recebido. Cerca de 40% das multas serviam para retroalimentar uma fiscalização xiita, que só atendia nichos e não o meio ambiente”, afirmou Bolsonaro.

A declaração do presidente vem no momento em que o ICMBio passa por momentos turbulentos com pedidos de exoneração e troca de comando. No dia 24, toda a diretoria do órgão foi renovada com a nomeação de quatro militares da Polícia Militar do Estado de São Paulo para ocupar a alta cúpula do ICMBio. O ápice do desconforto dentro da instituição veio com o pedido de exoneração do ex-presidente Adalberto Eberhard, que pediu demissão após Ricardo Salles ameaçar servidores do órgão de processo administrativo, por não participarem de evento realizado no dia 13 de abril, na região do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no sul do Rio Grande do Sul.

Sobre os seus planos sobre fiscalização, o presidente continuou: “Nós queremos e estamos tirando o Estado do cangote daqueles que produzem, daqueles que investem e dos grandes empreendedores”, declarou Bolsonaro na Agrishow.

O objetivo do governo é focar a política ambiental nas cidades e deixar a área rural livre. No dia 13 de abril, o presidente desautorizou fiscalização do Ibama de combate ao desmatamento dentro da Floresta Nacional do Jamari, em Rondônia. A Unidade de Conservação está entre as 10 mais desmatadas em março, segundo dados do Imazon.

Posse de arma para produtor rural

Ainda discursando na Agrishow, Jair Bolsonaro afirmou que esteve ontem (28) com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e que o agronegócio esteve na pauta de discussão entre os dois. Um dos assuntos discutidos foi o envio, na próxima semana, de um projeto para que a posse de arma de fogo para o produtor rural “seja utilizada em todo o perímetro da sua propriedade”.

“[Discutimos] também um projeto nosso [do governo], que será encaminhado à Câmara, que vai dar o que falar, mas é uma maneira que nós temos de combater a violência no campo, é fazer com que ao defender a sua propriedade privada ou sua vida, o cidadão do bem entre no excludente de licitude, ou seja, ele responde, mas não tem punição. É a forma que nós temos que proceder para que o outro lado que teme em desrespeitar a lei, tema vocês, tema o cidadão de bem e não o contrário”, declarou o presidente.

 

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10 comentários em “Bolsonaro decidiu com Ricardo Salles “fazer a limpa”no Ibama e ICMBio”

  1. Por essas e outras é que o Ministério do Meio Ambiente, o da Educação e o da Justiça são os três ministérios mais bem avaliados pela população na ultima pesquisa do IBOPE. Essa pesquisa foi amplamente noticiada.

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  2. Só apelam pra esse tal Estado Democrático de Direito agora. Mesmo sem saber o que é. Mas já que todo mundo fala… o gado vai atrás. Tem alguma coisa ilegal acontecendo?

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    • Com quem vc pensa q está falando? Aliás que diabos vc está falando? Isso faz algum sentido na sua cabeça? Se faz explica pq pra a gente aqui fora tá parecendo q vc é outro desses doido.

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  3. Se os ruralistas andassem dentro da lei não precisariam temer a fiscalização. Agora vão ficar livres para cometer todo o tipo de crime ambiental.

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    • Concordo. Agora cumprir a Lei é crime. Estão invertendo os deveres da do ICMBio. Se estão comentando crime tem sim que ser punido. O governo pode e deve enxugar a máquina pública pensando na melhoria e eficiência, mas não destituir os deveres e direitos de cada instituição.

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