Apesar do estado de emergência, números de multas do Ibama caíram no Pantanal

Marcos Furtado
quinta-feira, 17 setembro 2020 23:29
Brigadistas combatem o fogo no Parque Estadual do Encontro das Águas. Foto: Mario Friedlander

Apesar da crítica situação das queimadas no Pantanal, o Ibama apresentou uma queda de 48% no número de multas aplicadas para crimes relacionados a vegetação, como desmatamento e queimadas ilegais, nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul em 2020. O dado reflete a diminuição das operações de fiscalização na região do maior bioma úmido do mundo.

Até a última segunda-feira (14), o órgão aplicou 223 multas nesses estados. Este número foi 425 no mesmo período de 2019.

De acordo com servidores do Ibama, os principais motivos para a queda de autuações são a redução do quadro de funcionários e a nomeação de militares em cargos de gestão. Além disso, a criação de audiências de conciliação com os infratores burocratiza ainda mais as operações.

Com menos operações de preservação, maior é a curva de crimes ambientais. Se comparado ao mesmo período de 2019, os incêndios no Pantanal aumentaram de 210% neste ano, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). São mais de 14 mil focos em 2020 contra 4660 no ano anterior.

Para se ter uma ideia, a Polícia Federal declarou que viu indícios de ação criminosa na origem do incêndio que se alastrou por mais de 25 mil hectares na área do Pantanal em Mato Grosso do Sul. Atingindo áreas de preservação permanentes e os limites do Parque do Pantanal Mato-grossense e da Serra do Amolar, o fogo teria sido colocado na vegetação para criar pastagem de gado. A suspeita deu início, na última segunda-feira (14), a Operação Matáá, deflagrada para investigar o que está por trás das queimadas.

“A gente analisou imagens de satélites que tornaram possível identificar focos de incêndio em interiores de fazenda. Além disso, sobrevoamos as áreas e chegamos (aos endereços dos suspeitos) com barco”, afirma Alan Givigi, delegado que coordena a operação.

Dos 10 mandados de busca e apreensão expedidos pela 1ª Vara Federal de Corumbá, dois foram para a capital Campo Grande. Os oito restantes se destinaram para Corumbá, sendo dois na área urbana e seis em propriedades na zona rural onde imagens de satélites identificaram a origem do fogo. Documentos e celulares de fazendeiros foram apreendidos na ação policial para novas apurações. “A investigação está sendo desenrolada. Já apreendemos celulares e documentos nas zonas urbanas. Nas rurais, estamos fazendo perícias. A única prisão ocorreu porque em uma das casas foi encontrada armas irregulares sem o registro. A pessoa foi presa por posse irregular de arma de fogo de uso restrito”, diz Givigi.

Caso sejam culpados, os suspeitos, que não tiveram suas identidades reveladas, podem ser condenados a mais de 15 anos de prisão pelos crimes de dano a floresta de preservação permanente, dano direto e indireto a Unidades de Conservação, incêndio e poluição.

 

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