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Alerta de desmatamento do INPE custa 30 vezes menos do que mesmo serviço da Planet

Além de mais baratos, serviços prestados pelo INPE são mais efetivos do que os oferecidos ao governo brasileiro por empresa privada americana

Cristiane Prizibisczki ·
16 de outubro de 2020
Barragem de Santo Antônio, Rio Madeira – RO, imagem do satélite CBERS 4A/INPE em 23-08-2020

Estudo realizado por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) revela que o programa de monitoramento e alerta de desmatamento desenvolvido dentro do órgão é 2,9 vezes mais efetivo do que o mesmo serviço prestado pela empresa privada americana Planet, com quem o Ministério do Meio Ambiente pretende firmar contrato, e 29,8 vezes mais barato.

O trabalho, divulgado esta semana, compara os resultados de alertas produzidos pelo DETER e pelo sistema DFLORA da Santiago e Cintra Consultoria (SSCON), representante da Planet no Brasil, entre janeiro e dezembro de 2018, quando ambos os programas rodaram simultaneamente no Estado do Pará.

Coordenado por pesquisadores do Laboratório de Investigação em Sistemas Socioambientais do INPE, o estudo buscou responder a duas perguntas principais: qual dos dois sistemas foi mais efetivo na produção de informações de Alerta para ações de fiscalização e qual dos dois sistemas teve melhor relação custo-efetividade.

O resultado encontrado mostrou que o DETER detecta 290% mais área de Alertas do que o DFLORA e que 76,2% da área de alerta detectada pela empesa privada também foi detectada pelo sistema do INPE, enquanto que o contrário (área de alerta detectada pelo INPE também coberta pela Planet) foi de apenas 23,8%.

“O DETER foi 2.90 vezes mais efetivo na observação de áreas com cicatriz de queimada, degradação florestal, corte seletivo e corte raso que o DFLORA, no período de janeiro a dezembro de 2018 para o estado do Pará”, diz o estudo.

Já em relação ao custo, o trabalho mostrou que o valor monetário pago por km² de área detectada pelo DFLORA-SSCON foi 29,80 vezes mais caro que o valor monetário pago por km² de área detectada pelo DETER-INPE.

“Os resultados numéricos mostram, de maneira inequívoca, que a narrativa criada sobre a necessidade de melhor resolução espacial e melhor resolução temporal para melhorar a eficiência das ações de fiscalização, não está amparada nos números […] Os resultados deste estudo sustentam claramente que não existe nenhuma evidência de base técnica ou científica para a polêmica iniciada, em 2019, no MMA”, diz trecho do estudo.

A polêmica citada no trabalho refere-se ao uso de imagens da Planet pelo Ministério do Meio Ambiente, em meados de 2019, para contrapor captações feitas pelo Deter e exibir o que o mandatário da pasta ambiental, Ricardo Salles, chamou de “imprecisões” nas medições feita pelo INPE. Tais imprecisões, no entanto, nunca foram comprovadas.

A partir do início de 2020 ficou claro que tanto MMA quanto outros setores da administração federal tinham interesse em adquirir uma solução de monitoramento baseada em imagens e serviços oferecidos pela Planet. Atualmente, o Ministério da Defesa tem contrato de R$ 49,7 milhões com a Santiago & Cintra Consultoria para fornecimento de imagens de alta resolução e serviços de monitoramento. O contrato é alvo de investigação no Tribunal de Contas da União.

“Pelos resultados que vimos neste estudo e as inovações já operando e as que virão a frente, quando o assunto são sistemas para o monitoramento e emissão de alertas de desmatamento, ainda é uma boa ideia conversar com técnicos e cientistas do INPE antes de tomar sua decisão”, diz trecho do estudo conduzido por pesquisadores do INPE.

 

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Comentários 2

  1. AvatarPaulo diz:

    Militância do que!
    Desinformação ! Como, se os dados são públicos.
    È sr. Josias, quando as chuvas forem poucas, ou quando as "chuvas não vieram", não adianta chorar e esperar uma força divina.
    Quanta ideologia burra, estas pessoas escrevem. Barbaridade.


  2. AvatarJosias diz:

    O problema é o aparelhamento ideológico do INPE e a militância do instituto, incluysive com suspeitas de fraudes em estudos, laudos e conclusões.
    Quando o INPE se junta a um exercito para combater o pais através da perseguição a um governo e metódico assassinato de reputação de seus membros, fica dificil para a opinião pública confiar no instituto, em que pese sua competência técnica. Triste para o INPE, triste para o Brasil, triste para a conservação, ppmente quando a [email protected] avança a passos largos na compra de infraestrtura logistica, empresas do agro negócio e a ação da UE contra o agronegócio brasileiro, usando exatamente a desinformação repassada por entes como o INPE, que perdeu sua credibilidade junto ao distinto público por exclusiva parcialidade militante.
    Serão anos para recuperar a imagem…