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UICN cria grupo de apoio às trilhas de longo curso

Equipe composta por 50 especialistas na área será presidida pelo brasileiro Pedro da Cunha e Menezes, pelo seu trabalho na criação do Sistema Brasileiro de Trilhas de Longo Curso

Daniele Bragança ·
28 de junho de 2019 · 2 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente
Os Caminhos da Serra do Mar, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Foto: Duda Menegassi.

A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) acaba de criar um grupo de apoio às trilhas de longo curso, que funcionará dentro da Comissão Mundial de Áreas Protegidas. Uma equipe formada por 50 especialistas terá como missão compilar as melhores práticas para promover a melhoria da gestão de trilhas de longo curso em todo o mundo.

Ferramenta importante para a conectividade de paisagens vegetadas e para a economia local, as trilhas de longo curso também atuam na formação de novas gerações de conservacionistas.

O grupo será liderado pelo brasileiro Pedro da Cunha e Menezes, idealizador da trilha Transcarioca e um dos pais do Sistema Brasileiro de Trilhas de Longo Curso, criado durante sua gestão na Coordenação Geral de Uso Público e Negócios (CGEUP) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

“É com grande alegria que vemos a UICN, maior organização ambientalista do mundo, reconhecer o papel das trilhas de longo curso como ferramenta de conservação. A atribuição da presidência do Grupo ao Brasil também é motivo de felicidade e orgulho, para os mais de 2.000 voluntários e profissionais da Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso que nos últimos anos implementaram, com as pegadas amarelas e pretas, mais de 2.500 km de trilhas em mais de 100 unidades de conservação  de 17 estados além do Distrito Federal”, disse Pedro Menezes.

O projeto brasileiro tem uma sinalização padronizada nacional. Todas as trilhas estão sinalizadas com pegadas amarelas sobre fundo preto em um sentido e pretas sobre fundo amarelo no sentido inverso. Seguindo esse modelo, cada trilha regional trabalha com sua identidade visual própria. Além de gerar o sentimento de pertencimento, quem trabalha na gestão ou com o turismo na rota da trilha poderá criar produtos, como camisetas, chaveiros, canecas, com a marca pegada regional. Por esse motivo, a Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso ganhou em 2018 o Prêmio Nacional de Turismo.

Todas as trilhas adotam o mesmo padrão de sinalização. Divulgação/Facebook.

GT de trilhas

O GT de trilhas será liderado por um comitê diretor, com especialistas de vários continentes na área de conservação, turismo, recreação, manejo, capacitação, governança e geração de emprego e renda. O comitê diretor é formado pela norte americana Laura Belleville, vice-presidente da Appalachian Trail Conservancy;  a portuguesa Marta Cabral, diretora da Rota Vicentina, o chinês Fook Ye Wong, ex-Presidente do Serviço de Parques de Hong Kong, e os sul africanos Paddy Gordon, Chefe do Parque Nacional da Rota Jardim e Galeo Sainz, Presidente da World Trails Network.

O grupo também trabalhará para incentivar a pesquisa na área, de forma que novas trilhas de longo curso sejam planejadas e manejadas de maneira que gerem suficiente emprego e renda em seu entorno, assegurando sua sustentabilidade econômica e ajudando na fixação das populações rurais.

 

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  • Daniele Bragança

    Daniele Bragança

    É repórter especializada na cobertura de legislação e política ambiental. Formada em jornalismo pela Universidade do Estado d...

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Comentários 1

  1. AvatarMilton Dines diz:

    As trilhas representam uma das melhores oportunidades de reconexão do Homem com a natureza no sentido da valorização das iniciativas de conservação. Por meio das trilhas, o cidadão compreende e valoriza os ambientes naturais preservados dentro de alguma categoria de UC. As trilhas também são uma eficiente porta de entrada para a compreensão da conservação do meio-ambiente no seu sentido mais amplo. Neste contexto a criação de uma comissão para as trilhas, principalmente as de longo curso, no âmbito da UICN, possibilita o início de um esforço ligando a conservação, o uso recreativo e as comunidades, abrindo um interessantíssimo leque de oportunidades para ações colaborativas que ampliem a efetividade das àreas protegidas. Não podemos esquecer das oportunidades de desenvolvimento de pesquisas que colaborem para a melhoria do desenvolvimento e da gestão das trilhas, por meio de redes de pesquisadores e gestores. Parabéns ao Pedro por mais essa importante iniciativa.