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Em 10 anos, mineração causou 9% de desmatamento na Amazônia

Pesquisa publicada nesta quarta-feira (18) mapeia os impactos que a atividade causou na Amazônia brasileira entre os anos de 2005 e 2015

Sabrina Rodrigues ·
18 de outubro de 2017 · 4 anos atrás
Salada Verde
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A mineração causou a perda de 11.670 km² quilômetros da floresta amazônica entre os anos de 2005 e 2015. Foto: Felipe Werneck - Ibama
A mineração causou a perda de 11.670 km² quilômetros da floresta amazônica entre os anos de 2005 e 2015. Foto: Felipe Werneck – Ibama

A mineração causou a perda de 11.670 km² quilômetros da floresta amazônica entre os anos de 2005 e 2015. É como se 11 cidades de São Paulo de vegetação desaparecessem em uma década causados, direta ou indiretamente, pela atividade econômica. Os dados foram divulgados quarta-feira (18) pela revista Nature Communications. O Estudo analisou imagens espaciais do PRODES, programa responsável pelo monitoramento anual da Amazônia Legal, e mudanças no entorno de 50 locais de mineração da Amazônia.

Apesar do número grandioso, a perda da floresta pela mineração representa apenas 9% do total desmatado no período. O estudo afirma que a mineração causa desmatamento dentro e além dos limites da locação. Logo, a pesquisa leva em conta não só o impacto direto da atividade nos locais onde a floresta é cortada para a exploração mineral, mas sim, todo o desmatamento sofrido para o andamento de toda a operação.

Nas locações, as florestas são limpas para extração mineral, processamento e desenvolvimento de infraestrutura. No entanto, os impactos fora da locação, como infraestrutura, expansão urbana para dar suporte ao crescimento de trabalhadores, desenvolvimento de cadeias de fornecimento de minerais, migração populacional são potencialmente mais extensos e seus caminhos são mais complexos.

Mudança de cenário

A pesquisa alerta que apesar de a aprovação de novas minas e a expansão de projetos existentes exigirem licenças ambientais, essas avaliações não consideram os impactos fora das locações e os impactos indiretos ou cumulativos do desmatamento. O estudo afirma ainda que mudanças legislativas estão eliminando o poder das agências ambientais que suspendem operações com base nos impactos ambientais, e que permitem a extração em áreas protegidas e indígenas como a PEC 65, a PL 3682/2012 e a PL 1610/1996.

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  • Sabrina Rodrigues

    Repórter especializada na cobertura diária de política ambiental. Escreveu para o site ((o)) eco de 2015 a 2020.

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Comentários 1

  1. Absalão diz:

    Tá, mas quanto desse desmate é ilegal? E aproveita pra explicar os outros 91%…