Uma viagem no tempo pela Chapada dos Guimarães

Duda Menegassi*
domingo, 30 julho 2017 21:25
O grupo caminha por entre a vegetação típica do Cerrado. Foto: Duda Menegassi.
O grupo caminha por entre a vegetação típica do Cerrado. Foto: Duda Menegassi.

Eu estava estrategicamente sentada na poltrona da janela, no ônibus que faz o trajeto entre Cuiabá e o município de Chapada dos Guimarães, quando um mundo ancião se revelou diante dos meus olhos. Formações rochosas dos mais diferentes contornos, idades e histórias se impunham ali mesmo, na beira da estrada. Dentro do ônibus, vendo aquela paisagem passar a 70km/h diante de uma janela empoeirada, eu só conseguia pensar no que sentiria quando caminhasse, pequenina, por dentro dessa imensidão pré-histórica. Felizmente, minha visita ao Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (MT) era exatamente para isso.

A Travessia da Casa do Morro, com 23 quilômetros, foi criada há dois anos, mas ainda é um atrativo desconhecido para maioria dos milhares de visitantes que a unidade de conservação (UC) recebe anualmente. O trekking de dois dias é uma verdadeira viagem no tempo que começa cerca de 500 milhões de anos atrás, quando a Chapada surgia, muito diferente do que é hoje. O cenário multifacetado do Cerrado, que se apresenta no parque em 11 variações de vegetação, já foi território de mar e deserto. Transformados ao longo de uma ou outra era geológica, sobreviveu a riqueza cênica e a biodiversidade que se manifesta para além do Cerrado, com ocorrência de espécies de charco, típicas do Pantanal, e de espécies amazônicas.

A travessia é uma oportunidade de conhecer melhor a Chapada dos Guimarães, e perceber que ela tem muito mais a oferecer do que apenas o cartão-postal da cachoeira do Véu da Noiva. E nos dias 8 e 9 de junho, os caminhos milenares do parque nacional foram o palco para o projeto de aniversário “10 picos e 10 travessias” do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Dez pessoas realizaram a caminhada, entre elas a gestora, Cintia Brazão; a coordenadora de uso público, Carolina Pötter; e amigos do parque, pessoas que mesmo não sendo oficialmente voluntárias, apoiam a unidade.

O trekking começou no sábado de manhã, próximo à sede administrativa do parque, com o ritmo lento de quem aproveita para quebrar o calor mato-grossense nos pontos de banho do roteiro. E os primeiros quatro quilômetros da caminhada fazem parte, estrategicamente, do Circuito de Cachoeiras, onde passamos por 6 quedas d’água formadas a partir do córrego Independência: Andorinhas, Prainha, Pulo, Degraus, 7 de Setembro e Independência.

Foto: Duda Menegassi.
A cachoeira das Andorinhas é um dos pontos de banho do Circuito das Cachoeiras. Foto: Duda Menegassi.

Dividíamos as cachoeiras com outros turistas, afinal, o circuito é um dos atrativos mais visitados do parque. Guia da Chapada dos Guimarães há 20 anos, Noam conta que antigamente os carros podiam ir até a beira das cachoeiras e que não havia nenhum controle. “Rolava até churrasco, era uma bagunça”, lembra. Hoje, o acesso é feito apenas por trilha; o fluxo é controlado por um limite diário de visitantes; e a presença de um guia credenciado é obrigatória. A evolução do ecoturismo, de acordo com Noam, é uma conquista da própria conservação. “A solução não é proibir, é manejar”, acredita.

Com boas conversas e belas cachoeiras, seguimos sem pressa pelo circuito de águas que, em indiferentes à alta temperatura, mantinham-se geladas. Apenas por volta das 14h, depois de um lanche disfarçado de almoço, saímos do roteiro das cachoeiras e entramos de cabeça – e pés – na caminhada pelas paisagens mais características do Cerrado. De agora em diante, alerta Noam, estamos entrando no trecho chamado de Morraria e não há mais pontos de hidratação nos sete quilômetros que nos separam do abrigo de pernoite.

Com os cantis abastecidos, seguimos na trilha e, na medida em que nos afastávamos dos corpos hídricos, o cenário se transformava, pouco a pouco, naquele mais seco e típico de Cerrado, de vegetação baixa com ares de savana. De repente, Carol, bióloga que acompanhava o grupo, fez uma descoberta: a pegada de um felino! Prontamente ela tirou uma espécie de escalímetro portátil, fez as medições, e deu o veredito: com cerca de seis centímetros de largura, se tratava de uma onça-parda (Puma concolor) jovem. A areia fofa tornava visível o rastro e, depois de ver a primeira, foi possível seguir os passos da onça, que trilhava o mesmo caminho que nós. Diante da dificuldade – e potencial risco – de esbarrar com um animal desses cara a cara, ver apenas suas pegadas e saber que ela está por aí, foi suficiente para alegria geral.

Registro de uma pegada de uma onça-parda no meio da trilha. Foto: Duda Menegassi.
Registro de uma pegada de uma onça-parda no meio da trilha. Foto: Duda Menegassi.

Quanto aos nossos próprios rastros, subíamos os morros do outro lado do vale, quando nos percebemos diante de um horizonte de chapadões e vales de tirar o fôlego. Os campos abertos, davam ainda mais destaque às formações rochosas e às histórias que elas guardam. Em uma delas, Noam apontou a presença de camadas de diferentes tonalidades visíveis na rocha. Cada estrato possui uma cor e uma característica, que remete a um período, uma espécie de diário decifrado por geólogos para entender a idade e o contexto daquela rocha.

Estima-se que o processo de formação da Chapada dos Guimarães começou a cerca de 500 milhões de anos. Lá coexistem três formações distintas: Botucatu, Ponta Grossa e Furnas; que revelam que antes de se tornar a paisagem que vemos hoje, essa região já foi um deserto (Botucatu), e – pasmem – até mar (Furnas). Os resquícios desse passado marinho inesperado em pleno centro-oeste brasileiro podem ser comprovados com conchas fossilizadas encontradas por lá. Os braquiópodes descobertos, para ser cientificamente preciso, são datados do período Devoniano, que fez parte da era Paleozóica, entre 416 e 359 milhões de anos atrás. Com um pequeno exercício de imaginação, é possível imaginar até os dinossauros passando por ali. Atualmente, uma equipe de arqueólogos da Universidade Federal de São Paulo (USP) está encarregada da primeira escavação dentro dos limites do parque nacional, o que promete trazer mais informações sobre o passado pré-histórico da Chapada.

Estratificação das rochas sedimentares marca o tempo da formação da Chapada dos Guimarães. Foto: Duda Menegassi.
Estratificação das rochas sedimentares marca o tempo da formação da Chapada dos Guimarães. Foto: Duda Menegassi.

De volta ao presente e à caminhada, nosso primeiro dia estava em sua reta final. Enquanto nos aproximávamos do abrigo, se destacava no horizonte, riscando o céu azul, um elemento infelizmente familiar da paisagem mato-grossense: fumaça. Um, dois, três… pelo menos seis focos de incêndio de acordo com os olhos treinados do bombeiro Paulo Barroso, que acompanhava o grupo. Estavam distantes de nós, próximos da capital, Cuiabá, mas serviram de lembrete sobre um dos principais problemas enfrentados no parque: os incêndios florestais. “O Mato Grosso é o estado que mais queima no Brasil e um dos que mais queima no mundo. E aqui nós estamos queimando três biomas: a Amazônia, que é supersensível ao fogo; o Cerrado que queima, mas consegue se recuperar até certo ponto, e o Pantanal que varia a susceptibilidade de acordo com a zona”, explica Paulo. Em 2016, 3.832 hectares, pouco mais de 10% da área total do parque, viraram cinzas diante do fogo causado de forma irresponsável pelo homem.

Esse ano, pela primeira vez, o parque adotou a técnica do Manejo Integrado do Fogo (MIF), posta em prática no começo de junho. A estratégia é realizar a queima de forma controlada antes do período de auge da seca para eliminar o combustível e evitar que um possível incêndio se alastre. Combater fogo com fogo, por assim dizer, e criar cordões de proteção próximos às áreas sensíveis, como veredas, e pontos estratégicos como a sede administrativa da unidade.

As fumaças próximas à Cuiabá indicam focos de incêndio. Foto: Duda Menegassi.
As fumaças próximas à Cuiabá indicam focos de incêndio. Foto: Duda Menegassi.

A Casa do Morro, a 670 metros de altitude, é um desses pontos protegidos pelo manejo do fogo. A estrutura pertencia a um antigo proprietário de terras na Chapada, já foi utilizada como moradia de servidores do parque, e ficou abandonada por meses antes de ser reformada e transformada em abrigo para receber os caminhantes. Fogo, só dentro da lareira que a casa ganhou de herança do velho dono. Uma das poucas “mobílias” restantes da casa, que perdeu os móveis convencionais, mas ganhou um banheiro seco, estratégia de saneamento em locais remotos.

A manutenção e limpeza da casa foi feita pela Associação dos Guias e Condutores de Chapada dos Guimarães, em conjunto com brigadistas e voluntários do parque, como Franciane, que acompanhou a travessia e participa do programa desde 2013. Recentemente, ela foi contratada como terceirizada para apoiar no uso público da unidade de conservação, mas engana-se quem pensa que ela largou o voluntariado. Agora ela trabalha formalmente de segunda à sábado de manhã, mas assim que encerra seu turno, veste mais uma vez a camisa de voluntária para trabalhar no resto do final de semana inteiro. Para Franciane, o parque é seu lar e, como ela mesmo brinca, “eu só vou em casa para esquentar a cama”.

A menos de 100 metros do abrigo há um mirante que torna dispensável as palavras para justificar tanta paixão e dedicação. Diante das cores e contornos protegidas pelo parque, é fácil entender o encanto que a Chapada dos Guimarães pode despertar nas pessoas. Do lado esquerdo, o imponente Morro de São Jerônimo, um chapadão de coloração alaranjada que se assemelha à uma grande mesa. Do lado direito, morros mais baixos e sinuosos cobertos de verde. E em frente, os destoantes prédios de Cuiabá que se esticam no horizonte para arranhar o céu.

O nome São Jerônimo foi dado pelos bandeirantes que quiseram homenagear a entidade divina que eles acreditavam que iria protegê-los das tempestades. Mesmo sem raios e trovões, a força do vento na madrugada dá uma noção do medo que os aventureiros deviam sentir ao desbravar os cumes da região. Minha frágil barraca parecia um veleiro, içado pelo sopro da montanha, fortuitamente bem ancorado em terra firme. E, religiões à parte, me peguei pensando no tal São Jerônimo, pedindo para que ele não permitisse que o vento quebrasse minha tenda.

O Morro de São Jerônimo se impõe ao fundo. Em primeiro plano a Casa do Morro, abrigo para pernoite da travessia. Foto: Duda Menegassi.
O Morro de São Jerônimo se impõe ao fundo. Em primeiro plano a Casa do Morro, abrigo para pernoite da travessia. Foto: Duda Menegassi.

A subida ao Morro de São Jerônimo e o segundo dia da travessia

São Jerônimo ouviu meus pedidos, e de manhã, todas as barracas estavam intactas. Como um agradecimento pessoal à proteção concedida, hoje o topo do morro era o nosso objetivo. Saímos de manhã, com as costas leves, pois a subida seria um bate-volta de aproximadamente oito quilômetros, ida e volta, e as cargueiras ficariam no abrigo.

Encontramos com o segundo grupo aproximadamente um quilômetro adiante na trilha, na bifurcação que une os caminhos de quem faz a travessia, com os de quem vêm apenas para subir no topo do Morro de São Jerônimo, um dos pontos mais altos do parque. Entre as cerca de 20 pessoas que se juntaram a nós, estavam a representante do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), Cibele Ribeiro, e membros do escritório da Procuradoria Geral Federal no Mato Grosso, além de mais voluntários e servidores do parque.

Visto de longe, o Morro de São Jerônimo parece uma ampla mesa de rocha, verticalmente impenetrável para qualquer um que não seja escalador. As aparências, entretanto, enganam. Apesar da grandiosidade do platô de pedra que se impõe sob as cabeças dos caminhantes, a 805 metros de altitude, a trilha para alcançar o topo não é tão complicada. Existem apenas dois trechos de escalaminhada, onde é necessária maior atenção e desenvoltura, mas nada que impeça mesmo montanhistas de primeira viagem de completarem a subida. O gigante de pedra foi generoso ao abrir uma passagem por entre seus paredões para tornar seu cume acessível.

A seta aponta o caminho para o alto do Morro de São Jerônimo, para cima e avante! Foto: Duda Menegassi.
A seta aponta o caminho para o alto do Morro de São Jerônimo, para cima e avante! Foto: Duda Menegassi.

Do alto do platô, há uma visão panorâmica das diferentes tonalidades e facetas do Cerrado mato-grossense, inclusive da metrópole cuiabana, que apesar de estar a menos de cinquenta quilômetros de distância parece uma outra realidade. Um relógio apressado comparado aos paredões milenares de arenito da Chapada. Apesar de destoante, 65% dos 33 mil hectares do parque nacional estão efetivamente dentro do território da capital. Lá embaixo, vemos a Casa do Morro, de onde saímos. Invertidos os pontos de vista, o abrigo parece um pequenino ponto branco perdido na imensidão da paisagem. Estamos no topo da Chapada.

Nas alturas de São Jerônimo, a comemoração pela primeira década de vida do órgão gestor das unidades de conservação reuniu sua bandeira com a do IBAMA, um encontro simbólico visto que o ICMBio nasceu de dentro dele, quando ainda eram uma só instituição. Na volta ao abrigo, a celebração virou homenagem, com o plantio de seis ipês para lembrar os servidores de ambos os órgãos ambientais que faleceram recentemente,  entre eles os integrantes do IBAMA que estavam no avião que caiu no início de julho, em Roraima. Partimos com a certeza de que a energia daqueles que dedicaram suas vidas à conservação e proteção da natureza irá fazer florir o topo do morro e dar ainda mais cor à Chapada.

No começo da tarde demos início à etapa final da travessia. Depois de uma manhã nas alturas, os últimos 4,5 quilômetros são apenas descida. Estamos no Caminho do Carretão, uma antiga rota dos tropeiros, usada historicamente para vencer a distância entre Cuiabá e o município da Chapada dos Guimarães. O uso intenso ao longo das décadas pode ser visto na profunda erosão do leito da trilha.

Durante a travessia, a mata de encosta surpreende pela semelhança com uma floresta de Mata Atlântica, em pleno Cerrado. Foto: Duda Menegassi.
Durante a travessia, a mata de encosta surpreende pela semelhança com uma floresta de Mata Atlântica, em pleno Cerrado. Foto: Duda Menegassi.

O terreno irregular e as pedras soltas exigem atenção dos caminhantes, mas é impossível não olhar para cima. Esse é um dos trechos mais impressionantes de mata de encosta de toda a travessia. As encostas são privilegiadas porque recebem maior acúmulo de sedimentos, mais chuva, além de terem mais sombra ao longo do dia. O resultado são árvores altas e frondosas que poderiam facilmente passar por Mata Atlântica. A coordenadora de uso público do parque, Carolina, conta que, inclusive, já foram descobertas algumas espécies de Mata Atlântica na Chapada dos Guimarães, um mistério que os biólogos de plantão ainda não conseguiram elucidar. Talvez o resquício de uma época ancestral em que os biomas não estavam tão separados. Hoje, Cuiabá está a aproximadamente 1.000 quilômetros de distância da área mais próxima reconhecida como domínio da Mata Atlântica, no interior de São Paulo. Ah, se as rochas pudessem falar!

A biodiversidade da Chapada dos Guimarães para além da riqueza de paisagens, também pode ser traduzida em aves, com registros de aproximadamente 400 espécies. E em apenas dois dias, vimos um urubu-rei (Sarcoramphus papa); um casal de pica-paus benedito-de-testa-vermelha (Melanerpes cruentatus), espécie amazônica; diversos soldadinhos (Antilophia galeata), espécie que ocorre em matas ciliares da região central do país; as clássicas araras-vermelhas (Ara chloropterus); fora as muitas outras que meu parco conhecimento ornitológico me fez incapaz de identificar.

A reta final da travessia é plana enquanto serpenteia ao longo de um córrego, o Aricazinho, em uma faceta pouco reconhecível do Cerrado, cheia de verde. Terminamos a trilha antes das 17h, em uma estradinha localizada a cerca de 1 quilômetro da comunidade quilombola do São Jerônimo, a 30 quilômetros de Cuiabá. A proximidade com a capital assusta depois de uma verdadeira imersão na pré-história e na natureza de um gigante como a Chapada dos Guimarães. A marcha da urbanização vinda da metrópole avança em direção ao parque, e desafia a força de uma Chapada que resistiu à milhões de anos de erosão, que viu seu oceano esvaziar, seu deserto rebrotar, e permanece, impassível e imponente, como testemunha da história. E por ironia, nós, tão efêmeros no planeta, somos a maior ameaça a este patrimônio construído ao longo dos milênios, mas também a melhor chance de conservá-lo.

 

O caminho de 23km percorrido nos dois dias de travessia, com a subida ao Morro de São Jerônimo. Em vermelho, os limites do parque.
O caminho de 23km percorrido nos dois dias de travessia, com a subida ao Morro de São Jerônimo. Em vermelho, os limites do parque.

 

Travessia da Casa do Morro

Onde: Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (MT)

Distância: 23 quilômetros

Pernoite? Sim. O pernoite é feito no abrigo do parque, no quilômetro 11 da travessia.

Para realizar a travessia é necessário contratar um guia local credenciado e fazer o agendamento com até dois dias de antecedência no ecobooking.

 

*Duda Menegassi é jornalista de ((o))eco e à convite do ICMBio irá acompanhar as dez travessias em unidades de conservação que serão realizadas em comemoração aos dez anos do órgão ambiental.

 

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3 comentários em “Uma viagem no tempo pela Chapada dos Guimarães”

  1. Duda, parte desta trilha é a mesma usada pela expedição Langsforff, há quase 200 anos. Parabéns pela reportagem! Transporta-nos juntos para as incríveis belezas de Chapada dos Guimarães.

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