Galeria: As cores e os encantos do Guartelá

Maurício Martins Pereira, em parceria com o Observatório de Justiça & Conservação
domingo, 13 setembro 2020 10:36

Os Campos Gerais paranaenses abrigam uma das paisagens mais lindas do mundo. É impossível não ficar impressionado e até paralisado ao avistar o Cânion Guartelá, escavado no Rio Iapó. Os sons que partem suaves da garganta de 450 metros de profundidade misturam o eco da natureza e cantos de pássaros. Com um pouco de atenção, é possível ouvir o barulho de outros animais nativos, únicos dessa região.

Nessa paisagem singular, cresceu o fotógrafo e documentarista Maurício Martins Pereira, que busca na relação com a natureza, inspiração e fonte de renda. Além de produção de fotos e filmes, também se dedica à vida acadêmica, como professor universitário.

O Guartelá é o maior cânion do Brasil, e está inserido na Área de Proteção Ambiental (APA) da Escarpa Devoniana. Nesse espaço, Maurício cresceu e desenvolveu uma relação muito próxima com os animais nativos, como o lobo-guará, maior canídeo da América do Sul e que corre risco de extinção. O lobo da foto foi acompanhado por Maurício durante dois anos e sempre frequentava o sítio onde ele cresceu. Certa vez, chegou até a “roubar” sua máquina fotográfica.

Mas quem conta os detalhes das fotografias é o próprio Maurício. Aproveite essa viagem por meio das fotografias.

Galeria:

“Em que direção seguimos se não soubermos de onde saímos? Minha raiz está nesse cânion, lugar onde tudo começou, onde meu bisavô Nhoca vivia em sua Toca. Posso rodar o mundo, mas quando me deparo com essa paisagem é mágico. Documentar e registrar a paisagem e a cultura guartelhana é, sem dúvida, o grande combustível da minha vida. Este é o maior cânion do Brasil e o sexto do mundo. O Guartelá é formado pelo Rio Iapó, tem 32 quilômetros de extensão e 120 milhões de anos. Sua formação começou juntamente com o nascimento do Oceano Atlântico. As paredes foram sendo elevadas e o rio continuou escavando e seguindo seu curso. O mais interessante é que o Rio Iapó segue para o interior do Paraná, em vez de descer sentido litoral. Isso se dá pelo fato de o rio ser antecedente à formação do cânion”. Foto: Maurício Martins Pereira.
“Sony é o apelido dado ao lobo-guará que roubou minha câmera novinha. A câmera ficou desaparecida por seis dias no Cânion Guartelá, e foi encontrada em perfeito estado, só com a marca dos dentes. Mas a história termina sem final feliz. Alguns meses após essa foto, o Sony foi atropelado bem próximo à reserva onde ele sempre passava pra comer jabuticaba. O lobo-guará é importantíssimo para a manutenção da vegetação nativa, sua alimentação é onívora e em suas fezes ele espalha as sementes nativas por onde passa”. Foto: Maurício Martins Pereira.
Foto: Maurício Martins Pereira.
Foto: Maurício Martins Pereira.
Foto: Maurício Martins Pereira.
“Esta foto é da Trilha do Índio, linda e de fácil acesso. Com apenas cinco quilômetros no total, você visita dois sítios arqueológicos com pinturas rupestres e ainda degusta uma das melhores vistas do cânion”. Foto: Maurício Martins Pereira.
“Amanhecer nos campos nativos. Desta vez tive sorte e o dia amanheceu limpo sem uma nuvem no horizonte. Apenas 15 minutos de caminhada, mate pronto, tripé posicionado e foi só esperar o momento decisivo do click”. Foto: Maurício Martins Pereira.
“O Guartelá, sem dúvidas, tem um dos céus mais lindos do mundo!.” Foto: Maurício Martins Pereira.
“Tibagi é incrível para astrofotografia. A cidade pequena emite pouca poluição luminosa e o Guartelá, nas partes altas, chega até 1.150 metros em relação ao nível do mar. Estava de passagem pela cidade e olhei pro céu, e a condição estava incrível. Chamei os amigos para me acompanhar e produzirmos algumas fotos”. Foto: Maurício Martins Pereira.
Foto: Maurício Martins Pereira.
“À primeira vista, pode parecer apenas um rancho velho, mas é uma das mais fortes representações culturais dos guartelhanos. Nesses ranchos, os homens guartelhanos viviam durante toda a semana produzindo sua roça para subsistência. Sábado era dia de subir a serra para visitar a esposa e os filhos, vida dura e difícil, mas de imensa paz e tranquilidade. Vizinho a esse rancho ainda tem a pedra da Toca onde meu bisavô Nhoca vivia igual índio, aproveitando-se do abrigo natural. Ir até esse lugar é um ritual pra mim. Minha origem está aí!”. Foto: Maurício Martins Pereira.
Foto: Maurício Martins Pereira.

 

Republicado do Observatório de Justiça e Conservação através de parceria de conteúdo.

 

 

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Revista Justiça & Conservação – 5ª edição

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