Porque o mercúrio é usado na mineração de ouro

Vandré Fonseca
quinta-feira, 14 março 2013 14:23
Homem exibe uma bolota de mercúrio. Companheiro e veneno do dia a dia do garimpo. Foto: Victor Moriyama
Homem exibe uma bolota de mercúrio. Companheiro e veneno do dia a dia do garimpo. Foto: Victor Moriyama

Entre as propriedades do mercúrio, está a capacidade da forma orgânica desse elemento se acumular ao longo da cadeia alimentar, causando a contaminação de peixes e o risco de envenenamento de quem deles se alimenta , inclusive seres humanos. A intoxicação por mercúrio pode provocar danos ao sistema neurológico. As consequências podem variar desde dores no esófago e diarreia a sintomas de demência. Depressão, ansiedade, dentes moles por inflamação e falhas de memória também estão entre os sintomas. Um perigo ofuscado pelo brilho do ouro.

Para o garimpeiro, o que importa são outras propriedades do mercúrio. Primeiro, a capacidade de se unir a outros metais e formar amálgamas, o que é fundamental em garimpos, onde os minúsculos grãos de ouro precisam ser separados dos sedimentos dragados de leitos de rios ou da terra escavada. Após esse cascalho passar um período em esteiras, para que os metais se assentem e sejam separados de sedimentos mais leves, o material concentrado é jogado em betoneiras onde é misturado à agua e ao mercúrio.

Os pequenos grãos se agregam com ajuda do mercúrio e podem ser separados com mais facilidade. Em garimpos onde é usado maquinário mais pesado, como balsas, os sedimentos são dragados para dentro de misturadores, chamados pelos garimpeiros de cobra-fumando, onde se costuma também utilizar o mercúrio para evitar que partículas de ouro sejam desperdiçadas. No final, os restos contaminados são despejados no solo ou no rio.

“O mineral na água não é suficiente para causar problemas para a população. O problema é quando ele é transformado em compostos orgânicos, aí ele entra na cadeia trófica, das plantas aos peixes”, afirma Bruce Forsberg, especialista em ecossistemas aquáticos, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Ponto de liquefação

A capacidade de formar amálgama não é a única propriedade do mercúrio que interessa aos garimpeiros. Ele se liquifica e evapora em temperaturas menores do que o ouro. Portanto, basta um maçarico para separar os dois metais e obter o ouro puro. Quando realizado em ambiente aberto, esta parte do processo libera o mercúrio em forma de gás para a atmosfera.

“Compradores e vendedores de ouro têm mais problemas de envenenamento porque trabalham em ambientes fechados”, diz Forsberg, pois se a operação é feita em locais que confinam o vapor, ele ataca o sistema respiratório ao ser inspirado. Esse gás tóxico e corrosivo também provoca imitações na pele.

De acordo com Forsberg, cerca de metade do mercúrio usado no garimpo evapora e vai para a atmosfera. E quando isso acontece, as conseqüências ultrapassam os limites da floresta. Nos últimos 100 anos, segundo o pesquisador, a concentração de mercúrio na atmosfera aumentou três vezes. Para esse aumento, contribuíram principalmente as indústrias que usam o metal, em particular dos países desenvolvidos. E existe ainda a contribuição dos processos naturais, como vulcões, responsáveis por 1/3 do mercúrio presente na atmosfera. Mas o uso nos garimpos também contribui.

Forsberg alerta sobre um fenômeno menos conhecido: “Em fios de cabelo de pessoas que vivem no Alto Rio Negro, no estudo que fizemos no Amazonas, encontramos concentrações de mercúrio 7 vezes maior do que no Madeira ou Tapajós. E no Alto Rio Negro não temos garimpo”, diz. A razão e a combinação entre o mercúrio encontrado naturalmente na região e a presença de bactérias capazes de transformar o metal em compostos orgânicos. postos orgânicos.

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http://www.oeco.com.br/reportagens/26939-ouro-mineracao-de-pequeno-porte-e-mercurio-ameacam-a-guiana

http://www.oeco.com.br/carlos-gabaglia-penna/20837-efeitos-da-mineracao-no-meio-ambiente

10 comentários em “Porque o mercúrio é usado na mineração de ouro”

    • É usado primeiro para aglutinar o ouro, pois este nos rios é em forma de pó, forma um amálgama, depois é aquecida esta amálgama e sobra o ouro, está no texto. É usado ainda, também, pelo fato das técnicas utilizadas na extração do ouro serem rudimentares, carecendo de uso de equipamentos mais modernos.

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    • Acho que tu não leu o texto, mas vou te dar uma ajuda. Nesta parte ele explica a utilidade do mercúrio na mineração de ouro. "Ele se liquifica e evapora em temperaturas menores do que o ouro. Portanto, basta um maçarico para separar os dois metais e obter o ouro puro"

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    • O mercúrio funciona como um "imã" que "gruda" nos pedacinhos pequenos de ouro deixando eles maiores e de fácil separação. Depois separam esses pedacinhos de ouro que ficaram maiores por causa do mercúrio e esquentam ambos, como o mercúrio derrete antes do outro fica fácil separar.

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    • Acho que você já anda usando mercúrio, pois para querer usar algo que é extremamente prejudicial à saúde e ao meio ambiente, só pode ser coisa de demente.

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    • Tremores musculares, coceira persistente, sensação de queimação na pele, mudanças de personalidade. Estes são alguns dos sintomas do envenenamento crônico, ou seja, absorção freqüente de pequenas quantidades do elemento ou seus derivados. Já o envenenamento agudo, pela ingestão de compostos de mercúrio, é ainda pior: se não tratado, leva à morte em cerca de uma semana, esses são alguns dos problemas do mercúrio não recomento que o compre pois alem de riscos a saúde traz riscos ambientais.

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  1. Gostaria de obter uma resposta técnica sobre o amálgama do ouro no mercúrio que propriedades químicas esses dois elementos possuem para que isso ocorra e o passo a passo químico.

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