Reportagens

Música misturada com ativismo ambiental

Artistas também estão preocupados com o planeta. Fizemos um Top 10 de canções que chamaram a atenção para a causa ambiental

Márcio Lázaro ·
29 de janeiro de 2011 · 11 anos atrás
Música e Meio Ambiente, por que não? Imagem: Pixabay.

Desde quando as questões ambientais tomaram parte da agenda pública no mundo, o movimento cultural se tornou mais expressivo em torno da defesa da sustentabilidade e proteção ao meio ambiente. Com a geração hippie se tornando o abre-alas da fusão da cultura pop e ambientalismo (tudo bem, contracultura no caso hippie), aos poucos os diversos estilos musicais que ganhavam notoriedade foram abrindo espaço para canções protesto. Abaixo, fizemos um Top 10 de canções e artistas que chamaram a atenção para a causa ambiental.

10 – “Kyoto Now!” – Bad Religion – Expoente e pioneiro do Punk californiano, o Bad Religion é conhecido pela postura e pelo protesto caracterizado ora incisivamente, ora por metáforas. “Kyoto Now!” fala, obviamente, da necessidade do acordo de Kyoto, que não foi ratificado pelos USA, país de origem da banda.

9 – “Earth Song” – Michael Jackson – O Rei do Pop, morto em 2009, mostrava preocupação com as causas ambientais e lamentava o que a humanidade havia feito – incluindo ele mesmo (“What have we’ve done to the world? / Look what we’ve done”). Apesar do instrumental parecer pesado, dramático e datado, “Earth Song” soa como um mea culpa generalizado.


8 – “Ark of Suffering” – Tourniquet – Sim, o metal também possui simpatizantes da causa ambiental. Em “Ark of Suffering”, a banda fala sobre o abuso de animais, seja pela matança indiscriminada, que desequilibra todo um ecossistema, seja pelo uso abusivo de cobaias em laboratórios.

7 – “Fall on Me” – R.E.M. – O R.E.M. é uma banda notória pela postura ética e pela defesa dos direitos das minorias e do meio ambiente. Michael Stipe, vocalista da banda, deu uma declaração sobre o significado da canção: “… é sobre a chuva ácida e seus efeitos sobre o meio ambiente(…)”

6 – “My City Was Gone” – The Pretenders – Conhecida pelo seu ativismo em defesa dos animais e do vegetarianismo, Chrissie Hynde compôs este clássico dos Pretenders sobre as mudanças rápidas no ambiente urbano, como a falta de áreas verdes por causa da “concretização” (no caso, concreto mesmo) das áreas.

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5 – “Do The Evolution” – Pearl Jam – Com ironia peculiar, o Pearl Jam (banda dos anos 90 que conta com milhões de fãs em todo o planeta – no Brasil, todos os shows de sua turnê na metade dos anos 2000 tiveram o ingresso esgotado) fala sobre a evolução do homem na Terra, em sua escalada de estabelecimento e destruição do planeta, em nome do “progresso”.



4 – “(Nothing But) Flowers” – Talking Heads – 
Se todo o avanço tecnológico que temos hoje fosse destruído e tudo fosse coberto por flores? Se as selvas tomassem conta de tudo novamente?  Segundo o brilhante David Byrne, vocalista e líder dos Talking Heads, a dificuldade de adaptação humana seria absurda – e surreal. Um clássico dos anos 80.

3 – “Take it Back” – Pink Floyd – Bela música do álbum “The Division Bell” (album de 1994, gravado sem Roger Waters, que tinha se separado do grupo após o álbum “The Final Cut”, de 1983) que avisa que a Mãe Natureza um dia pode devolver o abuso cometido pelos homens.

2 – “Mercy Mercy Me (The Ecology)” – Marvin Gaye – Um dos reis do Soul e R&B em uma música que fala sobre a destruição causada pelo homem (“Oil wasted on the ocean and upon / our seas fish full of mercury…/ Radiation underground and in the sky /animals and birds who live near by are dying…).

1 – Midnight Oil – Como falar sobre música e meio-ambiente / sustentabilidade sem citar o Midnight Oil? Amada por surfistas, ativistas e com um sucesso estrondoso na Europa e América do Sul, poderíamos apenas citar grandes canções como “Feeding Frenzy” (sobre as loucuras da modernidade e suas consequências), “Beds Are Burning” (mudanças climáticas) e “The Dead Heart” (sobre a questão dos aborígenes vs colonizadores). Mas a banda extrapolou os limites culturais: o vocalista Peter Garrett foi empossado Ministro do Meio Ambiente da Austrália em 2007.

  • Márcio Lázaro

    Jornalista, repórter cinematográfico, editor de vídeo e imagens, mestre em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento (UFRJ).

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Comentários 1

  1. Cláudio Maretti diz:

    Boa matéria, Duda Menegassi! Equilibrada, correta e necessária. Parabéns e obrigado!

    Ajustes nessas unidades de conservação são necessários desde a sua criação e a necessidade só aumenta quando os ajustes não são aplicados.
    Há estudos e diálogos nesse sentido há tenpos.

    Para ajustes em unidades de conservação é necessário estudos, análise e propostas técnicas, compensação da conservação e diálogo para compor soluções.

    A posição técnica do ICMBio é consistente e adequada.

    A Floresta Nacional de Brasília tem algumas áreas com valor ecológico não tão importante, relativamente, e desde sua criação. Mas há áreas importantes para recuperação e para visitação (ou uso público), como a Área 1, com importante envolvimento da sociedade local e boa história e grande potencial de voluntariado. E há áreas importantes para recuperação, ordenamento da ocupação e proteção dos recursos hídricos, como a Área 4 e grande parte da Área 3. Faz todo sentido mudar a categoria da Reserva Biológica de Contagem para parque nacional, promovendo a conservação com a visitação (ou uso público), de forma integrada com o Parque Nacional de Brasília. Faz todo sentido ampliar a conservação de áreas de maior valor ecológico (inclusive como compensação pela redução de outras áreas).

    Mas é muito importante acompanhar com atenção o processo no Legislativo, pois há vários parlamentares só interessados em especulação imobiliária e populismo com lotes e moradias (como em toda a história do Distrito Federal).