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Vozes do Planeta discute o impacto da pesca na biodiversidade marinha

Podcast analisa o documentário “Seaspiracy”, lançado pela Netflix e entrevista a diretora de desenvolvimento da Sea Shepherd Brasil, ONG cuja atuação teve destaque no filme

Marcos Furtado ·
6 de abril de 2021

A Netflix lançou no mês passado o documentário “Seaspiracy – Mar Vermelho”, que mostra o impacto da pesca predatória na biodiversidade marinha. A discussão abordada no filme também foi tema, na última sexta-feira (2), do podcast Vozes do Planeta. Para mensurar a quantidade de danos causados pelo pesca predatória, o cineasta Ali Tabrizi analisa dados e entrevista pesquisadores. Nathalie Gil, diretora de desenvolvimento da Sea Shepherd Brasil, conversou com apresentadora Paulina Chamorro sobre o trabalho da organização, que teve destaque no filme. “Um grande desafio são as áreas mais ricas com relação à biodiversidade, as costeiras. São lá que estão a maior quantidade da vida marinha. Portanto, é onde o maior interesse dessa pesca predatória está presente. Nos associamos e fizemos parcerias com governos para termos atuação nas áreas soberanas de alguns governos para garantir o monitoramento de navios de pesca que estão operando de maneira ilegal”.

“A pesca foi se tornando cada vez mais eficiente. Os emalhes e as redes foram se tornando, como o próprio documentarista fala, ‘fábricas de morte’ que não fazem seleção do que está caindo na rede”, explica Nathalie.

Concebido e apresentado pela jornalista Paulina Chamorro, desde 2016 o podcast Vozes do Planeta se dedica a tratar de temas relacionados à sustentabilidade e meio ambiente. 

Na sequência, Paulina conversou com Natalie Unterstell, coordenadora do Política por Inteiro, sobre o relatório, que será lançado em breve, “Pesca por Inteiro”, que analisa movimentações do executivo no setor pesqueiro. “Verificamos que foram editados 79 atos com potencial interesse e relevância para questões ambientais nesse segmento (pesca)”, revela. De acordo com Natalie, as principais mudanças mapeadas pelo estudo favorecem a uma “alienação de órgão ambientais” para que o setor se autorregule. 

Governo reduz participação da sociedade civil 

Na última parte do podcast, a jornalista Duda Menegassi, de ((o))eco, explicou as alterações do ICMBio nos Planos de Ação Nacional (PAN) para conservação de espécies ameaçadas de extinção. 

A partir de uma retificação publicada no fim do mês passado, O Grupo de Assessoramento Técnico (GAT), que implementa e supervisiona os planos, será composto apenas por “agentes públicos da administração pública federal até o limite de cinco membros” e convidados. Antes da alteração, o grupo era formado por membros não-remunerados que normalmente incluíam representantes do ICMBio, da academia, de ONGs e de associações da sociedade civil.

“Todas essas alterações deixaram muitos pesquisadores preocupados sobre como continuarão os grupos dos PANs que já estão em curso, como ficará a transparência dos estudos levantados e a construção das ações de conservação. Sem dúvida, essa é uma pauta que vale a pena ficar de olho”, explica Duda.

O programa ainda abriu espaço para conversas sobre contabilidade ambiental e a recuperação de corais em Tamandaré, em Pernambuco. 

Confira aqui na íntegra a última edição do podcast Vozes do Planeta:

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https://www.oeco.org.br/noticias/estudo-inedito-mapeia-areas-prioritarias-para-conservacao-dos-oceanos-no-planeta/
  • Marcos Furtado

    Escreveu para ((o))eco, Estadão, Folha de SP, Colabora. Ganhou o Prêmio Santander Jovem Jornalista e teve o 3º lugar em concurso do ICFJ

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