Vale acabará com todas as barragens parecidas com Brumadinho e Mariana

Vale acabará com todas as barragens parecidas com Brumadinho e Mariana

Daniele Bragança
quarta-feira, 30 janeiro 2019 5:10
O presidente da Vale, Fabio Schvartsman, anuncia que acabará com barragens como Brumadinho e Mariana. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil.

A mineradora Vale anunciou que acabará com todas as barragens que seguem o mesmo padrão da Barragem de Brumadinho e de Mariana. A decisão foi anunciada após reunião do presidente da Vale, Fábio Schvartsman, com os ministros de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

Tanto a Barragem de Brumadinho quanto de Mariana são do mesmo tipo, chamado de “a montante”, um tipo de barragem que permite a ampliação para cima do dique de maneira mais econômica, usando o próprio rejeito como fundação. É um dos modelos de construção de barragens mais usados na mineração, por causa do custo, mas também um dos mais instáveis.

A Vale possui 19 barragens deste tipo no país e já havia iniciado o processo de esvaziamento de 9 barragens após o acidente de Mariana. Pelo plano anunciado nesta terça-feira, a companhia investirá 5 bilhões para esvaziar os outros dez. O processo de descomissionamento deve demorar 3 anos. Para isso, a empresa pretende reduzir sua produção em 10%.

“A decisão da companhia é que não podemos mais conviver com esse tipo de barragem”, disse Schvartsman. “Vamos eliminar e acabar com todas as barragens a montante, com efeito imediato”, acrescentou.

Segundo Schvartsman, a única maneira de se fazer o esvaziamento é paralisando a produção. Os órgãos ambientais receberão em até 45 dias os projetos para licenciar o esvaziamento das barragens. As obras começarão assim que os órgãos derem as licenças.

A Vale foi multada em 250 milhões pelo Ibama e teve 11 bilhões bloqueados pela Justiça de Minas para garantia de reparação dos danos causados às vítimas do rompimento da barragem de rejeito. Até o momento, o rompimento da barragem de Brumadinho deixou 84 vítimas fatais. Ainda há 276 desaparecidos.

 

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