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Monitoramento pioneiro identifica extensão das áreas queimadas no Pantanal

Monitoramento desenvolvido por laboratório da UFRJ calcula extensão das queimadas no bioma quase em tempo real: fogo atingiu mais de 1,5 milhão de hectares nos últimos 2 meses

Duda Menegassi ·
16 de agosto de 2020 · 1 anos atrás
Queimada no Pantanal. Foto: Governo do Mato Grosso do Sul.

Entre 12 de junho e 14 de agosto, as queimadas já consumiram cerca de 1.552.000 hectares no Pantanal brasileiro, o equivalente a mais de 1,5 milhão de campos de futebol. Os dados são do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (LASA) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que desenvolveu um monitoramento pioneiro para calcular a extensão atingida pelo fogo no bioma em tempo quase real. O objetivo do sistema, batizado de ALARMES (Alerta de Área Queimada com Monitoramento Estimado por Satélite) é auxiliar as equipes que atuam no combate aos incêndios florestais, em especial as brigadas do PrevFogo do Ibama, parceiras da iniciativa.

A principal técnica de monitoramento de queimada feita por satélite é através da identificação de focos ativos de calor, como faz o Programa de Queimadas do INPE. Esse método localiza pontos de fogo de forma rápida, mas não funciona para calcular a extensão da área atingida pelas chamas.

“É muito comum a detecção de fogo ativo. Enquanto o satélite está lá em cima, ele passa e se está pegando fogo ele detecta. E essa informação dos focos de calor é dada alguns minutos ou horas depois que o satélite passa, é muito rápido, é o monitoramento em tempo quase real. Depois que o fogo acaba ou passa por uma região, é que a gente vai conseguir monitorar a extensão que queimou. Porque quando a gente está falando de foco de calor, o satélite vê um ponto, não a área e quantos hectares queimaram. Isso é muito mais complicado de fazer. O que se faz há muito tempo é você detectar a área queimada depois que passa algum tempo, o que em geral demora 1, 2 até 3 meses. Isso é o que a maioria dos centros fazem e essa informação vai ser útil, mas a gente perde essa temporalidade e pros gestores é muito difícil esperar esse tempo todo para ter essa informação. Fica uma lacuna. Porque eles precisam gerenciar o incidente e qual a real situação, o tamanho da área atingida, a magnitude do evento. Em geral isso é muito custoso para eles, porque eles precisam de veículo aéreo, contingente para monitorar a área, para sobrevoar, ver a extensão” explica a professora do Departamento de Meteorologia do Instituto de Geociências da UFRJ, Renata Libonati, que é uma das coordenadoras do LASA.

O que o ALARMES faz é justamente calcular através de imagens de satélite a extensão dessa área queimada. “O nosso produto consegue num curto espaço de tempo, de um dia para o outro, fornecer a área queimada dos dias passados. Em tempo quase real. O satélite passou ontem, eu pego essa imagem, já processo e no dia seguinte eu já tenho a estimativa da área que queimou. Essa é a grande diferença”, pontua Renata.

Ela esclarece ainda que pela rapidez com que a informação é processada, há limitações no processo. “Por eu estar dando uma informação muito rápido, ela é menos precisa do que uma informação processada por semanas-meses. Mas, por outro lado, pro tipo de uso que esse dado vai ter, que é assistir os gestores no gerenciamento da resposta ao incidente, eles não querem uma precisão tão grande. De repente em vez de 100 hectares, eu digo que são 90, mas por outro lado eu estou dizendo para eles o que acabou de acontecer e eles podem usar isso para melhor aplicar os recursos, para aplicar rapidamente autos de infração de multa considerando o total da área queimada, melhorar as estatísticas de combate e direcionar as equipes”, acrescenta.

Mapa de Confiabilidade – monitoramento ALARMES. Fonte: LASA/UFRJ

A Nota Técnica divulgada pelo Laboratório traz um mapa com o avanço do fogo no período e também um mapeamento de confiabilidade das detecções feitas pelo sistema de monitoramento. Quanto mais vermelho a área, mais confiável é aquela informação; e quanto mais para o azul, menor a certeza. “No geral os pontos mais azuis estão nas bordas das cicatrizes. A cada rodada do modelo, ele vai atualizando essa informação, então esses lugares que estão azuis agora, amanhã já vão estar com uma cor mais pro amarelo e depois pro vermelho. Porque no geral essas bordas são as regiões que ainda estão queimando. Fica difícil monitorar quanto queimou quando ainda está queimando. Quando o fogo já se extinguiu, a detecção é melhor”, esclarece a pesquisadora.

A ferramenta ainda é considerada um protótipo e está em fase de validação no campo – um retorno que tem sido animador para as equipes. O sistema foi financiado pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e pelo PrevFogo. A metodologia foi desenvolvida no âmbito da tese de doutorado de Miguel Mota Pinto, da Universidade de Lisboa, através do projeto Andura, parceiro do Laboratório da UFRJ na iniciativa.

O Laboratório está produzindo uma plataforma online onde esses dados do monitoramento poderão ficar disponíveis para consulta online. De acordo com a pesquisadora, a expectativa da equipe é conseguir lançar a plataforma virtual até o final de agosto. Enquanto isso, as equipes têm desenvolvido relatórios semanais para atualizar a situação do fogo no bioma.

 

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  • Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação e montanhismo. Escreve para ((o))eco desde 2012. Autora do livr...

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