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Sergipe decreta situação de emergência depois de mancha de óleo atingir 10 praias

Até o momento são 132 praias atingidas por petróleo nos nove estados do Nordeste, espalhados em 61 municípios. Causas ainda estão sendo investigadas

Sabrina Rodrigues ·
7 de outubro de 2019 · 2 anos atrás
Manchas na Praia de Pirambu, Sergipe. Foto: Agência Sergipe de Notícias.

Há mais de um mês manchas de óleo têm atingido o litoral dos nove estados do Nordeste e em 61 municípios. Até o momento, são 132 praias com manchas escuras, cuja análise feita pela Marinha e pela Petrobras apontou uma substância encontrada nos litorais como de petróleo cru, ou seja, não se origina de nenhum derivado de óleo. Segundo o Ibama, 11 tartarugas marinhas e uma ave Bobo-pequeno (Puffinus puffinus) apareceram mortas por causa do petróleo cru.

O petróleo começou a chegar na costa nordestina no dia 02 de setembro e desde então, se espalhou pelo litoral do Nordeste. Na quinta-feira (3), a mancha chegou à Bahia. O Projeto Tamar suspendeu as solturas das tartarugas marinhas na área de atuação do projeto em Sergipe e no extremo Norte da Bahia. 

Segundo o Ibama, o estado do Sergipe foi o que teve o maior aumento no número de praias atingidas. Inicialmente eram quatro e agora o número subiu para 10 (Praias de Mosqueiro e Atalaia em Aracaju; Praia do Pirambu, no município de Pirambu; Praia do Jatobá, da Barra, da Ponta dos Mangues, do Porto, Atalaia Nova e Praia da Costa, no município de Barra dos Coqueiros e Praia do Abaís, em Estância). Por isso, o governo sergipano montou um gabinete de crise para acompanhar o caso, ficando decretada situação de emergência na faixa litorânea dos municípios atingidos pelo derramamento de produto químico em ambiente marinho, recomendando à população a não utilizar as praias, bem como a não retirada, por conta própria, de nenhuma substância delas. 

Na sexta-feira (4), o Ministério Público Federal (MPF) enviou ofício à Administração Estadual do Meio Ambiente e à Superintendência do Ibama em Sergipe para saber quais as medidas adotadas e as que estão sendo planejadas para garantir a limpeza das praias e a contenção dos danos ambientais no estado.

O MPF solicitou ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) que adote providências para conter os danos ambientais causados por derramamento de óleo ocorrido no final de setembro deste ano. O órgão ministerial quer a formação de uma equipe específica para realizar a limpeza das 10 praias sergipanas atingidas pela mancha de óleo. 

“A solicitação do MPF é que o Ministério do Meio Ambiente desloque pessoas ou equipes de outros Estados da Federação, atingidos ou não, de forma a garantir efetividade aos trabalhos, seja com revezamento de pessoal, seja com parcerias vindas de qualquer parte do Brasil”, explica o procurador da República Ramiro Rockenbach. O procurador ressalta que as atividades de limpeza devem ser intensificadas o mais rápido possível, “em até 72 horas”, afirma.

O Ibama informou que requisitou apoio da Petrobras para atuar na limpeza de praias.

Segundo o Ibama, não se sabe a origem do óleo. O órgão não confirmou, mas há suspeitas de que o óleo veio de navios petroleiros vindos da Venezuela e que passaram pelo litoral nordestino.

Na sexta-feira (04) a Marinha do Brasil informou que instaurou um Inquérito Administrativo para a apuração das causas e responsabilidades do acidente. “Dentre as ações em curso, estão sendo identificados e notificados navios-tanque que trafegaram próximo às regiões atingidas com as manchas, em período que antecede o acidente, para fins de esclarecimentos sobre supostos vazamentos de óleo”, afirmou, em nota.

No sábado (05), o presidente Jair Bolsonaro emitiu um despacho, publicado em edição extra do Diário Oficial da União, determinando a investigação, sobre as causas e os responsáveis pelas manchas de óleo. No documento, o presidente deu o prazo de 48 horas, a partir da publicação do despacho, para que sejam apresentadas respostas da investigação. A apuração deve ser feita pela Polícia Federal, Comando da Marinha, Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). 

 

 

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  • Sabrina Rodrigues

    Repórter especializada na cobertura diária de política ambiental. Escreveu para o site ((o)) eco de 2015 a 2020.

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