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Planet diz que imagens da PF não são as mesmas disponibilizadas de graça pela Noruega

Empresa americana de imagens de satélite informou, por meio de nota, que contrato com Polícia Federal é “mais amplo”. Especialistas questionam gasto de R$ 49,7 mi

Cristiane Prizibisczki ·
28 de setembro de 2020
Landsat. Imagem: Divulgação.

A empresa americana Planet, por meio de sua representante brasileira Santiago & Cintra Consultoria, informou que as imagens que serão disponibilizadas à Policia Federal referentes ao contrato 18/2020, no valor de R$ 49,7 milhões, não são as mesmas fornecidas gratuitamente pela Iniciativa Internacional de Clima e Florestas (NICFI, na sigla em inglês), do Ministério do Clima e Meio Ambiente da Noruega.

Segundo a Planet, “o contrato com os produtos da Planet para a Polícia Federal […] é mais amplo e com variados produtos”.

Por meio de nota enviada a ((o))eco no último domingo (27), a empresa americana disse que o contrato 18/2020 fornece produtos diários e mensais, e que as análises dos Analytics da Planet e dos alertas feitos pela Santiago & Cintra Consultoria são sobrepostos às imagens diárias e aos dados mensais. “Esses produtos são significativamente diferentes do contrato multianual que a Noruega atribuiu à KSAT [Kongsberg Satellite Services, empresa aeroespacial norueguesa], que inclui dados da Planet e Airbus que fornece mapas mensais e arquivos que datam desde 2002”.

Além disso, a empresa americana informou que os mapas mensais, de 64 diferentes nações, incluem um número limitado de parceiros da NICFI com acesso para adquirir as imagens.

“A Planet é um provedor de dados comerciais não exclusivo, cujos produtos são utilizados por empresas privadas, ONGs e governos em todo o mundo. Temos o prazer de fornecer dados a ambos esses usuários únicos de produtos”, disse a nota.

O contrato entre Planet e Polícia Federal tomou as manchetes na última semana após o Ministério do Clima e Meio Ambiente da Noruega anunciar o lançamento da Iniciativa Internacional de Clima e Florestas (NICFI) para o fornecimento de acesso universal e gratuito ao monitoramento por satélite das florestas tropicais no mundo. Segundo especialistas, parte das imagens fornecidas pela iniciativa seriam as mesmas que a PF pretende comprar por meio do contrato 18/2020.

Na nota publicada na última terça-feira (22) em seu site, a Planet dizia que “fornecerá mapas-base de alta resolução (menos 5m por pixel) de toda região tropical, cobrindo mais de 64 países em desenvolvimento, atualizados a cada mês. Eles estarão disponíveis gratuitamente para qualquer pessoa ver e usar por meio de parceiros de tecnologia da Noruega, como a Global Forest Watch. Além disso, a partir de meados de outubro, qualquer pessoa poderá fazer o download dos mapas-base mensais prontos para análise dessas regiões por meio da plataforma de imagens de satélite online da Planet, Planet Explorer, com a finalidade de apoiar a missão do NICFI. Planet, KSAT e Airbus também trabalharão com parceiros noruegueses selecionados para compartilhar os dados da imagem original, fornecendo aos principais líderes globais da ciência e da política as imagens diárias da Planet e o arquivo exclusivo de alta resolução da Airbus”.

 

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  • Cristiane Prizibisczki

    Cristiane Prizibisczki é Alumni do Wolfson College – Universidade de Cambridge (Reino Unido), onde participou do Press Fellow...

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Comentários 5

  1. Cainho Sícoli Seoane diz:

    Caô da Santiago & Cintra protegendo sua venda e renda! Muito importante mesmo é dizer que o INPE tem total competência e é padrão mundial na detecção de incêndios florestais, e que as tais imagens de alta resolução não são tão úteis para detecção e análise de tendências, as imagens de média resolução que são usadas pelo INPE são mais do que adequadas. Essa história toda É GOLPE!


  2. Jornalista diz:

    Então o título da reportagem anterior aqui do Eco é fake news?
    "Noruega fornece de graça imagens da Planet que PF quer comprar em contrato de R$ 49 mi".
    (O título é uma pegadinha pro povo que só lê título, 99% da população)


    1. CristianePrizibisczk diz:

      Caro leitor. As matérias em questão trazem dois lados distintos de um mesmo fato: o lado dos especialistas em monitoramento (reportagem anterior) e a versão da empresa (nota neste link), publicada assim que enviada à nossa equipe. O direito ao contraditório (ouvir os dois lados da notícia) é premissa do jornalismo profissional e princípio que ((o))eco vem exercendo há 16 anos.


      1. Jornalista diz:

        Não muda o fato do que está no título não é corroborado com o que está na notícia. Com certeza em mais de uma década pode ter sido a premissa do Eco o profissionalismo. Mas de uns dois anos pra cá, afirmar isso é atentar contra a inteligência alheia.


    2. John Rambo diz: