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Pesquisadores tentam determinar ponto de origem das manchas de óleo no Nordeste

Cientistas da Coppe/UFRJ realizaram simulações que apontam uma região entre Alagoas e Sergipe, entre 600 e 700 km da costa brasileira

Carolina Lisboa ·
21 de outubro de 2019 · 2 anos atrás
Mancha de óleo no litoral norte sergipano. Foto: Ascom/Adema-SE.

Por solicitação da Marinha do Brasil, os pesquisadores Luiz Landau e Luiz Paulo Assad, do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce) do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ) buscam detectar o ponto de origem do despejo de óleo que polui a costa do Nordeste. As simulações indicam uma área entre 600 km e 700 km da costa brasileira, numa faixa na fronteira entre Sergipe e Alagoas. O centro dessa área fica em águas internacionais, fora da Zona Econômica Exclusiva do Brasil.

Em entrevista a ((o))eco, Landau esclareceu que o estudo é um modelo matemático das correntes marinhas do Atlântico cruzado com o mapa de detecção das manchas de óleo disponibilizado pelo Ibama. “Invertemos o sentido temporal a partir os pontos de destino para os de origem do óleo, para estimar a provável área de origem. Como não tínhamos pontos de detecção das manchas na Bahia, que são dados novos, iremos agora refazer a modelagem incorporando esses dados e a informação de que o óleo é subsuperficial, ou seja, ele não navega na superfície da água, mas fica submerso”, explicou o pesquisador.

O professor da Coppe, Luiz Landau, mostra a simulação das correntezas no Oceano Atlântico. Foto: Ascom/Coppe/UFRJ.

Landau informou que, apesar de muitos núcleos de pesquisa nacionais e internacionais estarem realizando simulações, como é o caso da agência americana NOAA em parceria com a Universidade de Miami, os dados disponíveis e metodologias utilizadas são muito semelhantes, então os resultados provavelmente serão os mesmos. “Infelizmente não temos dados precisos de hora, mas somente do dia no qual o óleo foi observado na praia. Com essas informações, tentamos reproduzir no modelo as condições do oceano no dia de chegada do óleo em cada praia, para então reunir esse grande conjunto de dados e simular os cenários possíveis. Essas simulações estão sendo realizadas por diversos laboratórios nas universidades públicas do Brasil”.

Para Landau, o estudo fornecerá subsídios para as investigações em andamento. “O nosso objetivo é diminuir a provável área de origem no oceano e a janela de tempo estimada na qual o derramamento ocorreu. Estamos em permanente contato com a Marinha do Brasil, e esses dados serão repassadas para eles. Assim, poderemos prosseguir para o próximo passo da investigação, que é confrontar essas estimativas com o rastreamento de embarcações que podem ter sido responsáveis pelo incidente”.

“Esse acidente é um laboratório de pesquisa, pois nunca tivemos nada parecido. Estamos buscando formas de ‘apagar o incêndio’, mas o correto seria que houvesse um sistema de monitoramento permanente em toda a costa brasileira. Isso não é possível com a falta de gestão e planejamento do governo e com as comissões dos planos de contingência sendo desativadas, por exemplo”, criticou o pesquisador.

 

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  • Carolina Lisboa

    Jornalista, bióloga e doutora em Ecologia pela UFRN. Repórter com interesse na cobertura e divulgação científica sobre meio ambiente.

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Comentários 2

  1. josemar diz:

    voce esta dizendo que este oleo é nosso, e que foi derramado de proposito por algum navio, brasileiro ou que esteve aqui, para sabotar o governo?? sendo assim ! a mando de quem fizeram isto?


  2. Florin diz:

    Há 30 anos que eu sei que só a Petrobrás produz este petróleo,que é exportado para os árabes e compra deles o petroleo usado na gazolina O petr. aqui produzido é grosso,essa pasta espessa que o mundo todo vê empastando nossos litorais.Vergonhosa a empresa e o Gov. buscarem bodes expiatórios alhures ao invés de agir de pronto para sanar a lambança. Que nojo desses covardes mentirosos que escondem de todos suas falhas.