Pelicanos visitam a Amazônia

Vandré Fonseca
domingo, 27 janeiro 2019 23:06
O Pelicano perdido no Amazonas. Foto: Enrique Salazar.

Manaus, AM – Um pelicano-pardo (Pelecanus occidentalis) é vigiado com cuidado em Novo Airão, interior do Amazonas, cidade a 180 quilômetros de Manaus. Chegou na semana passada e escolheu uma fábrica de gelo para pousar. E continua por ali, pousado no teto, recebendo peixes de empregados da fábrica. Além de ser um bicho grande (essa espécie pode chegar a 2 metros de envergadura), é um bicho incomum na região, afinal pelicanos são aves marinhas. A vigilância é questão de segurança.

“A gente já tem denúncias de que tem gente querendo levar o bicho pra panela”, afirma o analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Enrique Salazar, que demonstra preocupação com a ave. “Por isso estou pensando em capturá-lo e levá-lo para a nossa base do outro lado do Rio”, completa.

Não é a primeira vez que um pelicano-pardo aparece na Amazônia. No ano passado, uma ave da espécie passou alguns dias no Parque Nacional de Anavilhanas, segundo conta Salazar. “Depois de um tempo, ele saiu voando”, recorda.

Só este ano, é o quarto registro no Amazonas. Um pelicano foi visto em Santo Isabel do Rio Negro (850 quilômetros de Manaus) e dois foram encontrados este ano em Iranduba, a pouco mais de 100 quilômetros de Novo Airão. Estes dois foram capturados e levados para o Centro de Triagem de Animais Silvestres do Ibama (Cetas), em Manaus, onde estão sendo alimentados até que possam ser soltos.

“Eles chegam no intervalo de uma semana de um para outro”, conta o analista ambiental do Ibama, Robson Czaban. “Os dois estavam fracos, bem desnutridos, e a gente está dando uma alimentação reforçada em peixes e pretendemos devolver para a natureza em breve”, completa o servidor do Ibama.

O analista ambiental do Ibama, Robson Czaban. Foto: Ibama.

A espécie ocorre, segundo dados da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, em inglês), no litoral no continente americano, tanto no Atlântico quanto no Pacífico. No Atlântico inclui todo o Caribe, do norte da América do Sul até o estado americano de Nova Jérsei. E no Pacífico, do Peru até a fronteira dos EUA com o Canadá. Às vezes, o bicho é visto em outros lugares.

“Eles descem pela costa da América do Sul, vem descendo pela Venezuela, Guianas e Amapá e costuma ficar só no Amapá”, explica Czaban. “Alguns grupos entram mais para dentro ainda, mas em vez de atravessar a Foz do Amazonas, entram e chegam até aqui em Manaus e tem registro até em Santa Isabel do Rio Negro. E a gente não sabe se eles sobrevivem ou se morrem.”

Os dois animais já receberam anilhas, para que sejam identificados caso sejam novamente capturados. De acordo com Czaban, todos os pelicanos vistos no Amazonas são jovens, que ainda não chegaram a idade adulta, o que leva a supor que tenham se perdido durante a primeira rota migratória. Um adulto, acredita o analista ambiental, talvez não teria se confundido e entrado no Rio Amazonas.

“Pelo tipo de caça que ele faz, visual, em que mergulha lá de cima atrás do peixe, em rios como Solimões, Amazonas, Madeira não oferecem condições de ele se alimentar, porque ele não consegue ver o peixe”, acredita Czaban, que já registrou em fotografias mais de 1.380 espécies de aves. “Talvez seja por isso que esses bichos cheguem aqui muito magros, estão sem se alimentar há muitos dias”, completa.

De acordo com informações do Wikiaves, o pelicano-pardo chegou a beira da extinção na década de 1970, devido ao uso indiscriminado DDT, mas a população da ave se recuperou e continua a crescer. Em 2009, ela foi retirada da lista de espécies ameaçadas da IUCN.

Perdido em Novo Airão, o pelicano-pardo (Pelecanus occidentalis). Foto: Enrique Salazar.
Foto: Enrique Salazar.

 

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3 comentários em “Pelicanos visitam a Amazônia”

  1. Ola me chamo waldir sanches sou do município de Parintins Am e tem um pelicano dessa espécie pardo, creio que ele está bastante debilitado jogamos peixe pra ele mais o mesmo nao come, capturamos ele pq pescadores da regiao queriam atiralo, esta em observação em um puleiro grande aqui na minha casa…
    Obs: nao tem mais IBAMA aqui na cidade…
    Favor entrar em contato pelo fone: (92)99251-1840

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