“Pegue essa grana e refloreste a Alemanha, ok?”, diz Bolsonaro sobre Merkel

“Pegue essa grana e refloreste a Alemanha, ok?”, diz Bolsonaro sobre Merkel

Daniele Bragança 
quarta-feira, 14 agosto 2019 22:58
Jair Bolsonaro e Angela Merkel, durante reunião paralela dos Líderes do G20, no Japão. Foto: Clauber Cleber Caetano/PR.

O presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), reagiu com ironia a notícia sobre o cancelamento de repasses de recursos do governo alemão para projetos de conservação na floresta amazônica. Recentemente, a Alemanha congelou o envio de 155 milhões de reais por causa do aumento do desmatamento na região. Perguntado na noite desta quarta-feira (14) sobre o fim dos repasses, Bolsonaro mandou a Alemanha investir no próprio reflorestamento.

“Eu queria até mandar um recado para a senhora querida Angela Merkel, que suspendeu R$ 80 milhões para a Amazônia. Pegue essa grana e refloreste a Alemanha, ok? Lá está precisando muito mais do que aqui”, disse o presidente Jair Bolsonaro, após dizer que nomeará um novo Procurador-Geral da República (PGR) que não seja xiita na questão ambiental e sobre minorias. O mandato de Raquel Dodge termina no dia 17 de setembro.

A Alemanha é o país Europeu com maior percentual de proteção da própria vegetação, de acordo com dados do Banco Mundial. Possui 38% de seu território em áreas protegidas. Proporcionalmente, o Brasil protege menos, cerca de 29% de seu território.

Discurso nacionalista 

O discurso sobre interferência externa na questão ambiental ganhou força após o governo se voltar contra o Fundo Amazônia, criado há 10 anos para financiar projetos de proteção e combate ao desmatamento na Amazônia Brasileira. Em junho, durante reunião do G20, no Japão, Bolsonaro desafiou o presidente da França, Emmanuel Macron, e à primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel a sobrevoarem um trecho da floresta amazônica. “Se eles encontrarem um quilômetro quadrado de desmatamento entre Boa Vista e Manaus, concordaria com eles (sobre política ambiental)”.

O MapBiomas fez os cálculos e viu que, só este ano, o trecho entre as duas capitais mostra 2,3 mil alertas de desmatamento. A plataforma, rede que envolve universidades, empresas de tecnologia e ONGs na análise de imagens de satélite, fez o passeio virtual usando o Google Earth.

Ao mesmo tempo que o governo brasileiro endurece críticas contra os europeus, anuncia que estuda abrir a mineração em terras indígenas em parceria com os americanos. A pauta é um dos motivos apontados por Bolsonaro para nomear o próprio filho, Eduardo Bolsonaro, para chefiar a embaixada do Brasil em Washington.

 

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12 comentários em ““Pegue essa grana e refloreste a Alemanha, ok?”, diz Bolsonaro sobre Merkel”

  1. Bolsonaro como sempre marcando mais um ponto em defesa da soberania do pais, ppmente ante a Alemanha, que possui mais de 40% de sua matriz energética em carvão sendo o maior emissor de CO2 da Europa, já tendo antecipado que não cumpriram o acordo de 2030 que cinicamente usa para presionar um pais que de 29% de área protegida , possui mais de 65% da vegetação nativa é preservada no Brasil segundo Embrapa. Ou seja, o subjornalismo militante torce a verdade e fabrica motivações contra o próprio pais. Triste o papel desta moça.

    • Não confunda soberania com anti-política ambiental meu caro. Ah, e também não confunda preservação com conservação…acho que você, no alto de sua infinita sabedoria, conhece a diferença entre as duas.

      Seu desprezo por esse "sub"jornalismo "militante" é tão grande e recorrente que fica a pergunta: O que fazes aqui, flavinho? Gostas de sofrer com o que "esta"moça escreve?

      Abraços fraternos,

      • Mas xará, você têm duvidas que as ações de países da UEE, em especial Alemanha, França e Noruega não constituem uma agressão a soberania nacional, mesmo camuflada de discurso ambiental? Você acha mesmo que esta campanha difamatória conduzida por interesses externos claramente dirigida ao agronegócio e objetivando impedir a territorialização da Amazônia brasileira não constitui uma ameaça internacional? Se o Eco não se preocupasse tanto em censurar os posts, poderíamos aprofundar o tema, já que parece que desconhece realmente o que está acontecendo.

  2. Bolsonaro precisa entender que as palavras dele comprometem um acordo com a UE que duraram anos pra ser concretizado.
    Precisa entender que esses deboches são negociações que podem ser perdidas.

    • Bolsonaro entendeu que o Acordo não deve ser uma submissão e que está em posição de força, colocando a UE no seguinte dilema: UE continua a ser desmoralizada e exposta internacionalmente e derruba o acordo em um momento em que a projeção de crescimento da economia da zona do euro oscila entre 1,2% em 2019 e 1,5% em 2020, com consequencias catastróficas para as politicas de bem estar social e perde influência no cone sul, em um momento em que o Brasil abre os mercados e reforça as relações com EUA e China e outros mercados, ou desiste da militância politicamente correta como forma de pressão.
      O que a UE está conseguindo com sucesso é diminuir sua influência econômica e politica no cone sul, ppmente no momento em que a Venezuela se consolida como ditadura e se Kischner vencer, reforçará a falência da Argentina e ao mesmo tempo dará uma sobrevida `s ditaduras do Foro de São Paulo… Tudo isso enquanto a China aumenta sua influência na Asia e Europa através da nova rota da Seda (“Um cinturão, uma rota”), a politica imigração muçulmana começa a se caracterizar como uma bomba demográfica conduzindo diversos paises ao caos, posto que não são absorvidos pela cultura local, mas o contrário e, os EUA começam a por em cheque a liderança de Alemanha e França na OTAN em favor de Polônia e Hungria por exemplo…. Ou seja, UE está sem saber exatamente o que fazer hehehehehe

    • Calma que eu te explico pqno ponei! Territorialização é um conceito básico e bastante amplo da geografia básica e pressupõe uma relação de identidade histórica, cultural, social, econômica, politica, etc conforme a abordagem, caracterizada por uma relação de poder, de dominio por assim dizer, suficiente para identificar o "dono" do espaço geográfico em questão. O espaço geográfico por sua vez result das atividades humanas como agente do processo de construção e transformação das sociedades, sendo identificado primariamente como paisagem.
      No caso da Amazônia, embora transnacional, se consolidou como um paisagem-marca brasileira internacional notadamente por conta da relevância geopolitica nacional destacada desde a ECO 92 para um processo de internacionalização e descaracterização da soberania nacional, hoje atacada como calcanhar de Aquiles e barreiras comerciais ambientais.
      Recomendo fortemente que reveja conceitos básicops de geografia.

    • Nossa, que definição prolixa! Parece algo escrito por um desses acadêmicos de ciências sociais que o pessoal zoa! A melhor parte é:

      "paisagem-marca brasileira internacional"

      Recomendo fortemente que reveja conceitos básicos de sintaxe. Não deu para entender a última parte.

      • Não é prolixa, é que entendi sua dificuldade com conceitos básicos da geografia. Para ficar mais fácil você pode pensar em paisagens marcas como a de Paris com a Torre Eifel, o Rio com o Corcovado, os Moinhos da Holanda e recentemente, o reforço na identificação da Amazonia como "Paisagem-marca" do Brasil e sua utilização como instrumento de pressão politica e econômica.
        O que pode refletir é porque a Amazonia peruana por exemplo não tem a mesma atenção da Noruega e da Alemanha (https://gestion.pe/economia/peru-setimo-pais-mundo-mayor-deforestacion-bosques-primarios-265487-noticia/ ) ou porque a UE não ataca a China e sua influência crescente na Amazonia e florestas tropicais africanas. (dica de leitura: A Amazônia na grande estratégia de política externa da China, em https://www.ibri-rbpi.org/?p=12258)

        Pense que ao sair da Matrix Vermelha vai começar a ver a paisagem geopolitica continental e planetária de uma maneira mais próxima da realidade, a despeito das espirais de silencio e desinformação da extrema imprensa.

  3. "a Amazonia peruana por exemplo não tem a mesma atenção"

    Tem sim. Há uma campanha internacional em curso contra a abertura de estradas no sudeste do Perú. Claro que isso não penetra em certas bolhas paranóicas tupiniquins.

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