Notícias

Organizações se manifestam contra nomeação para Secretaria de Meio Ambiente da Bahia

Carta aberta enviada ao governador questiona a nomeação de Márcia Telles, atual diretora do Inema para ocupar cumulativamente e de forma interina a chefia da pasta

Duda Menegassi ·
31 de maio de 2021

Organizações, coletivos e ativistas socioambientais, junto com pesquisadores se manifestaram contra a nomeação de Márcia Telles, diretora geral do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), para ocupar interinamente o cargo de secretária de Meio Ambiente do Estado da Bahia. O posicionamento foi feito através de carta aberta endereçada ao governador da Bahia, Rui Costa (PT), na última semana. O texto ressalta que a atuação de Márcia Telles, à frente do Inema desde 2012, não demonstra efetivo compromisso com a proteção ambiental, tampouco permite um diálogo aberto com todos os setores da sociedade civil, pré-requisitos esperados para comandar a secretaria. No dia 19 de maio, o governador exonerou o antigo chefe da pasta, o engenheiro agrônomo João Carlos Oliveira da Silva, transferido para chefiar outra pasta, a da Agricultura. No mesmo dia, Márcia Telles foi designada para “cumulativamente, responder pelo expediente da pasta”. Os 93 signatários da carta reforçam a importância de que seja indicado um nome reconhecido pelo segmento socioambiental para chefia da secretaria.

“Ressaltamos que, desde 2012, a Sra. Márcia Telles, não vem demonstrando essas características na condução do INEMA. O modelo de gestão implementado pelo órgão tem sido marcado pela liberação meramente cartorial de licenças ambientais, de autorizações de supressão de vegetação nativa e de outorgas de uso de recursos hídricos; sem monitoramento eficaz na proteção dos biomas estaduais e das unidades de conservação e com atividades limitadas de sensibilização e educação ambiental. A própria Sra. Márcia Telles já ressaltou em evento público, que o INEMA funciona como um cartório, demonstrando total incompreensão do relevante papel que o órgão ambiental estadual deveria exercer na implementação de políticas públicas ambientais. Esse cenário é agravado pela inexistência de iniciativas e proposições normativas específicas, necessárias para a efetividade dos instrumentos aplicados”, apontam na carta aberta ao governador.

O documento destaca as consequências da má gestão ambiental para o estado, que há anos alterna entre a vice e a liderança do desmatamento na Mata Atlântica no Brasil, e que está entre os cinco que mais desmatam o Cerrado. “Além de uma cifra de 800 mil hectares de desmatamento autorizado pelo Estado, entre 2010 e 2020”, alertam os signatários do texto.

Em uma reportagem publicada em março de 2021, ((o))eco expôs a fragilidade da gestão das unidades de conservação (UCs) do estado da Bahia, uma das atribuições do Inema. Na época, das 45 UCs geridas pelo estado, 12 não possuíam gestor e mais da metade não possuía plano de manejo ou conselho instalado.

“A gestão ambiental pública da Bahia, com a participação decisiva da Sra. Márcia Telles, é incompatível com o modelo de transição ecológica, desejável para o enfrentamento da emergência climática que estamos vivendo. Ao contrário, o modelo de gestão ambiental pública adotado pelo governo estadual, nos últimos anos, ‘vem passando a boiada’, especialmente no que tange ao desmatamento (no caso da Bahia, legalizado), a perda de biodiversidade e recursos naturais, falta de transparência, e ampliação de conflitos sociais no campo, resultando no aumento da desigualdade social no estado da Bahia”, completa a carta.

  • Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação e montanhismo. Escreve para ((o))eco desde 2012. Autora do livr...

Leia também

Reportagens
29 de março de 2021

Sem gestor, mais de um quarto das unidades de conservação baianas estão à deriva

Das 45 unidades de conservação do estado, 12 não possuem gestor e mais da metade não possui plano de manejo nem conselho. E há casos de servidores sozinhos responsáveis pela gestão de até três UCs

Reportagens
19 de novembro de 2020

Superintendente do Ibama na Bahia cancela multa milionária de resort na Praia do Forte

A construção tinha sido multada em mais de R$ 7,5 milhões, mas o ato foi cancelado pelo superintendente, acusado de atropelar fases do processo

Salada Verde
15 de março de 2017

Justiça determina que a Bahia volte a realizar licenciamento no campo

Decisão suspende dois decretos que burlavam a legislação federal para atividades agrossilvipastoris. A multa é de R$ 100 mil por dia em caso de descumprimento

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta