Rio nomeia como chefe do combate a crimes ambientais policial que responde por morte de Cláudia Ferreira

Daniele Bragança 
terça-feira, 17 novembro 2020 20:36
O governador em exercício do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, promove mudanças na Secretaria do Ambiente. Foto: Eliane Carvalho/Governo do RJ.

O governador em exercício do estado do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC), nomeou nesta terça-feira (17) o policial militar Rodrigo Medeiros Boaventura como novo superintendente de Combate aos Crimes Ambientais da Secretaria Estadual de Ambiente e Sustentabilidade (Seas). O capitão exercia o cargo de coordenador de logística e apoio aéreo na mesma superintendência, há 22 dias.

Desde o afastamento de Wilson Witzel, a Secretaria do Estado de Ambiente e Sustentabilidade (Seas) passa por uma troca de comando. No começo de outubro, o deputado estadual Thiago Pampolha (PDT) assumiu a chefia da pasta, no lugar de Altineu Côrtes, que voltou a ocupar seu cargo como deputado federal (PL-RJ). As mudanças fazem parte do movimento do governador em exercício para recuperar a base parlamentar perdida por Wilson Witzel. No entanto, o histórico do novo ocupante chamou atenção: ele responde a um processo por homicídio em um dos crimes mais famosos da capital.  

Em 2014, o então tenente Boaventura comandou uma operação no Morro da Congonha, em Madureira, que resultou na morte da auxiliar de serviços gerais Cláudia Silva Ferreira. Ela ia à padaria quando foi baleada com dois tiros, um no pescoço e outro nas costas. Alegando socorro, três policiais – os subtenentes Adir Serrano Machado e Rodney Archanjo, e o sargento Alex Sandro da Silva Alves a colocaram no porta-malas da viatura que, durante o trajeto, se abriu. O corpo de Cláudia ficou preso ao carro pelas roupas que usava e foi arrastado por cerca 350 metros até a viatura parar. Os policiais saíram do carro, tiraram o corpo do chão, colocaram de novo no porta-malas, e seguiram até o Hospital Carlos Chagas. Um cinegrafista amador filmou os policiais e o caso ganhou repercussão. 

Nenhum dos policiais militares envolvidos na morte de Cláudia foi punido, criminal ou administrativamente, até agora. O processo se arrasta na 3ª Vara Criminal da capital. Em seis anos, apenas uma audiência foi realizada sobre o caso, em 2019. 

Respondem pela morte de Cláudia o capitão Boaventura, que comandou a operação, acusado de homicídio simples, e os policiais Zaqueu de Jesus Pereira Bueno, Adir Serrano, Rodney Archanjo, Alex Sandro da Silva e Gustavo Ribeiro Meirelles. Serrano e Archanjo estão reformados. Os demais seguem trabalhando na corporação ou cedidos ao governo do estado.

 

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