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Nova espécie de ave é descoberta em Alagoas e já está ameaçada de extinção

População da ave, batizada de surucuá-de-murici, é de cerca de 180 indivíduos. Pesquisadores também promoveram ampla revisão dos surucuás-de-barriga-amarela

Cristiane Prizibisczki ·
17 de março de 2021
Paisagem da Estação Ecológica de Murici (AL), um dos maiores remanescentes da Floresta Atlântica do Centro de Endemismo Pernambuco. Foto: Hermínio Vilela.

Uma nova espécie de surucuá, ave da família Trogonidae, acaba de ser descrita. Descoberta nos remanescentes de Mata Atlântica do Estado de Alagoas, a espécie ocorre em uma área restrita na Estação Ecológica (ESEC) de Murici e conta com poucos indivíduos, por isso, foi considerada pelos cientistas como “criticamente ameaçada”. O artigo que descreve a espécie foi publicado no último dia 6, no Zoological Journal of the Linnean Society.

A nova espécie foi batizada de surucuá-de-murici (Trogon muriciensis), em homenagem à sua área de ocorrência. Ele se distingue de qualquer outra espécie do gênero pelo tamanho – é um pouco menor –, pela coloração da plumagem e pelo barramento da cauda, que segue um padrão de listras. Além disso, foram encontradas diferenças no canto e em caracteres genéticos. Todas estas características foram identificadas em exemplares machos. A fêmea ainda não é conhecida.

“Esta é uma espécie nova e ainda desconhecida da ciência”, explica o ornitólogo Luís Fábio Silveira, curador do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) e um dos autores do estudo.

Segundo ele, durante os trabalhos de campo foram detectadas apenas 20 aves, em uma área isolada, e a estimativa dos pesquisadores é que a população não ultrapasse 90 casais. Em museus, há somente dois exemplares depositados. 

Ilustração do Trogon muriciensis (MZUSP 112768) descoberto na Estação Ecológica de Murici, Alagoas. Ilustrado por Eduardo Brettas.

Por estas características, a nova espécie já corre perigo de extinção e “exige urgentes ações de conservação”, alertam os pesquisadores no estudo.

“A ESEC de Murici tem um altíssimo grau de endemismo. Ela foi criada justamente pelo elevado número de espécies endêmicas e aves ameaçadas de extinção. Atualmente, são conhecidas mais de 40 espécies que ocorrem no Centro de Endemismo Pernambuco e estão nesta categoria”, diz Marco Antonio de Freitas, analista ambiental e chefe da Estação Ecológica de Murici.

“O surucuá-de-murici é um pássaro candidato a virar a espécie símbolo da Estação Ecológica, não só pela beleza, mas pelo significado da sua descoberta e seu status de conversação, o que aumenta ainda mais a responsabilidade do ICMbio de finalizar a indenização da área em que será construída a sede da ESEC, para que possamos aumentar a proteção efetiva, a presença física, dentro da unidade”, complementa Freitas.

Revisão taxonômica

O trabalho que levou à descoberta da nova espécie em Alagoas também promoveu uma ampla revisão taxonômica dos surucuás-de-barriga-amarela (Trogon rufus), grupo bastante complexo – já que muitas variações de plumagem receberam nomes, dividindo-o em subespécies ou espécies – e cuja distribuição é bastante ampla pelas florestas da América do Sul e Central.

Antes da revisão, eram consideradas seis subespécies para este surucuá: Trogon rufus rufus, Trogon rufus tenellus, Trogon rufus cupreicauda, Trogon rufus sulphureus, Trogon rufus amazonicus e Trogon rufus chrysochloros, que ocorrem desde o sul da Guatemala até o norte do Uruguai e nordeste da Argentina.

Em 2019, pesquisadores de diferentes partes do globo começaram a se debruçar sobre este grupo de aves, levando à reclassificação de três das subespécies, que passaram a ser consideradas espécies à parte.

Para que esta revisão fosse feita, foram avaliadas 906 peles, depositadas em vários museus do mundo. A análise valeu-se de dados detalhados de coloração – possíveis de serem captados a partir do uso de um espectofotômetro – medidas de bico, asa e cauda, além de outros aspectos morfológicos. 

“Também usamos dados de vocalização e dados genéticos para entender a natureza da variação por toda a distribuição geográfica, e como ela pode ser traduzida na forma da definição das espécies válidas”, diz Silveira.

Segundo os pesquisadores, ao longo da bacia amazônica brasileira existem três áreas de intergradação – quando duas subespécies distintas ocorrem em áreas onde suas populações têm as características de ambas – entre as subespécies dos táxons sulphureus, rufus e amazonicus, que cruzam entre si e que foram mantidas com esta classificação taxonômica. 

Já os táxons tenellus e cupreicauda, que ocorrem no norte da América do Sul e América Central, e chrysochloros, endêmico do bioma Mata Atlântica, são muito distintos de suas subespécies da bacia amazônica, tendo sido considerados espécies distintas. 

Desta forma, com a revisão, além do Surucuá-de-Murici (T. muriciensis), a Mata Atlântica também ganhou uma segunda espécie endêmica do bioma, o Trogon chrysochloros, ainda não batizado com nome popular no Brasil. 

“Isso demonstra o quão importante e relevantes são as coleções biológicas, que são a base material para estudos mais refinados. Além disso, trabalhos de campo e de laboratório, onde dados genéticos e das vocalizações podem ser obtidos e estudados, permitem que o nosso conhecimento sobre a diversidade, expresso em revisões taxonômicas, seja muito mais preciso hoje em dia”, complementa Luis Fábio Silveira. 

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  • Cristiane Prizibisczki

    Cristiane Prizibisczki

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Comentários 30

  1. AvatarMarcel Marlia sp diz:

    Glorifiquem o que foi achado ,encontrado ,apareceu não importa é mais uma espécie aparecendo para quem gosta da natureza amém


  2. AvatarAlexandre diz:

    Doideira na canastra tem igual


    1. AvatarJeremy diz:

      A população de Alagoas`(Trogon muriciensis) é distincto da população no restante da mata atlantica no sul do pais (incluindo canastra), que tambem fui elevado para o nivel de espécie, o Trogon chrysochloros, nessa mesmo trabalho, antes ere só uma subespécie do Trogon rufus, que agora é o nome para a população amazônica.


  3. AvatarMarcelo diz:

    Um único dia em que o Ornitólogo resolve sair do museu e ao ver a primeira ave viva, já a declara espécie nova, rara e em extinção. Tudo só mesmo tempo!🤣
    Viva o Brasil!!!


    1. AvatarJeremy diz:

      Passo muito tempo no mato, obrigado.


    2. AvatarRenato diz:

      Caro retardado: o pesquisador estudou muito para elaborar uma pesquisa dessas e tirar essas conclusões, agora para um débil mental formado pelas Faculdades Whatsapp e pós graduado pelo Instituto Mamadeira de Piroca deve ser muito difícil mesmo entender isso.


  4. AvatarValdecir Pinow diz:

    Aqui no oeste de Santa Catarina também tem esse surucuá..
    Já observei várias vezes na mata..


    1. AvatarJeremy diz:

      A população de Alagoas`(Trogon muriciensis) é distincto da população no restante da mata atlantica no sul do pais, que tambem fui elevado para o nivel de espécie, o Trogon chrysochloros, nessa mesmo trabalho, antes ere só uma subespécie do Trogon rufus, que agora é o nome para a população amazônica.


  5. AvatarAdaiton diz:

    Sou do Maranhão e moro na roça, e onde moro tem muito dessas aves Aki na mata.


    1. AvatarJoao diz:

    2. AvatarJose carlos diz:

      Pesquisador brasileiro é assim mesmo , deve ser porque a ave é predominante verde, se fosse vermalha talves facilitaria o trabalho.


    3. AvatarJeremyh diz:

      A espécie de Alagoas (Trogon muriciensis) é distincto da espécie da amazônia (Trogon rufus) e da mata atlântica (Trogon chrysochloros), esses outros dois fui elevado para espécie nesse mesmo trabalho.


  6. AvatarJorge diz:

    Se é uma nova espécie, que só agora conseguiu ser vista então como podem afirmar que existem poucas, visto que sequer a conheciam????


    1. AvatarJeremy diz:

      Oi Jorge. Só é conhecido da Est. Ecol. de Murici, uma area de 30 km2 (não fui encontrado em nenhum outro remanescente de mata na area), e com uma densidade populacional estimada de 3 pares por km2 (o valor conhecido por o Trogon rufus, uma espécie bem proximo relacionado), dá um total de 90 pares. A verdade é que é muito improvável que a população seja tão alto porque nem todo o habitat será adequado e só fui detectado 20 indivíduos…


  7. AvatarMarcos diz:

    Aqui em Minas está cheio agora mesmo tem cinco delas debaixo da minha janela


  8. AvatarRmulo Ruas diz:

    O homem é que deveria estar em extinção, para parar de fazer mal a natureza.


    1. AvatarZombador diz:

      E tu ne humano não besta fera


  9. AvatarGunter diz:

    Apenas descubriram e já está em extinção. Kkkk
    Quais os parâmetros que se usa pra saber se está em extinção se acabam de conhecer. Kkk
    Me poupe.


    1. AvatarJorge diz:

      E pelos comentários essa ave já é conhecida faz tempo e não está nem perto da extinção


    2. AvatarCesar diz:

      Concordo aqui na região metropolitana de Curitiba, em Campo Magro PR também tem essas aves, e conheço elas desde quando criança hoje estou com 33 anos, esses senhores pesquisadores estão bem desinformados, quanto a espécie.


      1. Avatarrafael isaacs diz:

        Vc nao leu o artigo inteiro.


  10. AvatarEalmor diz:

    Aqui na região do vale do Itajaí também tem essas aves surucuá do peito amarelo e vermelho, aves belas e o canto bonito.


  11. AvatarWagner diz:

    Olá, sou Wagner, aqui n minha região onde moro,igrejinha.RS
    Tem dessa ave,Surucua do peito amarelo e vermelho.região está,perto da serra gaúcha.


  12. AvatarEdson diz:

  13. AvatarMichel diz:

    Muito interessante. Graças a Deus que ainda existem espécimes vivos!!!!!


  14. AvatarJohn diz:

    É somente uma ave que foi trazida de seu habitat no Sul do Brasil para Alagoas


  15. AvatarAndrei diz:

    Esa ave tem em qualquer lugar aqui no sul do pais so agora foram descobri a especie


    1. AvatarRenato diz:

      Caro retardado: é uma espécie diferente da qual você acha que vê, não consegue diferenciar um papagaio de um pardal e quer opinar sobre uma pesquisa científica séria.


  16. AvatarArlen diz:

    Vi uma ave destas aqui em Minas outro dia.


  17. AvatarNoemi diz: