Mudanças climáticas e fogo no Pantanal são destaque no Vozes do Planeta

Marcos Furtado
segunda-feira, 12 outubro 2020 15:47
A intensidade das queimadas no Pantanal está relacionada com as mudanças climáticas. Foto: Iberê Périssé/Projeto Solos

As crescentes alterações de temperatura e o trabalho de contenção das queimadas no Pantanal foram os assuntos discutidos na edição nº153 do podcast Vozes do Planeta, que foi ao ar na sexta-feira (9), comandado pela jornalista Paulina Chamorro. Durante o programa, Paulina conversou com o professor e especialista em mudanças climáticas, Paulo Artaxo, sobre o aumento da temperatura, a variação do padrão de chuva e o que pode ser feito para reverter essa situação. A edição contou ainda com a presença do fotógrafo João Velozo, que falou sobre a produção da primeira audiorreportagem de ((o)) eco, que trouxe as histórias dos profissionais e voluntários no combate às queimadas no Pantanal.

Setembro foi o mês mais quente da história no mundo, de acordo com dados do Programa Copernicus, da Agência Espacial Europeia. “As mudanças climáticas deixaram de ser uma coisa do futuro e são absolutamente do presente. Estão com a gente aqui o tempo inteiro”, afirmou Paulo Artaxo durante a sua participação no podcast. “Nós tivemos recorde de temperatura: 43°C em Cuiabá e 45° no norte do Mato Grosso”, lembrou. Ele ainda destacou que as ondas de calor que acontecem na Califórnia (o estado norte-americano registrou 51ºC em agosto) “agora chegaram no Brasil”.

Além do aumento da temperatura, o especialista apontou que as mudanças no clima contribuem para a alteração no tempo e na distribuição geográfica das chuvas e para uma maior frequência de eventos extremos, como enchentes, secas e furacões. A crescente dos temporais na cidade de São Paulo é um dos principais exemplos desse fenômeno no Brasil. “Ao invés de chover devagarinho ao longo de três, quatro ou cinco dias, cai aquele pé d’água que causa inundações, escorregamento de terras em encostas e um prejuízo social enorme para a população de baixa renda”, explicou.

Assinado em 2015, o Acordo de Paris firmou o compromisso de 195 países para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e com isso frear o aquecimento do planeta em menos de 2°C em relação aos níveis pré-industriais. No entanto, Paulo disse que mesmo se todos os países seguirem os planos voluntários da iniciativa “o planeta estará numa rota de aquecimento de 3,3°C. Até agora o planeta já aqueceu em 1,2°C, que pode parecer pouco, mas isso é uma média global. Em algumas regiões do nordeste, a gente observa um aumento da ordem de 2,5°C”.

Linha de frente na defesa do Pantanal

O assunto climático também está relacionado com a pauta dos incêndios no Pantanal, tema da primeira audiorreportagem de ((o))eco, publicada na última semana (confira aqui). O clima extremamente seco que favoreceu os maiores incêndios já registrados no bioma, foi o pano de fundo para matéria produzida por João Velozo me áudio, que conta a história dos profissionais e voluntários que têm trabalhado para combater as queimadas e resgatar os animais atingidos pelas chamas na região.

Jacaré morto pelo incêndio no Pantanal. Foto: Iberê Périssé/Projeto Solos

“O fogo não escolhe quem vai destruir. Ele só destrói. Dentro desse caminho do fogo, quem são as pessoas que estão se colocando ali na frente dele? Quem são as pessoas que estão fazendo uma grande corrente humana entre as chamas e a natureza? Em busca dessa resposta, a gente fez essa reportagem”, explicou João Velozo, autor e editor da audiorreportagem.

Como a pandemia impediu que ele fizesse a apuração da matéria no local, João disse que o fio condutor da narrativa foram os relatos dos personagens. Bombeiros, brigadistas, cientistas, moradores e voluntários contam por meio de áudios enviados ao jornalista suas impressões e experiências para tentar preservar a rica biodiversidade da maior planície alagada do mundo. Além disso, os entrevistados gravaram momentos da rotina de trabalho no Pantanal para fazer o ouvinte da reportagem se sentir mais próxima da situação.

“Então a gente vai ter o som de monitor veterinário tocando no fundo enquanto elas estão resgatando uma lontra. Você vai ter o som dos aviões jogando água. Você vai ter os sons das voluntárias levando comida e fazendo ilhas de alimentação dentro do parque”, contou.

Confira aqui na íntegra a última edição do podcast Vozes do Planeta:

*((o))eco é parceiro do podcast Vozes do Planeta e faz participações regulares no programa

 

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