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Manchas de óleo atingem Delta do Parnaíba, entre Piauí e Maranhão

Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA) estima cerca de uma tonelada de óleo na região e há possibilidade de que a mancha chegue ao rio Parnaíba, que abastece parte dos moradores locais

Carolina Lisboa ·
19 de novembro de 2019 · 2 anos atrás
Encontradas manchas em praias no Delta do Parnaíba. Foto: Divulgação/Marinha.

As manchas de óleo que atingem o Nordeste apareceram na região do Delta do rio Parnaíba, entre os estados do Piauí e Maranhão. A região é extremamente sensível, pois é formada por um conjunto de 70 ilhas e praias com mangues, igarapés e dunas, e recebe cerca de 100 mil turistas por ano. Na região há duas Unidades de Conservação federais, a Área de Proteção Ambiental Delta do Parnaíba e a Reserva Extrativista Marinha do Delta do Parnaíba. A principal preocupação é evitar que as manchas cheguem ao rio Parnaíba, que abastece parte dos moradores da região.

Nesta segunda-feira (18) o Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA) formado pela Marinha do Brasil (MB), Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou, por meio de nota, que o Navio-Patrulha “Guanabara” encontra-se na região do Delta do Parnaíba para “reforçar as ações de busca e recolhimento de resíduos oleosos no mar” e que, desde o reaparecimento do óleo, observado na última quinta-feira (14), “foram recolhidas cerca de uma tonelada de resíduos”. A previsão da Marinha é que, até essa terça-feira (19) sejam monitorados 66 km de costa.

A Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado do Piauí (Semar), órgão responsável pela balneabilidade das praias do Piauí, emitiu um comunicado no sábado (16) alertando que, devido ao aparecimento de manchas de óleo na sexta (15) nas praias de Peito de Moça, em Luís Correia, e Pedra do Sal, no município de Parnaíba, e na quinta (14) na praia de Atalaia, em Luís Correia, toda a orla dessas praias estão impróprias para banho.

Navio ‘Guanabara’ realiza busca e recolhimento de óleo no litoral do Piauí. Foto: Dilvugação/Marinha.

De acordo com o Ibama, até o dia 18 foram contabilizados 116 municípios e 651 localidades afetados pelo óleo, em dez estados. Foram coletados aproximadamente 4.500 toneladas de resíduos de óleo, que incluem óleo, areia, lonas e outros materiais utilizados para a coleta. Foram encontrados 141 animais oleados, sendo 100 mortos e 41 vivos.

APA e Resex do Delta do Parnaíba

A APA Delta do Parnaíba, criada em agosto de 1996, possui 307.590,51 hectares e abrange dez municípios nos estados do Piauí, Maranhão e Ceará. Na área há o registro de espécies ameaçadas de extinção como o macaco guariba ou capelão (Alouatta belzebul ululata) e o peixe-serra (Pristis pectinata), além de uma importante população de peixes-boi (Trichechus manatus), observada com frequência no interior do estuário e entre as praias do Peito de Moça, em Luís Correia, e a da Itã, em Cajueiro da Praia, a depender da época do ano.

Dentro dos limites da APA está a Resex Marinha do Delta do Parnaíba, com 27.022,07 hectares e criada em novembro de 2000, que abriga populações tradicionais que vivem da pesca, da cata do caranguejo e do artesanato, sendo esta última atividade bastante desenvolvida na região.

 

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  • Carolina Lisboa

    Jornalista, bióloga e doutora em Ecologia pela UFRN. Repórter com interesse na cobertura e divulgação científica sobre meio ambiente.

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