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Inventário indica aumento de 40% nas emissões no Rio de Janeiro

Estudo feito pelo Centro Clima aponta aumento no período entre 2005 e 2015, que chegou a 93 milhões de toneladas de gases de efeito estufa

Duda Menegassi ·
11 de junho de 2017 · 4 anos atrás
Usina Térmica de Energia (UTE) da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro (RJ). Uso de hidrelétricas fez emissão do setor de energia disparar. Foto: PAC/2014.
Usina Térmica de Energia (UTE) da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro (RJ). Uso de hidrelétricas fez emissão do setor de energia disparar. Foto: PAC/2014.

Na última quinta-feira (8), a equipe do Centro Clima (COPPE/UFRJ), em parceria com a Secretaria de Estado do Ambiente, divulgou os resultados do 3º Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE). O documento, que compõe uma sequência histórica de medições iniciadas em 2005, revelou que houve um aumento de 40% nas emissões de gás carbônico equivalente entre 2005 e 2015. Apenas no período de 2010 a 2015, esse aumento foi de 23%. O número é superior à porcentagem de crescimento da população e do PIB (Produto Interno Bruto) no estado. Os dados apontam na direção contrária ao que espera o Plano Estadual sobre Mudanças Climáticas, que prevê uma intensidade de carbono do PIB em 2030 inferior a 2005.

Entre as boas notícias, o setor de resíduos sólidos urbanos logrou uma redução de mais de 40%, uma consequência da Política Estatal de Resíduos Sólidos, lançada em 2014. Entretanto, os esgotos urbanos aumentaram sua participação nas emissões do estado (21,1% de 2010 para 2015), o que prova que ainda há muito a avançar em saneamento. Como apontou o coordenador da COPPE, Emilio Lèbre, responsável pela produção do inventário, “os nossos níveis de coleta e tratamento adequado de esgoto são muito baixos. E onde se trata o esgoto, não está sendo capturado o gás. É preciso criar metas e uma agenda com a CEDAE ou com outras empresas que venham a ser criadas nessa área para o saneamento de efluentes líquidos”.

Uso do solo: a queda do desmatamento e a importância da cobertura florestal

A queda do desmatamento e as remoções de carbono associadas à serviços florestais foram outro ponto de destaque no relatório. Somente as áreas protegidas do estado foram responsáveis pela remoção de 567 milhões de toneladas de gases do efeito estufa. Lèbre acredita que esse sequestro das emissões pela vegetação poderia ser acelerado com iniciativas como a aplicação do Plano de Recuperação Ambiental, através do Cadastro Ambiental Rural (CAR). A iniciativa “faria com que os produtores rurais regenerem a vegetação nativa em áreas de preservação permanente (APPs) ou em Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) em suas propriedades”, explica o coordenador.

O pesquisar Emilio Lèbre La Rovere, do COPPE/UFRJ, apresenta o inventário com as emissões de gases de efeito estufa do Rio de Janeiro. Divulgação: Coppe/UFRJ.
O pesquisar Emilio Lèbre La Rovere, do COPPE/UFRJ, apresenta o inventário com as emissões de gases de efeito estufa do Rio de Janeiro. Divulgação: Coppe/UFRJ.

Além disso, o pesquisador lembra também do potencial do estado para exploração de pinus e eucalipto, em regiões degradadas pela agricultura e pela pecuária, no norte e noroeste do Rio de Janeiro. Segundo ele, “houve um zoneamento recente feito pelo governo do estado sobre onde é viável ecologicamente e economicamente plantar eucalipto e pinus. E hoje existem tecnologias que permitem o manejo de talhões limitados, intercalados com floresta nativa, que estimulam a biodiversidade. Não é mais aquela velha visão negativa do eucaliptal”.

De acordo com os dados do inventário, referente a 2015, 52% do território do estado são cobertos por pastagens e pouco mais de 30% equivale a áreas com cobertura florestal. A agricultura ocupa pouco menos de 5% das terras fluminenses. As atividades pecuárias responderam por quase 4 milhões de toneladas de emissões de GEE, enquanto a agricultura foi responsável por pouco menos de 1 milhão.

Crise hídrica e o aumento das emissões no setor de energia

A crise hídrica, que impactou diretamente os grandes centros urbanos do centro-sul, e obrigou as termoelétricas a funcionarem à plenos vapores pode ser uma das responsáveis pelo aumento de quase 40% nas emissões do setor. Em 2015, foram emitidos 70.203 milhões de toneladas de gás carbônico equivalentes na atmosfera distribuídos entre diversos usos de combustível, da indústria aos transportes. Soluções como o uso de fontes limpas e renováveis, como a eólica e a solar, foram sugeridas durante a apresentação, assim como investir na maior eficiência energética dentro das indústrias.

O estudo foi elaborado a partir de uma parceria entre a Secretaria de Estado do Ambiente, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), o Centro Clima (Coppe) e a Fundação Coordenação de Projetos, Pesquisas e Estudos Tecnológicos (Coppetec) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). De acordo com a equipe do Coppe, o relatório final estará pronto e disponível online para consultas no final de junho.

 

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  • Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação e montanhismo. Escreve para ((o))eco desde 2012. Autora do livr...

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