Incêndio e descaso destroem o maior acervo científico do país

Daniele Bragança
segunda-feira, 3 setembro 2018 0:29
Museu Nacional em chamas. Foto: Tânia Rego/Agência Brasil.

O esqueleto do dinoprata (Maxakalisaurus topai), o primeiro dinossauro de grande porte já montado no Brasil, provavelmente não existe mais. Nem o crânio de Luzia, um dos maiores tesouros da arqueologia brasileira, tem chances de sobreviver às chamas que atingiram o Museu Nacional na noite deste domingo (2), em São Cristóvão, Rio de Janeiro. No ano do bicentenário da instituição científica mais antiga do país, fundada por D. João VI, o museu vira cinzas diante de uma plateia perplexa que se aglomerou para ver de perto o desfecho de mais uma tragédia anunciada.

Até as pedras do calçadão de Copacabana sabiam que o casarão que abrigou a família real era mais vulnerável que a fachada imponente deixava transparecer. A penúria orçamentária era uma realidade constante e que atravessou governos. Os remendos na parte elétrica era de conhecimento de todo visitante com olhar mais atento. De omissão a omissão, de negligência a negligência, o país perdeu para as chamas uma parte considerável da sua história natural e cultural esta noite.

Fachada do prédio em junho. foto: Divulgação/Coral Vivo.

As chamas começaram por volta de 19h30. Já estava fechado para visitação e havia 4 vigilantes no prédio, para tomar conta de um casarão de 13 mil metros quadrados. Eles conseguiram sair sem ferimentos. As chamas logo se espalharam pela estrutura, quase toda de madeira. Ainda não se sabe o que provocou o incêndio.

“Não vai sobrar absolutamente nada do Museu Nacional”, afirmou Luiz Fernando Dias Duarte, vice-diretor do Museu Nacional, em entrevista à GloboNews.

O Museu Nacional havia fechado um acordo de 21 milhões com o BNDES para revitalizar o prédio e o acervo em junho. O dinheiro não chegou  a tempo de evitar a tragédia.

No final da noite, autoridades soltaram nota lamentando o ocorrido. O Ministério da Educação chegou a se pronunciar dizendo que “não medirá esforços para auxiliar a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)”, que mantém o Museu, “no que for necessário para a recuperação desse nosso patrimônio histórico”. Resta saber como.

Veja o que a chama consumiu essa noite (clique na galeria):

 

 

 

 

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