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Tamar irá monitorar como a lama tóxica afeta as tartarugas. Foto: Outras Palavras.

Tamar irá monitorar como a lama tóxica afeta as tartarugas. Foto: Outras Palavras.

Pescadores e moradores tradicionais vão ser mobilizados, para encontrar e acompanhar fêmeas, ninhos e filhotes de tartarugas marinhas no litoral do Espírito Santo. O contrato para o estudo foi assinado esta semana entre a Fundação Pró-Tamar e a Fundação Renova, responsável por restaurar os danos provocados pelo rompimento da barragem do Fundão.

O monitoramento vai avaliar os possíveis impactos sobre os animais provocados pela lama despejada pela Samarco no Rio Doce e orientar ações de reparação e compensação. Entre os aspectos a serem avaliados estão a reprodução e alimentação das tartarugas. “O monitoramento vai durar 5 anos, em 156 quilômetros de praias, de Aracruz a Conceição da Barra”, conta a bióloga Andréia Azevedo, diretora de Desenvolvimento Institucional da Fundação.

Os primeiros resultados devem ser apresentados dentro de seis meses. O levantamento será realizado ao longo de todo o ano, dia e noite, mas reforçado entre setembro e março, período de desova das tartarugas. A expectativa da Fundação Renova é que, além de apresentar informações sobre a conservação das tartarugas, seja fonte de emprego e renda para a população da região.

IUCN

A IUCN desempenhará o papel de estabelecer uma nova referência para a recuperação do rio, totalmente destruído pela lama. Acima, foto aérea feita em julho de 2016, sete meses após a tragédia. Foto: Felipe Werneck - Ascom/Ibama.

A IUCN desempenhará o papel de estabelecer uma nova referência para a recuperação do rio, totalmente destruído pela lama. Acima, foto aérea feita em julho de 2016, sete meses após a tragédia. Foto: Felipe Werneck - Ascom/Ibama.

A Fundação já havia anunciado no início do mês uma parceria com a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, em inglês), que vai liderar o Painel Independente de Assessoramento Científico e Técnico (Istap, em inglês).  A missão do Painel é acompanhar as ações de recuperação na região do Rio Doce pelos próximos cinco anos. A presidente do WWF Internacional, Yolanda Kakabadse, será coordenadora do o trabalho.

A composição do Painel Rio Doce, a agenda, as conclusões e as recomendações do  Painel Rio Doce serão públicas e divulgadas periodicamente. Elas podem ser encontradas em uma página da internet. O Painel será formado por mais seis membros, escolhidos por meio de edital público. A atuação será dividida inicialmente em seis eixos temáticos: vida terrestre, marinha e ribeirinha; estratégia, toxicologia; impactos sobre ecossistemas, remediação dos ecossistemas; gestão de água, resíduos e rejeitos; e práticas sustentáveis.

 

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