ICMBio perde 6 das 11 coordenações regionais

Fernanda Wenzel
quarta-feira, 12 fevereiro 2020 21:54
Decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro mudou a estrutura do órgão que cuida das unidades de conservação. Foto: Carolina Antunes/PR.

Com uma canetada, o presidente Jair Bolsonaro extinguiu seis das onze coordenações regionais do ICMBio. As cinco que sobraram passam a ser chamadas de Gerências Regionais. A medida foi tomada por um decreto publicado nesta quarta-feira (12) no Diário Oficial da União.

As onze coordenações regionais ficavam nos estados de Roraima, Amazonas, Pará (com duas unidades), Paraíba, Acre, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Goiânia e Minas Gerais. O decreto não informa quais unidades serão fechadas e quais serão mantidas.

Denis Rivas, presidente da Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente (Ascema Nacional), afirma que a decisão foi tomada sem nenhuma participação dos servidores:  “É um desenho feito por pessoas inexperientes e que não conhecem a realidade do ICMBio, a missão e a complexidade de uma coordenação regional”.

Entre as atribuições das coordenações regionais estavam o apoio técnico e jurídico às Unidades de Conservação (UCs), promoção de cursos de formação e julgamento dos autos de infração. “Não dá para imaginar que as cinco unidades que sobraram vão dar conta do que 11 faziam antes”, diz Rivas. A Ascema divulgou uma nota em que alerta que o decreto traz prejuízos significativos à estrutura de funcionamento do Instituto.

Mudanças nas chefias de unidades de conservação

O decreto também afeta as chefias da unidades de conservação, que passaram de 204 para 182 cargos. Ainda não se sabe o que vai acontecer com as 22 unidades de conservação que tiveram as chefias extintas. Provavelmente essas unidades serão agrupadas nos chamados Núcleo de Gestão Integrada (NGI), onde mais de uma unidade, normalmente próximas, são geridas pela mesma equipe.

Além do número de chefias, aquelas reservadas para serem ocupadas apenas por funcionários de carreira passou de 104 para 46 cargos, enquanto o restante das vagas, 130, poderão ser ocupadas por qualquer pessoa, basta o governo nomear.

“Só saberemos do cenário quando o decreto entrar em vigor, em maio. Neste momento, não sabemos como vai funcionar”, explica Angela Kuczach, diretora da Rede Pró-Unidades de Conservação.

 

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24 comentários em “ICMBio perde 6 das 11 coordenações regionais”

  1. 5 diretórios do PT fechados. Essas Coordenações Regionais nunca funcionaram. Só existiam para fazer política partidária e beneficiar poucos servidores e algumas UC's privilegiadas.

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    • Isso Idiota Alves, digo, José. Obviamente você consegue toda a realidade dos departamentos públicos brasileiros, e sabe dos planos secretos da Ursal para ajudar Pink e o Cérebro para dominar o mundo, bwa ha ha!

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    • Corretíssimo!! Estive em muitas delas, por muitos anos! Muuuuita gente a toa, ou de licença pra tudo e Parques nas mãos de terceirizados. Isso tudo depois que veio a divisão do IBAMA. TUDO PIOROU! Inclusive o comprometimento dos servidores!

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    • Ninguém está falando de PT estamos falando de retorcesse perigoso do Brasil. Ou você defende o Brasil ou defende ações de desmonte do mesmo. E mais fácil terminar do que trabalhar e ter responsabilidade. Escolha o lado. Ou trabalha ou clica no desmonte colocando amigos para os cargos, antes obtidos por mérito agora na política. Não foi isso que você combateu no PT. Agora apoia?

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  2. O que não se fala na mídia são as implicações financeiras disso também. Esse governo que diz estar preocupado com cortes de gastos, ao colocar DAS em lugar onde antes haviam as FCPEs (Funções Comissionadas do Poder Executivo – privativas de servidores públicos ocupantes de cargo efetivo na administração direta, autárquica e fundacional de qualquer dos Poderes da União) criam despesas muito maiores para o governo!
    Então, além de colocar os amigos, apadrinhados e pessoas despreparadas com interesses escusos, o governo ainda vai gastar mais com eles que com servidores nos cargos!!!

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  3. “É um desenho feito por pessoas inexperientes e que não conhecem a realidade do ICMBio, a missão e a complexidade de uma coordenação regional”. Estás a falar do ICMBio????
    Vai tarde…

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  4. O nível de comentários descerebrados no O Eco está espantoso… Parece que os bolsominions descobriram que O Eco tem muitas figurinhas nos textos e assim entrou na pauta das milícias digitais…

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    • Me questiono quanto a honestidade intelectual desses seres, como Vossa Senhoria, que se julgam puros e perfeitos, porém quando confrontados com a realidade não conseguem justificar como chegamos ao caos atual. Em que governo o Ibama foi desmontado? Que governo criou um órgão para gestão das UC's, porém nunca efetivamente investiu nele e o deixou sob gestão de apaniguados políticos por quase 10 anos? Que governo transferiu a responsabilidade da gestão florestal em 2006 para os Estados, sem estes terem a mínima estrutura e organização para tal? Que governo criou a LC 140/2011 reduzindo a competência fiscalizatória da União? Que governo construiu Belo Monte, Jirau e Santo Antônio vilipendiado indígenas, ignorando as comunidades tradicionais e levando o colapso social e econômico para essas regiões? Em que governo ocorreu a tragédia de Mariana? Bolsonaro, no quesito desarticulação da gestão ambiental, frente ao desmonte realizado nos governos passados é uma criança.

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  5. Chicago guede$ boy, ecunumixta medíocre, mortadela chilena, o cérebro do presidente Bolsonaro é o grande fomentador da esculhambação do IBAMA, ICMBIO, FUNAI, INPE, INPA. Melhorar não existe na personalidade dele. É o fomentador da regressão do país ao extrativismo perdulario e monocultura. Deram a ele o poder da transição do abissal para o bossal. Subdesenvvido.

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  6. As coordenações regionais só servem para julgar autos de infração e nada mais. Um elefante branco da pior qualidade. Aqui em Minas nunca funcionou como deveria. A mudança e extinção de algumas delas foi o medida correta. Trabalho em órgão ambiental federal em MG.

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