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A cobra coral possui veneno forte e letal. Foto: Luiz Carlos Rocha/Flickr.

Um homem morreu após ser mordido por uma cobra coral no bairro Ovídio Teixeira, na cidade de Caetité, na Bahia. Identificado por Marcelo, a vítima estava embriagada e brincava com a serpente, conforme o vídeo publicado na internet. O caso aconteceu no dia 05 de abril.

Na gravação, dá para ver que Marcelo estava acompanhado de outro homem que lhe dava “instruções” de como pegar a cobra. "Cuidado para ela não ferroar pelo cabo. Segura, segura, não deixa ela torcer não”, dizia o colega de Marcelo.

“Aí, mordeu! Mordeu!” afirmou Marcelo logo após. Em seguida, o vídeo mostra Marcelo já no chão, desacordado com outras pessoas em volta.

Assista ao vídeo:


Segundo a Polícia Militar, a vítima chegou a ir para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas não resistiu.

As cobras corais pertencem à família Elapidae. Essas serpentes possuem veneno forte e letal. No Brasil, dos 30 mil acidentes por ano com serpentes, 0,4% são provocados por corais. “Coral não dá bote. O acidente ocorre quando o animal é manipulado ou quando se pisa nele”, afirma o biólogo Giuseppe Puorto, diretor do Museu Biológico do Instituto Butantan.

O biólogo informa também que poucas pessoas morrem ao ser mordidas por serpentes. Dos 30 mil acidentes por ano, somente 150 vão a óbito, menos de 0,5%. “É muito difícil fazer uma análise sem saber a causa Mortis!”, afirma Giuseppe Puorto.

O diretor do Museu Biológico do Instituto Butantan também dá dicas do que fazer para prevenir acidentes com serpentes e o que deve ser feito em caso de picada:

- não manipular serpentes vivas ou mortas;

- nunca se deve segurar uma serpente da forma que o Sr. do vídeo faz;

- este procedimento deverá ser feito, se necessário, por profissional habilitado;

- em caso de acidente:

- manter a calma;

- lavar o local atingido com água e sabão se possível;

- encaminhar a pessoa acidentada ao serviço médico mais próximo;

- não fazer torniquete ou garrote;

- não ingerir bebida alcoólica ou querosene;

- não colocar nada sobre o ferimento;

- não cortar, furar ou fazer sucção.

O Instituto Butantan foi criado em 23 de fevereiro de 1901 e é o principal responsável por grande parte dos soros e vacinas produzidas no Brasil. O Butantan produz a quantidade necessária para atender a demanda do Ministério da Saúde. Dessa forma, 15 mil frascos-ampola foram contratados pelo Ministério ao Butantan para entrega no ano de 2018.

De acordo com  a gestora de projeto do Núcleo Estratégico de Venenos e Antivenenos, Fan Hui Wen, o antiveneno produzido para combater o envenenamento por coral verdadeira denomina-se soro antielapídico (derivado do nome científico da família das corais, Elapidae).

A distribuição deste e dos demais antivenenos é de responsabilidade do órgão federal juntamente com as secretarias estaduais de saúde, que encaminha os soros para as unidades de saúde de referência para o tratamento dos acidentes por animais peçonhentos.

 

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