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Fundação Zoo de São Paulo comemora nascimento de dois micos-leões-pretos

A reprodução em cativeiro da espécie, que é considerada ameaçada de extinção, faz parte de projeto de conservação do Zoológico de São Paulo desde 1986

Duda Menegassi ·
10 de setembro de 2020
Os dois filhotes de mico-leão-preto, novos moradores do Zoo. Foto: Ana Maria Macagnan/Fundação Zoo SP

Nesta quarta-feira (9), a Fundação Parque Zoológico de São Paulo divulgou o nascimento de dois micos-leões-pretos. A espécie, que é endêmica da Mata Atlântica paulista, é considerada Em Perigo de extinção e sua reprodução em cativeiro é parte de um projeto e esforço para garantir sua conservação feito pelo Zoo desde 1986. Com a chegada dos novos moradores, a população de mico-leão-preto na Fundação Zoológico soma agora 35 indivíduos – a maior do mundo mantida sob cuidados humanos.

O nascimento dos filhotes ocorreu no dia 16 de agosto na área conhecida como “Micário”, espaço construído especialmente para abrigo e reprodução dos micos, não apenas o preto, mas também o mico-leão-da-cara-dourada (Leontopithecus chrysomelas) e o mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia). Segundo divulgado em nota, o esforço da Fundação com as três espécies de mico reflete o “compromisso institucional no desenvolvimento de estratégias para a manutenção de espécies geneticamente viáveis para futuros programas de reintrodução e reforço das populações na natureza”.

O mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus) ocorre numa faixa restrita da Mata Atlântica, na porção oeste de São Paulo, com sua distribuição limitada entre os rios Paranapanema e Tietê. O animal é símbolo da conservação da fauna no estado de São Paulo e a Fundação Zoológico é uma das poucas instituições que consegue reproduzi-la com sucesso em cativeiro.

Foto: Ana Maria Macagnan/Fundação Zoo SP

De acordo com o censo realizado no ano de 2019, a população em cativeiro da espécie no mundo é composta porapenas 61 indivíduos, um número muito reduzido para um programa de conservação em longo prazo. Na natureza, estima-se que existam 1.400 indivíduos sob ameaça constante do avanço da ocupação humana e da perda e fragmentação do seu habitat.

Nestes últimos meses, o Zoológico registrou outros nascimentos de espécies nativas ameaçadas de extinção, tais como a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) e o sagüi-da-serra-escuro (Callithrix aurita).

PL 529

A Fundação Zoológico de São Paulo, criada em 1958, está entre as entidades sob risco de extinção pelo Projeto de Lei nº 529/2020 enviado pelo governador, João Doria (PSDB-SP), à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), para cortar despesas do estado. ((o))eco fez uma reportagem completa sobre o assunto, leia aqui na íntegra.

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    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação e montanhismo. Escreve para ((o))eco desde 2012. Autora do livr...

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