Download PDF

Mais de 90% das espécies de pássaros habitam a região tropical do planeta. Foto: Alexander Lees.

Os ecossistemas tropicais abrigam mais de três quartos de todas as espécies da biodiversidade do planeta. É o que mostra o estudo The future of hyperdiverse tropical ecosystems (O Futuro dos Ecossistemas Tropicais Hiperdiversos), publicado na revista Nature. Um grupo internacional de pesquisadores quantificou a biodiversidade presente em regiões tropicais e os resultados suscitam um alerta global para a necessidade de evitar a perda de espécies nos trópicos e de reverter danos já causados.

O estudo analisou quatro ecossistemas tropicais: florestas, savanas, sistemas aquáticos e recifes de corais e contou com a participação de pesquisadores brasileiros. Os cientistas descobriram que os ecossistemas tropicais abrigam quase todos os corais de águas rasas e mais de 90% das espécies de aves do mundo. “Muitas delas não encontradas em nenhum outro lugar”, alerta Joice Ferreira, pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental (PA), coautora do trabalho.

O habitat de dez grupos animais e plantas, entre aves, anfíbios, peixes de água doce, mamíferos terrestres, formigas e outros, foram analisados e os ecossistemas tropicais abrigam pelos menos 60% da quantidade de espécies de oito desses grupos. Isso significa que nos trópicos são encontrados 91% das espécies de aves do planeta; 83% dos anfíbios; 81% dos peixes de água doce; 79% das espécies de formigas; 77% dos mamíferos terrestres; 75% das espécies de plantas; e 66% das espécies de peixes marinhos.

Preservar os ecossistemas tropicais

O trabalho mostra que os ambientes hiperdiversos, como são chamados os ecossistemas tropicais, vêm passando por uma série de estresses tanto no âmbito local, como desmatamento, extrativismo predatório, quanto global, como as mudanças climáticas. A soma desses problemas locais e globais trouxe ameaças e risco de extinção de diversas espécies de animais.

O declínio da saúde dos ecossistemas tropicais afeta o bem-estar de milhões de pessoas cujas necessidades básicas dependem desses sistemas. “Por exemplo, estima-se que 70% da precipitação na bacia do Rio da Prata, de 3,2 milhões de km², entre o Uruguai e a Argentina, venha da evaporação na Amazônia, na Região Norte do Brasil”, afirma o professor Jos Barlow, da Universidade de Lancaster (Reino Unido), autor principal do artigo.

Os cientistas apontam algumas espécies da região Norte do Brasil que merecem atenção por se encontrarem ameaçadas como: papagaio ararajuba (Guaruba guarouba) e gavião real (Harpia harpyja). Tem também a anta (Tapirus terrestris), o peixe-boi (Trichechus inunguis), a lontra (Ptenorua brasiliensis) e espécies de macaco, como uacari-branco (Cacajao calvus), todos com habitat natural na Amazônia e em risco de extinção.

O estudo faz uma revisão analítica de outros estudos nas áreas ambiental e social e os colaboradores enfatizam a necessidade de ampliar e aprofundar redes e colaborações que combinem especialistas de diferentes países  e disciplinas, tanto de instituições públicas quanto privadas. “Governos, empresas, investidores e organizações da sociedade civil têm na construção coletiva recursos preciosos para ações de conservação”, avaliam os pesquisadores, que trabalham em uma rede colaborativa de pesquisa na Amazônia há quase dez anos.

 

Saiba Mais

The future of hyperdiverse tropical ecosystems

 

Leia Também

O que é um Ecossistema e um Bioma

O que é Biodiversidade