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Diário de bordo: Chegada ao Pantanal Matogrossense e o objetivo desse blog

Nossa equipe passará 10 dias em campo e contará, aqui, em ((o))eco, a situação das queimadas e secas no bioma que mais perdeu superfície hídrica no país

Leandro Barbosa · Victor Del Vecchio · Gabriel Schlickmann ·
4 de setembro de 2021

Olá, esse é o primeiro dia de relatos que vão ocorrer sobre a cobertura do projeto Pantanal Ameaçado, que visa fazer a cobertura jornalística sobre os incêndios e a seca que assolam o bioma. Antes de aprofundar, vamos nos apresentar: somos um grupo de comunicadores independentes que se propõem a produzir conteúdo sobre temas de direitos humanos e socioambientais, com a finalidade de informar e conscientizar a população sobre essas questões não só importantes, mas mais urgentes do que nunca.

Estamos em três aqui: Leandro Barbosa, repórter que no ano passado atingiu mais de 17 milhões de contas com sua cobertura sobre as queimadas no Pantanal em seu perfil no Twitter, Gabriel Schlickmann, repórter fotográfico e Victor Del Vecchio, advogado e educador, que também produz conteúdo em seu Instagram sobre os temas mencionados. Em São Paulo, Lina Castro, internacionalista, pesquisadora e gestora de projetos, ficou para dar suporte operacional e de captação.

Serão dias intensos, com grandes deslocamentos territoriais e uma rotina apertada para acompanhar o trabalho de brigadistas, ambientalistas e também o avanço do fogo e da seca. Tudo isso, você poderá acompanhar aqui no O Eco, onde publicaremos nosso diário de bordo.

Nossa vinda foi possível graças ao financiamento coletivo que lançamos no Catarse, e que ainda está acontecendo. Atualmente, atingimos 60% do valor total almejado de R$ 52 mil. Por enquanto, com o valor arrecadado, somado ao apoio da iniciativa Observa MT e de outras organizações, conseguiremos permanecer até dia 14/10, passando por três localidades diferentes no Pantanal Matogrossense: Barão do Melgaço, Poconé e Cáceres.

Espaço de recuperação de animais silvestres. Foto: Gabriel Schlickmann

Pousamos em Cuiabá, pegamos o 4×4 que alugamos e seguimos rumo ao município de Barão de Melgaço, a 130 km da capital. Estamos hospedados na Pousada Rio Mutum, onde funciona um ponto de apoio à reabilitação e soltura de animais silvestres atropelados, resgatados de criadouros ilegais e que sofreram com o fogo. Iremos mostrar isso com mais detalhes em breve. Chegamos já durante a noite e hoje vamos focar em preparar os próximos dias e descansar. 

Estamos em uma época muito crítica, em que as queimadas atingem seu pico de ocorrências. A situação é muito alarmante dado que o bioma pantaneiro passa pela maior crise hídrica dos seus últimos 60 anos e, muito embora haja intenso preparo de brigadistas, a situação de fogo somada à escassez de água não só dificulta o combate às chamas, mas também as torna mais propícias de ocorrer.

A devastação pela qual o bioma passa é muito extensa, não só em termos territoriais, mas também nas particularidades de cada região. Nossa meta é fazer a cobertura mais completa possível, percorrendo mais regiões, inclusive o Pantanal Boliviano, do qual pouco se fala. Para isso, precisamos de recursos para estender nossa estada. Topa nos ajudar nessa? Segue o link de nossa campanha para que, caso possa, contribua e divulgue entre seus pares. O Pantanal está ameaçado e visibilizar a situação informando a população é a melhor forma de cobrar respostas do governo e mobilizar soluções com a sociedade civil.

Pousada Rio Mutum. Foto: Gabriel Schlickmann.

Pantanal ameaçado é um projeto de Leandro Barbosa, Victor Del Vecchio, Lina Castro e Gabriel Schlickmann, financiado coletivamente e que conta com o apoio da iniciativa Observa-MT.

  • Leandro Barbosa

    Jornalista, com publicações nos jornais The Intercept Brasil, Ponte Jornalismo, Globoplay, El País Brasil, UOL, Yahoo, Agência Pública e na revista americana Atmos

  • Victor Del Vecchio

    Advogado e mestrando em Direito Internacional pela USP, professor da Casa do Saber

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