Depois de quase 40 anos sem ser vista, planta é redescoberta no estado do Rio

Duda Menegassi
quinta-feira, 18 fevereiro 2021 13:59
A quaresmeira Pleroma hirsutissimum, criticamente ameaçada de extinção, foi reencontrada depois de quase 40 anos sem registros na natureza. Foto: Inara Carolina da Silva Batista

Depois de 38 anos sem nenhum registro na natureza, a planta Pleroma hirsutissimum, uma espécie de quaresmeira que só ocorre nos municípios de Cabo Frio e Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro, foi reencontrada pela equipe do Plano de Ação Nacional (PAN) para Conservação da Flora Endêmica Ameaçada de Extinção do Estado do Rio de Janeiro. A descoberta foi feita dentro do Parque Estadual da Costa do Sol e surpreendeu pesquisadores, que imaginavam que a planta já estava extinta, uma vez que foi registrada pela última vez na natureza em 1982.

A planta pode atingir um metro de comprimento e exibe belas flores roxas durante sua época de floração. Endêmica das restingas nos dois municípios da Região dos Lagos, a Pleroma hirsutissimum sofre com a destruição do seu habitat pela expansão imobiliária e com impactos ambientais provocados pelo turismo desordenado. E apesar da boa notícia ao reencontrá-la, a conservação da quaresmeira segue como motivo de alerta. A espécie é classificada como Criticamente Ameaçada de Extinção pelo Livro Vermelho da Flora Endêmica do Estado do Rio de Janeiro (2018).

“Este achado é de extrema relevância para a flora do estado do Rio de Janeiro, uma vez que quando redescobrimos uma planta, podemos promover ações diretas em prol da conservação da espécie”, conta Inara Batista, consultora coordenadora do PAN Flora Endêmica do Rio de Janeiro pela WWF-Brasil/SEAS-RJ, e que liderou a descoberta, junto com o servidor da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (SEAS-RJ), Marcos Loureiro. A confirmação sobre a identidade da espécie foi feita pelo pesquisador do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Paulo Guimarães.

A expedição que registrou a quaresmeira foi realizada em novembro de 2020, como parte do Programa Nacional para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção (Pró-Espécies): Todos contra a extinção. O objetivo do projeto é proteger cerca de 300 espécies criticamente ameaçadas que não contam com nenhum instrumento de conservação. Além do Parque Estadual Costa do Sol, outras três unidades de conservação e áreas urbanas do Rio de Janeiro foram visitadas pela equipe, que tinha como objetivo coletar sementes e produzir mudas de espécies nativas do estado.

A quaresmeira Pleroma hirsutissimum, possui pelos nas folhas e pode atingir até 1 metro de comprimento. Foto: Inara Carolina da Silva Batista

Em outra descoberta surpreendente durante as expedições, os pesquisadores, com apoio do coordenador de Biodiversidade da SEAS, Francisco Carrera, registraram uma espécie de cacto — o Rhipsalis pentaptera — que está criticamente ameaçado de extinção, em plena área urbanizada no bairro de São Conrado, na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente, a espécie é mais encontrada em hortos, jardins botânicos e coleções particulares do que em seu habitat natural — que corresponde a um pequeno território nas áreas da baixada de restinga carioca, especialmente em São Conrado, perto das encostas da Pedra da Gávea. A principal ameaça ao cacto é justamente a expansão urbana, que já descaracterizou quase completamente o seu pequeno ambiente natural.

A implementação do PAN Flora Endêmica do Rio de Janeiro é coordenada pela SEAS-RJ em parceria com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), o Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, por meio do Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora), e consultoria do WWF-Brasil.

 

Leia também

Mais da metade da flora que só existe no Rio de Janeiro está ameaçada

Mais de 400 hectares de flora nativa foram replantados em São Paulo

Coleção botânica do Museu Goeldi está disponível no herbário virtual Reflora

2 comentários em “Depois de quase 40 anos sem ser vista, planta é redescoberta no estado do Rio”

  1. Gente!!!! Tenho quase certeza que era essa que tinha muito aqui onde moro, em Paraty, e minha senhoria arrancou tudo a poucos anos atrás!!! Mas com certeza já vi em outros locais por Paraty! Onde consigo mais fotos da espécie pra confirmar?

    Responder

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.