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Compre tuviras e salve ariranhas ilhadas pela seca no Pantanal

Grupo abastece com água e peixes os rios secos que cruzam a Transpantaneira. Medida é para evitar que ariranhas e lontras morram de sede e fome

Leandro Barbosa · Victor Del Vecchio · Gabriel Schlickmann ·
12 de setembro de 2021

Já estamos na Transpantaneira, uma rodovia de terra de 150 km, conhecida como a porta de entrada do Pantanal matogrossense. E nosso começo aqui foi com mais um pneu furado. A segunda vez nesta estrada, a terceira na viagem. Contudo, hoje foi a primeira vez que a situação nos levou à pauta do dia: duas ariranhas e uma lontra ilhadas pela seca. O corixo – rio que se forma com as chuvas e deságua em outro rio maior – em que estavam foi secando, deixando os animais sem possibilidade de água e para onde ir, já que não há outros rios por perto.

Parados cerca de 100 km do local onde estamos hospedados, sem qualquer sinal de celular, a opção que tínhamos era aguardar e tentar uma carona. Já que ontem nosso outro pneu furou, e estávamos sem estepe. Acabamos socorridos pelo GRAD (Grupo de Resgate de Animais em Desastres), que voltava do final da Transpantaneira com Sarapós (Gymnotus carapo), peixe popularmente conhecido como Tuvira, que serviriam de alimento aos mamíferos do corixo, que nesta altura do dia já havia sido enchido por um caminhão-pipa. 

Conseguimos carona na caçamba da caminhonete dos veterinários da organização, ao lado de materiais de resgate de animais silvestres e baldes cheios de água e tuviras. Além da sede, a seca causa fome. E este tem sido o maior desafio das organizações e voluntários que atuam a favor da fauna pantaneira: alimentar e hidratar os animais. Sem contar com os resgates de animais feridos pelos incêndios ao longo da rodovia.

Ariranhas cansadas no Pantanal. Foto: Fernando Faciole/GRAD.

Nesta noite, a fundadora do GRAD, a veterinária Carla Sássi, nos relatou o desafio enorme de cuidar somente da lontra e das ariranhas. Até estes animais terem a possibilidade de se locomover ou que seja viável o resgate e soltura deles em um local apropriado, situação definida por órgãos ambientais, cabe a ela e seus companheiros de trabalho alimentá-los e garantir que não falte água no corixo, uma vez que o Estado não fará isso. 

O GRAD terá um gasto de R$8 mil por mês em tuviras, para garantir que a lontra e as ariranhas não morram de fome. Possivelmente, esse gasto deve durar até a próxima temporada de chuvas, que se inicia em outubro e tem seu pico entre janeiro e março. Diante deste desafio enorme, dá pra imaginar o quão caro é garantir a sobrevivência dos animais pantaneiros.

Sempre recebemos perguntas em nossas redes sociais sobre como ajudar os animais por aqui. Cooperar com a compra de tuviras é uma forma. E é urgente. Caso você tenha interesse em ajudar o PIX do GRAD é: 04085146/0001-38. O favorecido é o Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal. Sua ajuda garante a sobrevivência de bichos ilhados pela seca.

Galeria do dia

Paisagem seca na Transpantaneira. Foto: Gabriel Schlickmann.
E quando dizemos seco, é seco mesmo. Foto: Gabriel Schlickmann.
Foto: Gabriel Schlickmann.
GRAD em ação. Foto: Gabriel Schlickmann.
Foto: Gabriel Schlickmann.
Foto: Gabriel Schlickmann.
Foto: Gabriel Schlickmann.
Foto: Gabriel Schlickmann.
Gado morto. A seca é implacável. Foto: Gabriel Schlickmann.

Pantanal ameaçado é um projeto de Leandro Barbosa, Victor Del Vecchio, Lina Castro e Gabriel Schlickmann, financiado coletivamente e que conta com o apoio da iniciativa Observa-MT.

  • Leandro Barbosa

    Jornalista, com publicações nos jornais The Intercept Brasil, Ponte Jornalismo, Globoplay, El País Brasil, UOL, Yahoo, Agência Pública e na revista americana Atmos

  • Victor Del Vecchio

    Advogado e mestrando em Direito Internacional pela USP, professor da Casa do Saber

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