Como diferentes populações lidam com a falta d’água é tema do Vozes do Planeta 

Marcos Furtado
quarta-feira, 4 novembro 2020 16:45
O acesso desigual à água impacta milhões de pessoas. Foto: Érico Hiller.

O acesso a água limpa é um direito humano e universal, declarado pela ONU há apenas uma década. O pouco tempo dedicado para acabar com esse problema se reflete na desigualdade hídrica em vários países. O fotógrafo Érico Hiller registou a busca pela fonte primária da vida em 10 regiões do mundo no seu livro Água, lançado neste mês. Os trabalhos de pesquisa e captação de imagens para a produção desta obra foram os temas da edição nº 156 do podcast Vozes do Planeta.

Originalmente transmitida em uma live no Instagram da jornalista e apresentadora do programa, Paulina Chamorro, a conversa começou com o fotógrafo contando que as experiências registradas em viagens anteriores inspiraram a ideia para a produção do livro.

“Nós, fotógrafos, temos que nos manter muito sensíveis as coisas da vida que nos chamam atenção. No meu primeiro livro (lançado) em 2008, o Emergentes, eu viajei muito e fotografei muitos bolsões de pobreza na Índia e na China. Na condição de uma vida difícil, que eu testemunho, a água costuma ser o primeiro indicador a gritar. Então desde aquela época eu via pessoas carregando água. Grandes comunidades, tanto rurais como urbanas, vivendo dilemas e dificuldades com a água”, revela.

Ele observa que as desigualdades econômicas se relacionam com os problemas hídricos. “A concentração de renda deprime a atividade econômica. A gente tem aquela ideia de que bilhões de pessoas estão se acotovelando que nem uns desesperados em torno do pouco disponível enquanto poucas pessoas acumulam muito. A água está no coração desse problema”, avalia.

A falta de água em boas condições é a causa de 80% de doenças e mortes em países com altos índices de pobreza, de acordo com dados da ONU. Para registrar a busca desse recurso natural por famílias e comunidades, Hiller visitou de 2018 a 2020 cidades e comunidades na Índia, Jordânia, Palestina, Etiópia, Bangladesh, Quênia, Bolívia, Chile e no Brasil.

Foto: Érico Hiller.

A escassez no saneamento básico também foi registrada no livro. Em Kiber, maior favela do mundo com mais de 1 milhão de habitantes, localizada no Quênia, o autor narra que algo comum como ir ao banheiro pode se mostrar muito mais complexo.

“Eu vi banheiros em Kibera que eram pequenos buracos no chão e aí eu conversei com os rapazes que limpavam aqueles dejetos. Eu fui em um desses banheiros fazer xixi e o cara falou que só aquele buraco que eu estava usando era um banheiro oficial desse distrito, sendo utilizado por pelo menos 60 famílias”, conta.

Apesar de sofrerem com as consequências dos problemas estruturais, os moradores locais onde Hiller visitou também têm percepções positivas sobre a água. Ele conta que os habitantes de uma comunidade africana acreditam que encontrar água é uma resposta divina.

“Isso me fez pensar que as vezes a fé e a dimensão do sagrado fazem com que as pessoas suportem essa extrema limitação que elas vivem”, conclui.

Na última parte do programa, Paulina comentou sobre a reportagem de ((o))eco, publicada na última semana (confira aqui), feita por Fernanda Wenzel e Pedro Papini, sobre um estudo que mostra com investimentos feitos pelo BNDES e BlackRock incentivam a violência contra indígenas no Brasil.

Confira aqui na íntegra a última edição do podcast Vozes do Planeta:

 

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