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Brasil recebe seu 2º Fóssil do Dia na COP25

Antiprêmio foi dado por rede internacional de ONGs pela MP da grilagem de terras

Claudio Angelo · Observatório do Clima ·
11 de dezembro de 2019 · 2 anos atrás
É a primeira vez na história que o país ganha dois fósseis numa mesma COP. Foto: Divulgação.

O Brasil recebeu nesta quarta-feira (11) mais um “Fóssil do Dia”, o antiprêmio concedido pelas ONGs aos países que mais atrapalham as negociações na COP25 pela implementação do Acordo de Paris. A razão do prêmio foi a Medida Provisória assinada pelo presidente Jair Bolsonaro que anistia a grilagem de terras.

“Eleito sob a promessa de garantir lei e ordem, o presidente Bolsonaro deu um presentão de Natal aos criminosos ontem à noite: ele assinou uma Medida Provisória que dá uma ampla anistia à grilagem, principal fator de desmatamento (e emissões) do Brasil”, afirma a nota da rede de ONGs CAN (Climate Action Network), que organiza a “premiação”. “Bolsonaro recompensa bandidos e detona uma bomba de carbono”, diz o título na nota.

É a primeira vez na história que o país ganha dois fósseis numa mesma COP. Na última semana o Brasil já havia sido “agraciado” pelo fato de o governo Bolsonaro botar a culpa nos ambientalistas pelas queimadas na Amazônia – e ainda vir a Madri pedir dinheiro para aumentar o desmatamento. Desta vez o país ficou em segundo lugar, atrás do carvoeiro Japão.

Segundo a CAN, o ato do presidente é um estímulo à grilagem e à impunidade e tem potencial de elevar as emissões por desmatamento a ponto de deixar as metas brasileiras no Acordo de Paris fora de alcance. Um conta preliminar do Imazon mostra que, no melhor caso, 600 milhões de toneladas de CO2 a mais podem ser emitidas ate 2027 por desmatamento na área beneficiada pela MP.

O efeito real pode ser muito pior, porém: 44% da Amazônia está em terras públicas, inclusive terras indígenas e unidades de conservação, e anistias em série a grileiros (uma já foi dada em 2017 por Michel Temer), combinadas ao discurso de Bolsonaro, tendem a estimular a invasão indiscriminada dessas áreas.

Daí a decisão, pouco usual na rede de ONGs, de dar um Fóssil do Dia por um assunto que não está diretamente relacionado ao comportamento do país dentro das salas de negociação.

“Parece que o Brasil se tornou o país onde os ambientalistas são presos – quando não são mortos – e invasões criminosas de terra ganham o selo da legalidade”, prossegue a nota da CAN. “E, como se não bastasse, ao ouvir que Greta Thunberg tuitou sobre assassinatos de indígenas, Bolsonaro a chamou de ‘pirralha’. Parece que não há limites para a idiotice do presidente e de seus ministros”, afirmou o apresentador do prêmio.

Expulsos

A cerimônia desta quarta-feira não contou com seu apresentador tradicional, Kevin Buckland. Ele havia sido expulso do Ifema, sede da COP, juntamente com cerca de 320 pessoas que fizeram um protesto em frente à plenária onde ministros de Estado discursavam. “Estamos protestando pelos filho de vocês”, diziam os manifestantes. Como o protesto não foi autorizado previamente pela ONU, a segurança tirou todos do local. Até a meia-noite (hora de Madri) não se sabia se eles poderiam retornar.

“Fizemos um protesto pacífico, não para bloquear a ação, mas para impulsioná-la”, afirmou um comunicado escrito por associações de ambientalistas, indígenas e sindicatos, entre outros. “Em vez de ouvir nossas vozes, eles tentaram nos silenciar.”

Muitos ativistas ficaram horas no frio e sem casaco. Chegou-se a cogitar entregar o Fóssil à Convenção do Clima pela primeira vez.

“Quando chegou a hora de agir eles fecham a porta na nossa cara, enquanto dão uma plataforma aos poluidores”, afirmaram as organizações.

 

logo Republicado do Observatório do Clima através de parceria de conteúdo.

 

 

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Comentários 3

  1. Angélica diz:

    Ambientalistas são mais infantis que a Greta.


  2. Samuel diz:

    A MP não seria ruim se houvesse a devida cobrança do código florestal, como o governo gosta de acreditar. Mas parecem que vivem no mundo da fantasia.
    Pense 80 por cento de todas as áreas privadas ou da união, somadas à área de todas as unidades de conservação e terras indígenas na Amazônia. É um modelo ótimo, mas sabemos que não é a realidade. Muitas propriedades estão com zero reserva legal e não vejo nada sendo feito para mudar essa situação. O estado de Rondônia por exemplo deveria estar quase todo vedado ao crédito rural e passando por um reflorestamento em larga escala. Deveriam implementar as RLs nessas propriedades irregulares antes de qualquer coisa.


  3. George diz:

    O Salles pedindo mesada para não desmatar por lá, e o Bolsonaro puxando o tapete dele por aqui… seria engraçado se fosse o país dos outros.