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Bolsonaro e ministro do Meio Ambiente levantam suspeitas sobre contrato de veículos do Ibama

Presidente comentou postagem do ministro Ricardo Salles, que usou o Twitter para falar sobre contrato de 28,7 milhões em aluguel de veículos. Presidente do Ibama rebate críticas

Daniele Bragança ·
7 de janeiro de 2019 · 3 anos atrás
Fiscalização do Ibama na Terra Indígena Pirititi, em Roraima. Foto: Felipe Werneck/Ibama.

Esta é uma história típica do novo jeito de se comunicar do governo federal, que usa as redes sociais para uma comunicação direta com o cidadão. Tudo começou com a postagem de uma foto no twitter oficial do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, na tarde deste domingo (06), sobre um contrato de aluguel de veículos para o Ibama. A postagem acabou se transformando em acusação. Para presidente do Ibama, acusação demonstra desconhecimento da magnitude do órgão ambiental.

O contrato assinado entre o Ibama no dia 07 de dezembro com a Companhia de Locação das Américas é no valor de 28,7 milhões. O montante chamou atenção do ministro, que preferiu publicar no Twitter antes de verificar com a autarquia se os valores não eram exagerados.

Após ser questionado sobre se a postagem era alguma acusação, o ministro afirmou que só se impressionou com o montante, mas que não acusou ninguém de nada: “Apenas chamei atenção para o valor, sem adentrar no mérito e necessidade, que veremos em breve”, disse para um internauta.

O presidente Jair Bolsonaro não foi tão cuidadoso. Ao compartilhar a postagem do ministro, afirmou que o governo estava trabalhando para desmontar “montanhas de irregularidades e situações anormais que estão sendo e serão COMPROVADAS e EXPOSTAS”

Depois disso, o presidente preferiu apagar a postagem, mas os internautas já haviam printado.

E como não poderia deixar de ser, a presidente ainda em exercício do Ibama, Suely Araújo, soltou nota em rede social, dessa vez no Instagram, rebatendo as críticas. Segundo Araújo, o contrato abrange “393 caminhonetes adaptadas para atividades de fiscalização, combate a incêndios florestais, emergências ambientais, ações de inteligência, vistorias técnicas etc., nos 27 estados brasileiros, e inclui combustível, manutenção e seguro, com substituição a cada 2 anos”.

“A acusação sem fundamento evidencia completo desconhecimento da magnitude do Ibama e das suas funções. O valor estimado inicialmente para esse contrato era bastante superior ao obtido no fim do processo licitatório, que observou com rigor todas as exigências legais e foi aprovado pelo TCU. Os valores relativos aos veículos para fiscalização na Amazônia são custeados pelo Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES”, disse por meio da nota.

A menção ao TCU rebate outra acusação de Ricardo Salles, que respondeu o site Antagonista que não havia levantado suspeita sobre o contrato, mas acrescentou na fala a informação de que o valor do contrato havia sido questionado pelo TCU, em abril. O atual contrato foi assinado em dezembro.

“A presidência do Ibama refuta com veemência qualquer insinuação de irregularidade na contratação. Espera, por fim, que o novo governo dedique toda a atenção necessária às importantes tarefas a cargo do Ibama, e não a criar obstáculos à atuação da Autarquia”, finalizou Suely Araújo.

 

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  • Daniele Bragança

    É repórter especializada na cobertura de legislação e política ambiental. Formada em jornalismo pela Universidade do Estado d...

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Comentários 14

  1. Thoago diz:

    Tá certinho, até pq quem tem cérebro, monta um esquema dessa que dura anos e ainda sai de isentão diante das multas de manobra.


  2. umbrios27 diz:

    Momento Animaniacs (imagine a animação com o homem caveira):
    Boa idéia –> colocar câmeras nos carros usados pelo Estado para fiscalização (IBAMA, polícias e afins) – permite verificar posteriormente o que foi feito pela equipe de fiscalização, é ferramenta comprobatória que pode até facilitar a argumentação das equipes honestas.

    Má idéia –> colocar rastreamento nos carros usados pelo Estado para fiscalização – o carro se desloca, o bandido olha no seu computador que o carro da polícia, IBAMA ou qualquer outro fiscalizador está chegando, destrói as provas e se pirulita.


  3. Curioso diz:

  4. Antonio Carlos diz:

    Pergunta: Esses carros estão rodando? Nesse exato momento quantos desses 390 carros estão na Amazônia em chão de terra batida? Se formos nos pátios do IBAMA vamos encontrar quantos carros parados sem sair a meses???


  5. George diz:

    R$ 73 mil para alugar um "utilitário" por 12 meses. Nem especifica 4×4. Se eu fosse COMPRAR 393 carros de uma tacada só, conseguiria pelo mesmo preço.

    Até para comprar peça precisa de licitação? Então compra o pacote incluindo um estoque de peças de reposição – uma frota de 393 veículos mais do que justifica.


    1. umbrios27 diz:

      Esse é o valor anual, não mensal (francamente, feitas as contas, o povo do IBAMA está pagando menos de aluguel por carro que eu, que moro em estrada de terra pago na manutenção do meu. Gostaria de ser capaz de copiar essa economia como pessoa privada). E sim, para comprar peça precisa de licitação. Para trocar o óleo há gasto fixo e precisa de autorização. Para colocar combustível há gasto fixo que precisa de autorização e só pode ser feito em postos especiais (e "conter a polícia" cortando a autorização para colocar combustível nas viaturas aparentemente é política de governo, ou foi durante todo o tempo _ desde o governo Lula_ em que trabalho como funcionária pública. Uma das coisas "invisíveis" que melhorou incrivelmente no governo Temer.). Para cada vez que um carro quebra há uma investigação completa em que, se não for provada inocência absoluta do motorista, o motorista é obrigado a arcar com os custos do conserto (e o ônus da prova é invertido… o motorista é considerado culpado até prova em contrário). Pode parecer uma boa política para quem não trabalha no governo, mas o resultado dessa política é que dependendo do local, agentes se recusam a ir, pois não querem dirigir pela estrada, e se recusar a ir não tem custos, quebrar o carro porque caiu em um buraco, atolou ou passou em uma ponte improvisada que não aguentou o peso do carro tem. Esse aluguel dos carros faz com que todo esse custo de conserto fique com a locadora, é extremamente mais inteligente e simples do que ter os carros, especialmente quando a maior parte dos deslocamentos é em condições ruins.

      Reclamar do contrato de carros do IBAMA, francamente, é só ideológico. Vou com a cara do novo Ministro do Meio Ambiente (o time que ele reuniu é sensacional. Eu não esperava gente tão boa, vou ser sincera, fui agradavelmente surpreendida e agora estou esperançosa para a área), mas esse twit foi uma pisada de bola. Merecia ter olhado para a situação primeiro, pois a estratégia de aluguel do IBAMA é maravilhosa em termos de serviço público, e de liberalismo: não tem porque estatizar (ter carros) quando se pode usar um serviço privado para uma atividade-secundária. Na PF temos todo um departamento para cuidar dos veículos, burocracia infernal, e, francamente? Queria que fizéssemos o mesmo sistema do IBAMA, seria mais prático, menos perigoso (dos colegas que perdi, 70% morreram em acidentes de carro, e as viaturas estarem SEMPRE em petição de miséria foi parte importante disso) e mais eficiente.


  6. É uma verdadeira festa com o dinheiro publico é aluguel de carro aluguel de imóvel, isso por que o governo certamente teria facilidades em comprar veículos muito mais barato que nós meros mortais… A pergunta é de quem é esses veiculos que são alugados? De um parceiro? Alguem recebe esse dinheiro todo mês.. é muita maracutaia


  7. Bsurdo dos bsurdo diz:

    Era só o que faltava: quem votou em Bozo e sua trupe de malucos querer que eles raciocinem.


    1. Curioso diz:

      Acima um caso clássico de revoltado de internet, mas com certeza é um cidadão que não produz nada na vida.


  8. Paulo diz:

    Sr.Presidente e ministro, façam seu prato, verifiquem bem , antes de opinar e comentar. Não comam prato feito.
    Usem suas inteligências. Como pessoas públicas, não podem e não devem fofocar sem saber. Já não bastasse Dima's, moluscos, colllllor's e por aí vai.


  9. Almeida diz:

    Se é um pagamento de diárias estando ou não os carros em uso, é só ver se esses carros estão sendo efetivamente utilizados, odômetro. Esse valor daria para comprar esses veículos e coloca-los na frota do governo, mas entendo que alugar evita alguns transtornos. Na realidade é ver a necessidade de esses carros em quantidade. São mais de 10 carros por unidade da federação e se os mesmos são equipados para fiscalização na Amazônia, então fixação da mais estranho o número de veículos. Vale sim ver a necessidade e efetiva utilização desses veículos.


  10. Astyanax diz:

    ainda que seja necessário alugar tantos carros devivo à magnitude do IBAMA, 30 MILHÕES ainda é um valo muito alto para aluguel. mesmo que não seja irregular, deve ser quetionado sim!!!


  11. Michelle diz:

    Tá na hora da Suely evadir-se.