Bióloga promove lives sobre projetos de conservação

Daniele Bragança
domingo, 2 agosto 2020 10:02
Cecília Licarião, bióloga, mestre em Ecologia e coordenadora do projeto Aves de Noronha (@avesdenoronha) e do Vem Passarinhar CE (@vempassarinharce). Foto: Arquivo Pessoal.

Você já ouviu falar da fragata-de-Trindade? E o uru-do-nordeste? Essas são duas aves alvos de projetos de conservação que não são tão conhecidos do público. Até agora. A bióloga Cecília Licarião, do projeto Aves de Noronha, decidiu usar seu próprio instagram para promover conversas com pesquisadores de projetos de aves que não tem tanto alcance entre os leigos e até mesmo dentro da comunidade de avistadores de aves.

“O intuito das lives é divulgar esses projetos, pois eles são pouco conhecidos do público. Eles são conhecidos no meio acadêmico, mas em relação ao público leigo ainda não tem tanto alcance. O objetivo é usar uma linguagem simples e falar sobre esses projetos que são projetos espalhados pelo Brasil inteiro”, explica Cecília.

Falar sobre animais que não são espécies-bandeiras, aquelas mais conhecidas, é uma forma de cuidar deles. Não se protege o que não se conhece, é o grande lema da conservação. E não se mobiliza em prol de um projeto se ele é desconhecido do público.

Observatório de Aves da Mantiqueira (OAMa). Foto: Julia Rodrigues.

Tendo isso em mente, Cecília preparou um calendário para o mês de julho e agosto. Duas lives já foram ao ar, uma sobre o projeto Observatório de Aves da Mantiqueira (OAMa)@oamantiqueira, no dia 19 de julho, e outra sobre o programa RETER Trindade@reter_trindade, realizado no dia 29 de julho. As lives podem ser vistas neste perfil do instagram.

“É preciso falar dos animais que pouca gente conhece e entender que eles podem desaparecer bem antes da onça-pintada e da anta, por exemplo. Se você perguntar para algum familiar seu quem é a fragata-de-Trindade, o uru-do-nordeste, a saíra-apunhalada ou a batuíra-bicuda, acredito que a maioria deles não vai sequer saber que se tratam de aves”, explica.

As próximas lives ocorrerão nas próximas quarta-feira, sempre às 19h. Quer participar? anote na agenda e coloque um lembrete no celular:

Calendário

05/08/2020 – Aves Migratórias do Nordeste.
12/08/2020 – Uru do Nordeste.
19/08/2020 – Saíra-apunhalada.

05.08 – Aves Migratórias do Nordeste, com Onofre Monteiro. 

o maçarico-de-papo-vermelho (Calidris canutus). Foto: Onofre Monteiro.

O Projeto Aves Migratórias do Nordeste (PAMN), realiza as suas pesquisas em grande parte da costa semiárida do Nordeste do Brasil, presente em pelo menos 14 municípios costeiros ao longo da zona costeira do Ceará e em parte no Rio Grande do Norte. O PAMN atua com pesquisas de monitoramento, rastreamento e marcação de aves, apoio à políticas públicas por meio da proteção de habitats com gestão e fortalecimento de unidades de conservação em cooperação local e internacional, como também através da educação ambiental com envolvimento das comunidades costeiras nas áreas mais sensíveis utilizadas por essas aves.

Assim, o PAMN através de diversas ações de conservação de aves costeiras migratórias e residentes ao longo da rota Atlântico Ocidental, busca ampliar seu escopo para a conservação de cinco espécies de aves limícolas e marinhas, ameaçadas de extinção no Brasil: o maçarico-de-papo-vermelho (Calidris canutus), maçarico-de-costas-brancas (Limnodromus griseus), maçarico-rasteirinho (Calidris pusilla), batuíra-bicuda (Charadrius wilsonia), e trinta-réis-róseo (Sterna dougallii).

O Projeto Aves Migratórias do Nordeste (PAMN) é desenvolvido pela Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos – AQUASIS, com o apoio do SESC Ceará e o patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

Para saber mais acesse https://www.aquasis.org/ e siga nas redes sociais @avesmdonordeste.

12.08 – Uru-do-Nordeste, com Bruno Araújo. 

Uru-do-sudeste (Odonthophorus capueira). Foto: Ciro Albano.

Criticamente ameaçado de extinção o Uru-do-nordeste (Odontophorus capueira plumbeicollis), um primo distante das galinhas, vítima da caça e do desmatamento sobrevive atualmente somente na Serra de Baturité – Guaramiranga, CE e em fragmentos florestais na divisa de Pernambuco e Alagoas.

Com a missão de reverter esse cenário, nasce o Projeto Uru do Nordeste visando o desenvolvimento de pesquisas e execução de ações de conservação. Os estudos iniciais buscam compará-lo com o uru-do-sudeste (Odonthophorus capueira), em vários aspectos, pois há indicativos de que o do Nordeste é uma espécie nova. Fator relevante, pois, seu status atual a torna invisível para os órgãos, internacionais de conservação.

O projeto está sobre a coordenação do Bruno Araujo que está desenvolvendo seu doutorado na Universidade Federal do Ceará com estudos ecológicos sobre a espécie. No projeto, está sendo investigado o ciclo reprodutivo e o monitoramento populacional, com o acompanhando mensal da população do Ceará e dos fatores ambientais envolvidos para sua sobrevivência. Além disso nosso projeto quer incentivar jovens cientistas à também se dedicarem à conservação, não só do uru-do-nordeste, mas de outras aves ameaçadas e das florestas que são seus lares. Porque sozinhos somos pequenos, mas juntos nos tornamos gigantes da conservação e assim poderemos vencer, evitando mais uma extinção no nordeste do Brasil. Com a esperança de que as futuras gerações também possam ouvir o canto dos urus ecoando pela mata atlântica nordestina.

Siga nas redes sociais @urudonordeste

19.08 – Saíra-apunhalada, com Gustavo Magnano. 

Saíra-apunhalada (Nemosia rourei). Foto: Gustavo Magnago.

A ave mais rara do Espírito Santo, a saíra-apunhalada (Nemosia rourei), tem um projeto de conservação só dela! Essa espécie é criticamente ameaçada de extinção e tem nossa atenção, esforço e motivação dedicados à sua proteção e ao ambiente que ela ocupa, a Mata Atlântica.

O Programa de Conservação da Saíra-Apunhalada (PCSA) é uma parceria do Instituto Marcos Daniel com a Transmissora Caminho do Café (TCC), e atende uma demanda dos órgãos ambientais estadual (IEMA), federal (IBAMA) e comunidades para o licenciamento de uma linha de transmissão que passa próximo da área de ocorrência da saíra.

As ações previstas vêm ao encontro das políticas públicas previstas no Plano de Ação Nacional das Aves da Mata Atlântica do ICMBio e contemplam pesquisas científicas, ações de sensibilização, educação ambiental, engajamento comunitário e apoio ao ecoturismo com foco na observação de aves (birdwatching).

O Programa de Conservação da Saíra-Apunhalada conta também com a parceria da Reserva Águia Branca e do Instituto Últimos Refúgios.

Para maiores informações: [email protected]r Telefone: 27 99245-3595

Siga nas redes sociais @sairaapunhalada

 

 

Leia Também 

Lançado o guia de bolso das aves da Chapada dos Veadeiros 

Especialistas lançam livro com diretrizes para reabilitação de albatrozes e petréis

O sertão resiste no corpo frágil da ararinha de Curaçá

 

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.