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Área de cultivo de soja na Amazônia quadruplicou desde 2006

Mesmo com 11 anos de moratória, área cultivada aumentou quatro vezes, passando de 1,14 milhão de hectares em 2006 para 4,48 milhões de hectares em 2017

Sabrina Rodrigues ·
10 de janeiro de 2018 · 4 anos atrás
Segundo o governo, nas safras de 2016 e 2017, foram identificados 47,365 hectares de plantio de soja em área desmatada. Esse é o maior número de perda de floresta para o cultivo desde 2008. Foto: Mariano Mantel - Flickr.
Segundo o governo, nas safras de 2016 e 2017, foram identificados 47,365 hectares de plantio de soja em área desmatada. Esse é o maior número de perda de floresta para o cultivo desde 2008. Foto: Mariano Mantel – Flickr.

O cultivo de soja na Amazônia corresponde a 13% do plantio nacional da commodity agrícola. Mesmo com a moratória, iniciada em 2006, a área cultivada com a cultura aumentou quatro vezes, passando de 1,14 milhão de hectares, na safra 2006/07, para 4,48 milhões de hectares na safra 2016/17. As informações foram divulgadas na manhã desta quarta-feira (10) pelo ministro Sarney Filho, do Meio Ambiente.

Segundo o governo, nas safras de 2016 e 2017, foram identificados 47,365 hectares de plantio de soja em área desmatada. Esse é o maior número de perda de floresta para o cultivo desde 2008. Para se ter uma ideia, nas safras de 2014 e 2015 foram identificados 28,8 mil hectares de área desmatada. Mesmo assim, o governo defende o sucesso do acordo assinado há 11 anos pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação Nacional de Exportadores de Cereais (Anec), que se comprometeram a não adquirir e nem financiar soja em áreas desmatadas do bioma Amazônia a partir de julho de 2008, data de referência adotada após a vigência do Código Florestal.

Ainda segundo o Ministério do Meio Ambiente, o plantio de soja em áreas desmatadas da Amazônia corresponde a apenas 1,2% do total desflorestado do bioma.

“Com a moratória, praticamente acabou o desmatamento por plantio de soja na Amazônia sem acabar o seu plantio, mostrando que é possível desenvolvimento sem desmatar”, defendeu o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho. “É uma ação conjunta na qual a sociedade civil e os produtores têm um papel importantíssimo”, destacou o ministro.

Na coletiva de imprensa para divulgar os dados do relatório estavam presentes o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho e o Grupo de Trabalho da Soja que é integrado pelo setor privado (Abiove e Anec e empresas associadas), pela sociedade civil (Greenpeace, Imaflora, Ipam, TNC e WWF-Brasil) e pelo governo (Ministério do Meio Ambiente e Banco do Brasil).

Nos 89 municípios monitorados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 94,4% do desmate não está associado à conversão de terras para o plantio — a produção ocorre em áreas de pastagem degradada ou em áreas desmatadas antes de 2008, ano-base da moratória.

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  • Sabrina Rodrigues

    Repórter especializada na cobertura diária de política ambiental. Escreveu para o site ((o)) eco de 2015 a 2020.

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