Área de 3 cidades de São Paulo pode queimar na Amazônia em 2020, diz IPAM

Daniele Bragança 
segunda-feira, 8 junho 2020 9:00
Queimada na Amazônia pode superar 4,5 mil km² em 2020. Foto: Vinícius Mendonça/Ibama.

Centenas de quilômetros desmatados em 2019 e nos primeiros quatro meses de 2020 deixaram uma área imensa na Amazônia exposta ao fogo. São pelo menos 4.500 quilômetros quadrados (km²) na Amazônia prontos para queimar, segundo nota técnica publicada nesta segunda-feira (08) pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).

Seis pesquisadores assinam o documento – Paulo Moutinho, Ane Alencar, Ludmila Rattis, Vera Arruda, Isabel Castro e Paulo Artaxo – e alertam que, caso os índices de desmatamento se mantiverem pelos próximos meses, a área vulnerável ao fogo subirá para quase 9 mil quilômetros quadrados.

Os pesquisadores consideram a estimativa conservadora. O início do tempo seco na Amazônia, em junho, historicamente apresenta aumento do desmatamento e de queimadas.

A nota técnica usou os dados do Deter, sistema de monitoramento do INPE, para calcular o desmatamento entre janeiro de 2019 e abril de 2020.

Respirar fumaça

Fumaça de queimada é um problema de saúde pública grave. Todo ano, com mais intensidade em períodos com recorde de focos de incêndio, como ocorreu em 2019, há registro de internações e procuras de tratamento médico por causa da fumaça. Em 2020, se a queimada não for contida, esses pacientes disputarão leito com os atingidos pela pandemia da Covid-19.

“Coibir as queimadas e o desmatamento neste ano, além de uma ação de proteção ambiental, é também uma medida de saúde”, afirma o pesquisador Paulo Moutinho, autor principal da nota técnica.

Ano passado, os municípios que mais queimaram na Amazônia viram o ar ficar 53% mais poluído, em média, em relação a 2018.

“Durante a temporada de fogo, extensas áreas da Amazônia têm qualidade do ar pior que no centro da cidade de São Paulo devido às queimadas. Isso tem forte efeito na saúde, especialmente em crianças e idosos, que são as populações mais vulneráveis”, explicou o físico Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo, um dos autores do estudo. “Como a poluição das queimadas viaja por milhares de quilômetros, comunidades isoladas de índios respiram esta atmosfera insalubre, que é muito acima dos padrões de qualidade do ar da Organização Mundial da Saúde.”

Concentração da estimativa de áreas desmatadas que não foram queimadas entre janeiro de 2019 a abril de 2020. Fonte: IPAM, a partir de dados do Deter e de focos de calor/INPE.

A alta de desmatamento de florestas tropicais seguida de aumento de queimada é uma relação direta, pois faz parte do processo de conversão da área em pasto e outros usos: primeiro vem a motosserra e os tratores, depois vem a queimada para limpeza do que sobrou.

“Foi o que vimos acontecer em 2019 e, infelizmente, se nada for feito, é o que deveremos ver em 2020, já que a derrubada continua num ritmo elevado”, explica Ane Alencar, diretora de Ciência do IPAM e uma das autoras do estudo.

Pontos de alerta

Concentração da estimativa de áreas desmatadas que não foram queimadas entre janeiro de 2019 a abril de 2020. Fonte: IPAM, a partir de dados do Deter e de focos de calor/INPE.

Quatro estados concentram 88% dessa área de 4.500 km² desmatada e não queimada: Pará, com 42%, seguido de Mato Grosso (23%), Rondônia (13%) e Amazonas (10%). Os pesquisadores mapearam 12 regiões preocupantes (veja o mapa) e afirmam que elas devem ser consideradas como prioritárias para ações de comando e controle, especialmente aquelas planejadas pelo governo federal, assim como para o planejamento de atendimento à saúde pelos governos estaduais.

Comparação da concentração de aerossóis (0,55 μm) na Amazônia entre os meses mais secos de 2018 e 2019; destaque para os municípios onde houve mais queimadas. Fonte de dados: MODIS Produto Global Mensal de Dados Atmosféricos; MOD08 vs 006; Platnick et al., 2015.

 

Saiba Mais 

Desmatamento e fogo em tempos de covid-19 na Amazônia – IPAM

Leia Também 

Propriedades privadas registram 33% dos focos de calor na Amazônia, diz IPAM

Especialistas contradizem declaração de ministra da Agricultura sobre regeneração da Amazônia após queimadas

Novo alerta sobre impacto da poluição do ar na saúde é divulgado, mas Brasil não escuta

 

 

 

2 comentários em “Área de 3 cidades de São Paulo pode queimar na Amazônia em 2020, diz IPAM”

  1. O atual presidente, sr. Bolsonaro (2019) e o anterior sr. Temmer (vice da sra. Dilma) 2018, são, ambos da mesma ação criminosa , de rifar, detonar o patrimônio público Brasileiro. Ambos cometem ou o ataque ou a omissão de crime.
    Politiqueiros bagaceiros, gospem na Constituição.

    Gente ruim que somente pensa em dinheiro, ou do seu próprio bolso, ou do seu pescoço ou das suas catervas.

    Infelizmente.

    Responder

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.