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Museu Goeldi alerta para a extinção da árvore Virola

Desmate de árvores fêmeas dificulta o repovoamento da espécie. Elas são alvo por serem maiores e, portanto, são mais valiosas comercialmente.

Redação ((o))eco ·
22 de agosto de 2013 · 8 anos atrás
 Virola em floração. Crédito foto: Leandro V. Ferreira
Virola em floração. Crédito foto: Leandro V. Ferreira

A Virola (Virola surinamensis), espécie madeireira de alto valor no mercado, está praticamente extinta nas áreas de várzea do estuário Amazônico no estado do Pará. A extinção iminente da árvore foi tema de um estudo do Museu Paraense Emilio Goeldi, em Belém, feito pelo biólogo Leandro V. Ferreira. Ele constatou que a exploração ilegal reduziu a níveis preocupantes os estoques da espécie nas florestas de várzea da Amazônia.

O biólogo realizou as observações na Floresta Nacional de Caxiuanã, no Pará. O estudo foi dividido em três áreas específicas: áreas já exploradas, em exploração e áreas não exploradas.

As reduções de indivíduos jovens da espécie e de “árvores fêmeas” são os principais alertas do estudo. Assim como os animais, as árvores tem sexo diferenciado, existindo “árvores-machos” e “árvores-fêmeas”, estas responsáveis pela produção de frutos e sementes. As fêmeas de Virola têm o maiores diâmetros, o que explica o seu desaparecimento: quanto maior o diâmetro, maior valor comercial a madeira possui. Ao darem preferências às árvores maiores, os madeireiros acabam prejudicando o próprio empreendimento no futuro, já que a ausência de árvores fêmeas torna o repovoamento das áreas exploradas ainda mais difícil, pois não há mais sementes para promover esse repovoamento.

Os dados da pesquisa revelam que há uma grande redução no número de indivíduos com valor comercial, que são às árvores com diâmetro maior que 30 centímetros. Ela está praticamente ausente nas áreas já exploradas e em exploração se comparadas às não exploradas, lócus de realização da pesquisa.

A Virola é muito usada na fabricação de compensados, embalagens, artigos esportivos, brinquedos, lápis, palitos, bobinas e carretéis, entre outros utensílios. Esta versatilidade também é fator de valorização no mercado, que torna a árvore ainda mais atrativa.

Segundo a pesquisa, desde 1980, a produção de madeira nas florestas de várzea correspondia a 75% do total da madeira comercializada na Amazônia. A Virola representava 50% de todo o volume de madeira extraída.

A exploração ilegal é a principal ameaça à sua extinção, com consequências socioeconômicas para as comunidades ribeirinhas e de habitantes de cidades de pequeno e médio porte, que tem na madeira fonte de moradia e outros bens materiais.

Presente nas listas de espécies da flora ameaçada de extinção em níveis federal e estadual, a Virola está classificada como prioritária no Programa de Conservação de Recursos Genéticos de Valor Econômico do Brasil.

A importância do uso sustentável

Os maiores estoques de Virola estão na Floresta Nacional de Caxiuanã, uma unidade de conservação de uso sustentável, o que demonstra importância na manutenção dos recursos naturais. Essa espécie está sendo estudada em parcelas permanentes de monitoramento da dinâmica florestal no âmbito do Projeto Peld-Caxiuanã, onde recentemente foi concluída uma dissertação de mestrado sobre essa espécie.

A exploração madeireira nas florestas de várzea paraenses é regida pela Instrução Normativa nº 40 da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA/PA), que estabelece normas para atividade de manejo florestal. A norma limita o corte seletivo de espécies madeireiras nas florestas de várzea em 50 centímetros.

Embora reconheça que esse limite fixado seja adequado, o estudo recomenda que a secretaria inclua na instrução normativa a exigência de se preservar indivíduos machos e fêmeas de Virola, para que se garanta a sobrevivência de matrizes reprodutivas dessa espécie, fundamentais para o repovoamento das florestas de várzea.

 Frutos e sementes de Virola. Crédito foto: Leandro V. Ferreira
Frutos e sementes de Virola. Crédito foto: Leandro V. Ferreira

 

 

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