Notícias

Gavião-pombo-pequeno: predador dos céus da Mata Atlântica

Estudando o leitor com curiosidade, esta ave de rapina é o animal da semana no ((o))eco, em comemoração ao Dia da Mata Atlântica (27/05).

Redação ((o))eco ·
24 de maio de 2013 · 8 anos atrás

O flagrante de um curioso Amadonastur lacernulatus. Foto: Rick Elis Simpson/Wikimedia Commons
O flagrante de um curioso Amadonastur lacernulatus. Foto: Rick Elis Simpson/Wikimedia Commons

Em um país com tantos biomas como o Brasil, não surpreende que abrigue tantas espécies animais que lhe são únicas. Em todos os seus ecossistemas é possível encontrar uma espécie endêmica da região, que só poderia surgir naquele ambiente. Acontece no Cerrado, nos Pampas, na Amazônia e, também, na Mata Atlântica. É o caso do gavião-pombo-pequeno (Amadonastur lacernulatus, antigamente Leucopternis lacernulata).

O gavião-pomba, como também é conhecido, está distribuído ao longo de toda a floresta atlântica, podendo ser encontrado em Alagoas, Paraíba, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais. Quando não está sobrevoando as florestas da Serra do Mar e da planície litorânea, pode ser avistado numa exploração mata adentro, em florestas de baixada.

O Amadonastur lacernulatus mede cerca de 43 a 52cm de comprimento, com uma envergadura de 96cm de asa a asa. A coloração de suas plumas − dorso e asas pretas; enquanto a cabeça, a nuca, a região superior do dorso e toda a parte inferior são brancas − justificam seu apelido: em voo é fácil confundi-lo com um pombo.

Caçador solitário, por vezes, admite se juntar a outros bandos de aves para capturar alimento. Sua dieta consiste de insetos, aranhas, moluscos, cobras, aves, roedores e outros pequenos mamíferos. Predador astuto e oportunista, tem o hábito de buscar e capturar animais espantados pela presença de formigas-de-correição ou pela passagem de bandos de macacos ou quatis que lhe servem de “batedores”. Também há registros de indivíduos que espreitam ou sobrevoam áreas de coleta, aguardando o momento em que alguma outra ave fosse capturada por armadilhas, para então se alimentar dela.

No entanto, toda a astúcia não salva a espécie das ameaças à sua existência. Tanto a IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza), quanto o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) classificam o A. lacernulatus como Vulnerável.

A população de gaviões-pombo-pequeno sofre um sério declínio populacional em razão do desmatamento, que descaracteriza seu habitat: a Mata Atlântica, bioma do qual depende para cumprir as exigências biológicas mais básicas. O impacto nos seus territórios reduz os locais adequados para a nidificação (reprodução) e aumentam a competição por alimento e abrigo.

 

 

Leia Também
Casca-grossa, mas simpática
Caboclinho-de-papo-branco: perdido entre milhares
Pitu: não a cachaça, o camarão

 

 

 

Leia também

Notícias
18 de junho de 2021

Duas onças-pintadas e outros 17 animais são encontrados mortos no Pantanal

Polícia suspeita de envenenamento. Animais foram encontrados porque uma das onças estava sendo monitorada com colar transmissor de sinal GPS

Notícias
18 de junho de 2021

Contagem regressiva para Um Dia no Parque, evento que celebra as áreas protegidas

No dia 18 de julho, daqui há um mês, ocorrerá o evento que tem como objetivo promover e valorizar as unidades de conservação brasileiras

Reportagens
18 de junho de 2021

PL aprovado na Câmara transfere responsabilidade do licenciamento para empreendedor, analisam pesquisadoras

Em conversa com ((o))eco, as analistas Joana Chiavari e Luiza Antonaccio, do Climate Policy Initiative, afirmam que proposta inverte a lógica do licenciamento

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta