Eduardo Pedroso
Gestor ambiental e especialista em controle ético de gatos de vida livre (Felis catus). Idealizador da Bicho Brother, organização que promove e dissemina o método CED, Captura, esterilização e devolução de gatos de colônia

O nosso gato, história e biodiversidade ameaçada

Eduardo Pedroso
segunda-feira, 1 junho 2020 14:04
Gato doméstico em Ilha Cumprida, SP. Foto: Giovanne Ferreira.

O gato doméstico permitiu à humanidade um salto civilizacional. Escalado pelos antigos egípcios para fazer controle biológico de roedores, foi bravo e eficiente na defesa dos celeiros, uma inovação tecnológica de 10 mil anos atrás. O armazenamento de grãos permitiu o abastecimento das cidades e mudou a vida do ser humano pra sempre, e do gato também. É possível afirmar que o gato é um dos responsáveis pelo processo de urbanização que uma vez iniciado, nunca parou, tornou nossa vida frenética.

Esse ronronento e simpático bichinho caminha conosco através dos tempos, e temos com ele uma relação estreita. Para o escritor americano William Burroughs, o gato é nosso companheiro psíquico. Para Freud, o tempo gasto com os gatos nunca é perdido. Tem toda razão o pai da psicanálise. Devemos nos ocupar dos gatos. E cada vez mais.

Especialistas dizem que 600 milhões deles existam ao redor do mundo. Não é pouco. Parte desse contingente vive dentro do conceito de posse responsável, situação em que o tutor tem plena responsabilidade sobre o animal e restringe sua saída para as ruas. Outra parte enquadra-se no modo semi-domiciliado, que significa que o gato tem tutor, casa e pode acessar a rua quando desejar. Outra parcela é o gato de vida livre, aquele que em meio urbano, rural ou natural não tem dono e é completamente independente do ser humano para sobreviver.

Essas últimas duas categorias, semi-domiciliado e vida livre, representam uma grave ameaça à biodiversidade do planeta. A União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) aponta que o gato é responsável pelo desaparecimento de 22 espécies de aves, nove de mamíferos e duas de répteis, representando 14% do total de extinções de animais vertebrados.

Deixar seu gato ter acesso à rua é perigoso. Cada vez que seu bichano dá uma voltinha, uma tragédia ambiental silenciosa acontece. Diariamente milhões de aves e pequenos mamíferos são predados pelos nossos animais de estimação. Vale lembrar que o gato é uma espécie introduzida nos nossos biomas, uma espécie que cresce sem parar em número de indivíduos, ao passo que nossa fauna silvestre declina vertiginosamente.

“Cada vez que seu bichano dá uma voltinha, uma tragédia ambiental silenciosa acontece”.

Passou da hora de olharmos com mais atenção nossa relação com os animais domésticos. Eles, cães e gatos, juntos, se colocados hipoteticamente em um território do globo terrestre, formariam a quinta “nação” consumidora de proteína animal do mundo. Isso não é mentira. E isso é grave pois estimula a produção de animais de abate, que por sua vez impacta sobre a vida selvagem consumindo suas áreas.

Um livro muito interessante lançado esse ano nos EUA e muito bem resenhado no ((o))eco pelo Bernardo Araujo demonstra as tensões provocadas pelos nossos animais domésticos (Leia aqui). O nome do livro diz tudo, Unnatural Companions: Rethinking Our Love of Pets in an Age of Wildlife Extinction. Em tradução livre, Companheiros não naturais (artificiais): repensando nosso amor pelos pets em tempos de extinção da vida selvagem.

O autor, o norte-americano Peter Christie, compila dados muito interessantes sobre o ecossistema do seu país. É de fazer inveja o cuidado que esse povo tem de saber quantitativamente o tamanho do problema que enfrenta. Por exemplo, entre seis e 22 bilhões de pequenos mamíferos são predados por gatos nos EUA, anualmente.

No Brasil, infelizmente não temos números e registros suficientes. Não sabemos quantas aves e mamíferos selvagens são predados por animais domésticos. Entretanto, temos alguns valorosos esforços para mitigar o impacto dos nossos companheiros não naturais na vida silvestre. Escolhi para essa coluna três iniciativas importantes realizadas em ilhas, por conta da fragilidade dos ambientes insulares.

  • Marinha do Brasil, ES

Erradicou espécies de animais e plantas invasoras da Ilha de Trindade, distante 1.200 km da cidade de Vitória, no Espírito Santo. No relatório emitido pelo Departamento de Botânica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pelo Grupo de Ecología y Conservación de Islas, do México, há apontamento de ações na ilha até o ano de 2010, demonstrando resultados positivos e informando que a vegetação natural da ilha, assim como espécies de aves endêmicas quase extintas, voltaram a compor o ecossistema. O gato, segundo o registro, foi erradicado em 1989.

No site da Invasive Species Specialist Group (ISSG), uma organização que trabalha pela redução da presença de espécies invasoras em ambientes selvagens no mundo inteiro, é possível ter acesso ao relatório em inglês (Clique aqui).

  • A Ilha dos Gatos, RJ
Expedição do veterinarios para a Ilha dos Gatos na baía de Sepetiba. Em primeiro plano, Eduardo Pedroso, do lado a Dra. Amélia de Oliveira, médica veterinária e comandante da expedição. E ao fundo Jorge Grego, dono do barco, guia e grande conhecedor da região. Foto: Eduardo Pedroso.

Em setembro de 2018, o projeto Veterinários na Estrada, capitaneado pela médica veterinária Dra. Amélia Oliveira, fez uma intervenção na ilha Furtada, também conhecida como Ilha dos Gatos, localizada na baía de Sepetiba, litoral sul do Rio de Janeiro. Nessa ação, a quarta expedição do grupo, não houve tentativa de erradicação dos gatos do local, e a opção foi pelo método de captura, esterilização e devolução (CED).

A rotina de trabalho da equipe de profissionais e voluntários dedicados a amenizar o impacto do gato doméstico sobre a pequena ilha está registrada no documentário dirigido pelo cineasta e geógrafo Diego Lara.

O filme, um média metragem de 22 minutos, foi exibido em 2019 no Cine Santa Tereza em Belo Horizonte e está disponível para todo público no Youtube.

  • Fernando de Noronha, PE
Da esquerda para direita, Ricardo Siqueira, médico veterinário da Ampara Animal; Ricardo Araújo, analista ambiental do ICMBio e Eduardo Pedroso. Foto: Arquivo Pessoal.

Em setembro de 2019 um grande trabalho de esterilização de gatos de vida livre e semi-domiciliados aconteceu na ilha principal do arquipélago, a única ilha com população humana. A ONG Ampara Animal, o ICMBio e a administração local, juntaram esforços e permitiram o trabalho de técnicos e voluntários na tentativa de controlar a população de gatos que ameaça as espécies nativas, como aves marinhas, e especialmente o mabuya, um pequeno lagarto que é o símbolo local e virou a proteína do gato na ilha, que dele muito se alimenta.

Uma matéria publicada no site Olhar Animal conta como foi a operação que esterilizou 600 animais domésticos do local. Um filme também documentou a ação

Mais ações como essas, maior dedicação do meio acadêmico e campanhas de conscientização precisam acontecer o mais rápido possível. A presença de animais domésticos em unidades de conservação é uma realidade muito cruel com os animais nativos do Brasil.

 

As opiniões e informações publicadas na área de colunas de ((o))eco são de responsabilidade de seus autores, e não do site. O espaço dos colunistas de ((o))eco busca garantir um debate diverso sobre conservação ambiental.

 

 

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27 comentários em “O nosso gato, história e biodiversidade ameaçada”

  1. Tenho gatos e todos são castrados e não saem de casa. Reconheço o problema que eles podem causar, mas esse tipo de artigo deve ser escrito com muita responsabilidade para uma população com sérias deficiências educacionais e, com isso, de ética questionável.
    Os gatos ainda são estigmatizados e os casos em que são mal tratados e torturados são notícias corriqueiras. O processo de conscientização deve ser muito criterioso para evitar que se estimule praticas absurdas e cruéis.

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    • Concordo com voce, acho que nao deve ser abordado desta forma. Temos serias deficiencias educacionais mesmo. E noticiado desta forma os pobres pets podem sofrer mais ainda, que se faça trabalho de concientizaçao, infelizmente quem mais depreda e leva animais a extinçao é a nossa raça. Tenho visto noticias desta forma e nao aprovo. Ler e entender parece duas coisas distintas hoje em dia, esta faltando bom senso.

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      • Muita gente vai ver essa matéria e vai querer maltratar os animais,ou seja eles encontram uma forma que todos saísse ganhando.a fauna e os gatos,tem que escrever sim sobre o problema pra ser resolvido.

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  2. As aves silvestres comidas pelos gatos, aos milhares cada dia no mundo, passaram aqui para dizer que também acham absurdas e cruéis as práticas dos gatos. E que, ao contrário dos gatos, estão cada vez mais com suas populações decaindo. Então elas dizem que ética no dos outros é refresco.

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    • É por postagens assim que concordo com Renato. Ainda não entendemos que não justifica matar e judiar de uns em prol de qualquer coisa, afinal isso nos diferencia de animais irracionais. O debate tem que ser feito, mas com educação, bons argumentos e responsabilidade. Concordo com a postagem inicial, matérias assim precisam ser escritas com muito cuidado por conta de muitos animais que se acham humano.

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  3. Os fanáticos animalescos jamais vão prestar atenção nos FATOS sobre o massacre de fauna silvestre causado por gatos ao redor do mundo. Para esses verdadeiros "racistas animais", apenas a sua espécie favorita tem direitos, inclusive o de destruir a biodiversidade matando outras espécies, aliás mortes cruéis e prolongadas com os "delicados gatinhos" prolongando a agonia de muitas de suas presas. Essa gente não entende o que é Conservação, mas também não tem a menor ideia do que é Bem-Estar Animal. Parabéns pelo artigo, necessário, fundamentado, e urgente pra que paremos com essa hipocrisia daninha de só ser "protetor" do bicho que eu gosto.

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    • É por postagens assim que concordo com Renato (comentário inicial). Ainda não sabemos sequer interpretar textos, imagina então como vamos distorcer matérias assim como pretexto para justificar o que se defende (mudando apenas o tipo de animal, mas mantendo a execução). Mas vamos dar o voto da ignorância e explicar que a postagem inicial não se prega que deixemos os gatos "intocáveis", mas que, ao explicar o assunto, esses textos precisam ser escritas com muito cuidado por conta de muitos animais que se acham humano e só precisam de um empurrão para aumentar as torturas com bichanos.

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  4. Castrar pode dar a impressão de que algo foi feito mas os gatos continuarão matando por anos. É caro e se o objetivo é restaurar a fauna nativa não funcionou em lugar nenhum.. Lugares como Noronha deveriam ser tratados como Macquarie, Auckland, Ascension e tantas outras ilhas onde a estratégia foi a erradicação.

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        • Sim, eu e Adalberto tivemos a chance de fazer algo bom e justamente por isso fomos defenestrados, com muito orgulho! 🙂 E o pior sabe o que é: que todos os animalescos, petralhas sociocoisistas e outros trastes que infestam o SNUC continuam lá nas pontas, fazendo gestão ideológica pra esquerda, enquanto as chefias ignaras sobre gestão ambiental acham que fazem gestão "de direita" ao demolir tudo o que encontram pela frente. Resumo da ópera, é essa porcaria chamada brazíu, que não vai melhorar nunca, qualquer que seja o (des)governo.

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    • É triste temos sempre os doutores de sofá da biologia argumentando. Por acaso será que já se fez a parte que cabe e estudou ao menos por cima o assunto e essa mecânica de fauna e flora? Se não fez, já ao menos tentou ajudar, acolhendo um bichanos e cuidando dele diz a Michelle? Torço para que ao menos uma das perguntas seja afirmativa, senão gastei tempo a toa.

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      • Vai ler um pouco sobre o assunto antes de fazer esse mimimi. Tem estudos científicos abundantes provando o massacre de fauna pelos gatos. Gato feral tem de ser exterminado das áreas naturais e acabou.

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        • Ah não, outro doutor especialista em fauna e flora de Whatsapp? Hehehe… Provas, materiais, bons argumentos, cadê? Entenda, não sou contra o controle, mas repetindo novamente, temos apenas que cuidar pra isso não virar o pretexto de se maltratar ainda mais uma raça que, por mais que tenha em certa abundância, também tem um forte estigma de tratos com crueldade (assim como os cães). Não se pode argumentar como ser pensante que é preciso matar uma raça em detrimento de outra sendo que ambas não tem relação direta com o assunto (o que causou o desequilíbrio foi o homem)! Esse é o meu ponto. Mas OK se não concorda, desde que seja trazido materiais que dão um melhor sentido ao argumento. Bom, o redator da matéria mesmo, dr de verdade no assunto, explica que se optou pelo castramento e não por morte, entede a diferença? O que se teme, repetindo novamente, é se usar um argumento de forma distorcida pra justificar outras ações tão cruéis ou pior, essa é a questão aqui sendo debatida.

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          • VAI LER, criatura!!! Posta apenas "cats wildlife" no Google pra ver a enxurrada de artigos sobre o tema! Fanático animalesco é tudo igual, se orgulha da própria ignorância…

          • Você tem razão! Vc é o máximo do saber no assunto! Ficou feliz? Está se sentindo melhor? Ganhou o dia? Meu Deus… Exatamente o tom e o jeito da resposta deixa evidente a questão que só falta tentar desenhar pra ver se entende. EU NÃO ESTOU CONTRA O FATO DE SER REALMENTE PERIGOSO A EXPLOSÃO DOS FELINOS DOMÉSTICOS, entendeu essa frase? Eu apenas defendo QUE É PRECISO C-U-I-D-A-D-O na abordagem do tema porque com certeza muitos ignorantes que não sabem debater um assunto (vide o que está acontecendo agora no momento) IRÃO USAR TEXTOS COMO ESSE PARA TORTURAR E MATAR QUALQUER GATO QUE SE VÊ PELA FRENTE! Você concorda com isso? Devemos mesmo matar qualquer gato que vemos na rua pra melhorar o equilíbrio em áreas de preservação? Deu pra entender ou quer que eu mande um laudo e uma ilustração criatura? Misericórdia… E eu ainda que sou chamado de "fanático animalesco"… Hahaha… No fim, acho que estou perdendo meu tempo mesmo…

          • JTRUDA, refleti melhor sobre tudo aqui é sem sarcasmo eu acho que estou errado. Não só contigo, mas com todos que argumentei aqui. Fiz exatamente o que não acho correto na forma de responder a você e aos demais. Acredito que isso que nós leva a intolerância e ao extremos que eu gostaria de evitar, principalmente por ter dois companheiros fantástico felinos em minha casa. Me explicando a você, vi e me relatam direto os abusos que fazem com gatos (torce-los vivos, colocá-los em microondas e por ao vai) e me dói o coração qualquer ideia de judiarem ainda mais deles, mas não acredito que a forma que postos as mensagens aqui ajude, principalmente se incitar ainda mais a raiva de outros. Novamente peço desculpas pela forma da conversa e deixarei todas as postagens que fiz (inclusive a resposta sem noção anterior) para que vc e os demais vejam e entendam o que quero dizer. No mais, agradeço seu tempo em me retrucar e se importar. Um forte abraço.

  5. Olá
    Tenho seis gatos todos castrados, peguei tudo de ruae adultos, inconsequência de pessoas que não castram e amam dar opinião ruim sobre pets …vizinhos que foram embora e abandonaram os bichanos por motivos banais…
    Se A ou B estão ocorrendo na humanidade a culpa é nossa …o ser pensante somos nós …mas culpar os gatos é fácil …fazer nossa parte fica na consciência de quem lê a matéria…

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  6. Bom dia
    Esta reportagem é pertinente e urgente. Os Humanos criam problemas e os Humanos tem o dever de resolver.

    A Biodiversidade sempre pagando caro pelos atos dos Humanoides.

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  7. Parabéns pelo texto e pelo trabalho, esse é um tema central em conservação.
    Ainda que a eutanásia pudesse trazer melhores resultados para o objetivo dos programas de conservação relatados, visto que o impacto ecológico dos gatos continuará pelo tempo que eles permanecerem vivos, a esterlização ao menos freia a reposição da população.
    Intervenções drásticas como esterilização, eutanásia ou mesmo abate, ainda são grandes tabus no manejo de fauna do Brasil, mas aos poucos, experiências como as relatadas por você nesta coluna contribuem para ampliarmos essa discussão.

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  8. Quem sempre representou, representa e sempre representará uma grave ameaça à biodiversidade animal é o ser ‘humano’. Sempre destruindo, massacrando os animais e a natureza. Já conseguiu aniquilar trocentas espécies. Milhares. Cada vez mais invadindo o habitat de várias em
    extinção e exterminando a natureza de forma cruel, violenta. O texto começa com umas bajulações com os gatos e depois desconstrói a imagem deles como se eles estivessem acabando com o planeta. Eles não conseguem competir com o ser ‘humano’ nesse quesito.

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    • Eu achei este texto esclarecedor, porque abriu pra eu conhecer mais sobre o que acontece com nosso lugar de viver. Levantamentos de dados são importante para o nosso conhecimento. o final foi muito relevante. Ação. "No Brasil, infelizmente não temos números e registros gostei mais das atitudes que estao sendo tomadas: "Não sabemos quantas aves e mamíferos selvagens são predados por animais domésticos. Entretanto, temos alguns valorosos esforços para mitigar o impacto dos nossos companheiros não naturais na vida silvestre. Escolhi para essa coluna três iniciativas importantes realizadas em ilhas, por conta da fragilidade dos ambientes insulares…….

      Marinha do Brasil, ES
      Erradicou espécies de animais e plantas invasoras da Ilha de Trindade, distante, mas gostei mesmo do complemento final:….

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  9. Então vamos erradicar todas as hordas que invadem áreas de manancial e destroem tudo, poluem tudo, derrubam a mata , indiscriminadamente. Fácil pôr a culpa em outra espécie que é somente vítima da crueldade humana. Gatos não derrubam árvores, nem poluem rios. É preciso rever os conceitos de culpa, se existem animais abandonados é porque foram jogados fora como lixo!

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