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Salles insinua que Greenpeace está por trás do derramamento de óleo no Nordeste

Sabrina Rodrigues
quinta-feira, 24 outubro 2019 16:43
Na tarde desta quinta-feira (24), o ministro do Meio Ambiente insinuou no Twitter que o navio do Greenpeace estaria no litoral brasileiro na época do derramamento de óleo. Foto: Marcelo Camargo.

Um dia após o presidente Jair Bolsonaro declarar que não teve a intenção de ofender ninguém quando acusou ONGs de serem responsáveis pelas queimadas na Amazônia, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, fez uma publicação no Twitter insinuando que o Greenpeace está por trás do derramamento de óleo que atinge a costa do Nordeste desde o dia 30 de agosto. 

“Tem umas coincidências na vida né… Parece que o navio do #greenpixe estava justamente navegando em águas internacionais, em frente ao litoral brasileiro bem na época do derramamento de óleo venezuelano…”, escreveu o ministro.

O Greenpeace afirmou para a reportagem de ((o))eco que entrará na Justiça contra o ministro. “Tomaremos todas medidas legais cabíveis contra as declarações do Ministro Ricardo Salles”. 

Em nota, o Greenpeace informa que as acusações do ministro são mentirosas e que o navio Esperanza faz parte de uma campanha internacional chamada “Proteja os Oceanos”, que saiu do Ártico e vai até a Antártida ao longo de um ano, denunciando as ameaças aos mares. “Ele [o navio] passou pela Guiana Francesa, entre agosto e setembro, onde realizou uma expedição de documentação e pesquisa do recife conhecido como Corais da Amazônia, com o propósito de lutar pela proteção dos oceanos e contra a exploração de petróleo em locais sensíveis para a biodiversidade marinha. No momento, o navio está atracado em Montevidéu, no Uruguai”.

Ainda segundo o Greenpeace, a acusação do ministro não passa “de uma mentira para criar uma cortina de fumaça na tentativa de esconder a incapacidade de Salles em lidar com a situação”.

Acusar ONGs de serem responsáveis por desastres ambientais tem sido o mote comum de integrantes de governos, seja na crise das queimadas, seja no aumento do desmatamento e agora, no derramamento de óleo no Nordeste. 

Ontem, o presidente teve que se explicar para o Supremo Tribunal Federal uma fala que vinculou ONGs a queimada. Bolsonaro disse, em manifestação por escrito, que “não teve objetivo de atingir ou ferir a honra de ninguém” e que o discurso proferido no dia 21 de agosto não passa de “mera opinião”.  

Leia a nota do Greenpeace na íntegra:

Enquanto o óleo continua atingindo as praias do Nordeste, o ministro Ricardo Salles nos ataca insinuando que seríamos os responsáveis por tal desastre ecológico. Trata-se, mais uma vez, de uma mentira para criar uma cortina de fumaça na tentativa de esconder a incapacidade de Salles em lidar com a situação. É bom lembrar que isso vem de alguém conhecido por mentir que estudava em Yale e ser condenado na Justiça por fraude ambiental.

O nosso navio Esperanza faz parte de uma campanha internacional chamada “Proteja os Oceanos”, que saiu do Ártico e vai até a Antártida ao longo de um ano, denunciando as ameaças aos mares. Ele passou pela Guiana Francesa, entre agosto e setembro, onde realizou uma expedição de documentação e pesquisa do recife conhecido como Corais da Amazônia, com o propósito de lutar pela proteção dos oceanos e contra a exploração de petróleo em locais sensíveis para a biodiversidade marinha. No momento, o navio está atracado em Montevidéu, no Uruguai.

 

 

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5 comentários em “Salles insinua que Greenpeace está por trás do derramamento de óleo no Nordeste”

  1. Tipo de factoide que dá muita mídia internacional. Além de impulsionar as campanha do Greenpeace, espanta investidores. É isso que o Ministro queria, ou estava só jogando osso para a cachorrada sem ter ideia das consequencias?

    Tanta cortina de fumaça, e tanta inabilidade de encontrar a fonte do vazamento… começa até a fazer sentido a teoria de que a China está envolvida e é para não fazer marola.

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  2. Pra ficar pior só falta criar o ICMBio, passar a gestão florestal para os estados, publicar a LC 140/2011 e o novo código floresta 12.651/2012, construir Belo Monte, Santo Antônio e Jirau e não evitar a tragédia de Mariana. Ufa, cansei!

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  3. Vamos postar pedidos em todas as materias sobre o derramamento do petróleo pedindo para que seja feita uma simulação no programa de um possível vazamento nos pontos onde o pré-sal é extraido para ver se existe a possibilidade de estar vindo daí o petróleo.
    Porque se não encontraram quem derramou pode haver um vazamento na extração do pré-sal.

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