Salada Verde

Água do rio Paraopeba não tem condições para consumo, aponta estudo

Um mês após o rompimento da barragem em Brumadinho (MG), a Fundação SOS Mata Atlântica apresenta relatório apontando as péssimas condições hídricas da região

Sabrina Rodrigues ·
27 de fevereiro de 2019 · 8 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente
Equipe de pesquisadores da Fundação SOS Mata Atlântica examinou 22 pontos ao longo do Rio Paraopeba. Foto: Fundação SOS Mata Atlântica/Divulgação.

A água do rio Paraopeba está imprópria para consumo e apresenta níveis elevados de metais pesados, como manganês, cobre e cromo. É o que informa a Fundação SOS Mata Atlântica, que apresentou, nesta quarta-feira (27), o relatório Observando os Rios – O retrato da qualidade da água na bacia do rio Paraopeba após o rompimento da barragem Córrego do Feijão – Minas Gerais.

A ONG percorreu 21 municípios e analisou a qualidade da água em 305 quilômetros do rio Paraopeba, desde o Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, até a Usina de Retiro Baixo, em Felixlândia. A expedição percorreu 2 mil quilômetros entre os dias 31 de janeiro a 9 de fevereiro.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



De acordo com o levantamento, dos 22 pontos analisados, 10 apresentaram resultado da água como ruim e 12 péssimo.

Os níveis de cobre, por exemplo, deveriam ser de no máximo 0,009mg/L no rio Paraopeba, de acordo com a norma vigente (Resolução Conama 357), mas em alguns pontos chegou a 4mg/L do metal. Para manganês, alguns locais chegaram a apresentar até 3mg/L, sendo que o limite é de 0,1mg/L. O cromo é limitado em 0,05mg/L, mas verificou-se a presença de 2,0mg/L em alguns pontos.

“Os metais presentes na água nessas quantidades são nocivos ao ambiente, à saúde humana, à fauna, aos peixes e aos organismos vivos. Eles são reconhecidamente poluentes severos e podem causar diversos danos aos organismos, desde interferências no metabolismo e doenças, até efeitos mutagênicos e morte“, afirma Marta Marcondes, professora e coordenadora do Laboratório de Análise Ambiental do Projeto Índice de Poluentes Hídricos (IPH), Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS).

Segundo o relatório, a recuperação da qualidade da água e da segurança hídrica da região são de difícil previsão, por isso é crucial a adoção de medidas efetivas para mitigar os danos ambientais produzidos com a tragédia, restabelecer e regenerar o rio e seus ecossistemas. “Para o êxito das medidas de gestão e recuperação, é fundamental que a legislação brasileira, sobretudo o Licenciamento Ambiental e o Código de Mineração, não sejam flexibilizados para atender a pressões setoriais. E é primordial que os responsáveis por essa tragédia sejam punidos”, informa o documento.

Dia 25 de fevereiro fez um mês do rompimento da barragem B1 da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, Minas Gerais, pertencente à Vale. Segundo o último boletim do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, o número de óbitos confirmados é de 179 e de desaparecidos, 129.

 

Saiba Mais

Observando os Rios- O retrato da qualidade da água na bacia do rio Paraopeba após o rompimento da barragem Córrego do Feijão – Minas Gerais.

 

Leia Também

Relatório classifica água do Rio Doce como péssima

Lama de Brumadinho deve chegar ao rio São Francisco em até três semanas

Vale repete Mariana e rejeitos poderão chegar ao rio São Francisco

 

  • Sabrina Rodrigues

    Repórter especializada na cobertura diária de política ambiental. Escreveu para o site ((o)) eco de 2015 a 2020. →

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Notícias
25 de janeiro de 2019

Vale repete Mariana e rejeitos poderão chegar ao rio São Francisco

Cerca de 1 milhão de metros cúbicos de lama foram derramados no acidente. Rejeitos chegarão à hidrelétrica de Retiro Baixo em dois dias. Objetivo é que ela amorteça a onda de lama →

Notícias
28 de janeiro de 2019

Lama de Brumadinho deve chegar ao rio São Francisco em até três semanas

Relatório do serviço geológico afirma que rejeitos devem chegar à usina hidrelétrica de Três Marias, no rio São Francisco, entre os dias 15 e 20 de fevereiro →

Notícias
9 de março de 2017

Relatório classifica água do Rio Doce como péssima

A equipe da Fundação SOS Mata Atlântica percorreu 650 km para registrar a qualidade da água. A publicação está disponível para download →

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.