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Contênier resgatado. Foto: autor desconhecido.

Contênier resgatado. Foto: autor desconhecido.

Milhares de bolinhas de árvore de natal, mochilas, eletrônicos e escovas de dente poluem o litoral norte de São Paulo após 46 contêineres caírem no mar há 12 dias. Os resíduos já aparecem em praias e no mar em Peruíbe, Paranapuã, Santos, Bertioga, São Sebastião e Ilha Bela e, embora a empresa afirme que nenhum material poluente tenha sumido no mar, o lixo pode trazer consequências para a fauna marinha.

Isopor, bolinhas natalinas e plástico são confundidos com alimentos por peixes, tartarugas, golfinhos, aves e até baleias. A Log-in, empresa dona do navio que perdeu parte da carga, afirma que já contratou uma empresa especializada para realizar a limpeza das praias e encontrar a carga perdida. Dos 46 contêineres, apenas 18 foram achados. Até o momento, 4 foram retirados do mar.

“Como foram 46 contêineres que caíram é óbvio que houve um impacto, um impacto ambiental, mas não com produtos químicos, nada disso. [...] Eram brinquedos, produtos de natal, calças, eletrodomésticos, ar-condicionado, impressoras, produtos diversos [...]. Mas há o impacto da própria ocorrência e todo esse material que caiu no mar e esses contêineres”, explica Ana Angélica Alabarce, analista ambiental do Ibama, que está monitorando o acidente.

O navio segue atracado no Terminal da Libra, em Santos, e a operação de retirada dos contêineres que não caíram no mar vem sendo realizada com cuidado.

“A operação em curso para localização dos contêineres, desde seu início, já envolveu quatro embarcações, um helicóptero e mapeamento do fundo do mar. A equipe, que trabalha em diversas frentes, soma mais de 50 pessoas dedicadas à operação”, afirma, em nota, a assessoria de imprensa da Log-in.

Lixo que vai e volta

Limpeza na praia de Itaquitanduva. Foto: Log-in/Reprodução.

Limpeza na praia de Itaquitanduva. Foto: Log-in/Reprodução.

A ressaca do último final de semana espalhou o resíduo pelas praias e sujou outras que já haviam sido limpas pela empresa Hidroclean, contratada para realizar o serviço de recolhimento do material.

O Ibama está monitorando o acidente. A empresa foi notificada e já apresentou o plano de ação para localização e retirada dos contêineres da região. A empresa envia um relatório detalhado da operação diariamente para o órgão ambiental.

"Estamos insistindo na parte de resíduo e eles [a empresa] estão atendendo tudo o que a gente fala. Ontem, na hora do almoço, fiquei sabendo que em São Sebastião eles tinham investigado algumas cargas, que seriam enfeites de natal, de roupas, tábuas, algumas coisas assim. Então, de imediato, liguei e eles já tinham estado lá, já iam recuperar tudo para limpar as praias. Só que são muitas praias, são muitas equipes, mas estão fazendo, até porque se não atenderem, a gente [o Ibama] vai sair com os autos de infração”, disse Ana Angélica.

Por enquanto, não se têm notícias se a carga espalhada atingiu santuários da vida marinha, como a Estação Ecológica de Tupinambás, o Parque Estadual Marinho da Laje de Santos e o Refúgio de Alcatrazes, mas a extensão do acidente é grande. Nas redes sociais, fotos reunidas por pescadores, ambientalistas e membros do setor de turismo mostram resíduos que vão de Peruíbe a São Sebastião. Separamos algumas.

Rastro de lixo na praia. Foto: Divulgação.

Rastro de lixo na praia. Foto: Divulgação.

Bolinhas de natal, escovas de dente e tampas de privada fazem parte do resíduo que caiu no mar. Foto: Divulgação.

Bolinhas de natal, escovas de dente e tampas de privada fazem parte do resíduo que caiu no mar. Foto: Divulgação.

Mais artefatos natalinos. Foto: Divulgação.

Mais artefatos natalinos. Foto: Divulgação.

À deriva. Foto: Divulgação.

À deriva. Foto: Divulgação.

Foto: Divulgação.

Foto: Divulgação.

 

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