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Pesquisadores descobriram a existência da espécie Hexanchus vitulus, nomeada tubarão atlântico de seis brânquias, em mares de Belize, Golfo do México e Bahamas. Foto: Reprodução Youtube.

 

Com antepassados que datam mais de 250 milhões de anos, anteriores aos dinossauros, os tubarões de seis brânquias (do gênero Hexanchus) estão entre as criaturas mais antigas da Terra. Milenares e poucos vistos, até pouco tempo se achava que não havia diferença entre a população de Hexanchus que ocorre no Atlântico e a que ocorre no Pacífico e Índico. Um estudo publicado na revista científica Marine Biodiversity há duas semanas revela que o tubarão Hexanchus que nada pelas águas dos mares de Belize, Golfo do México e Bahamas se trata de uma espécie distinta.

Conhecido como Tubarão Atlântico de seis brânquias, a descoberta do H. vitulus, foi feita em conjunto por pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Flórida, do Laboratório Marinho e Costeiro da Universidade da Flórida, do Serviço Nacional de Pescas Marinhas do Centro de Ciências da Pesca da Cidade do Panamá e de pesquisadores do grupo Mar Alliance.

Hexa

A maioria dos tubarões têm cinco fendas branquiais. Os tubarões Hexanchus possuem um par de brânquias a mais. Antes da pesquisa, só se sabia da existência de duas espécies de tubarão do gênero Hexanchus, o H. griseus (conhecido também como tubarão-albafar) e o Hexanchus nakamurai, que vive nas profundezas do Atlântico, Índico e Pacífico. O pouco que se sabe sobre essas espécies é que eles não são muito vistos, vivem em águas profundas e são muito vulneráveis à pesca predatória.

Os pesquisadores, liderados por Toby Daly-Engel, professora assistente de Ciências Biológicas do Instituto de Tecnologia da Flórida, usaram 1.310 pares de dois genes mitocondriais e encontraram diferenças genéticas entre o Hexanchus nakamurai e a espécie descoberta, H. vitulus. Antes dos testes serem realizados, pensava-se que se tratava da mesma espécie.

“Nós mostramos que os tubarões de seis brânquias no Atlântico são muito diferentes dos que vivem nos oceanos Índico e Pacífico em nível molecular, ao ponto de serem duas espécies distintas, ainda que eles sejam muito semelhantes a olho nu”, explicou Daly-Engel.

A pesquisa oferece o benefício de uma melhor compreensão da diversidade de tubarões. “Particularmente, diversidade no oceano profundo, do qual não sabemos muito", disse a bióloga Toby Daly-Engel.

Saiba Mais

Resurrection of the sixgill shark Hexanchus vitulus

 

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