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Foto: Vandré Fonseca.

Foto: Vandré Fonseca.

Manaus, AM -- Árvores de áreas alagáveis da Amazônia sãos as maiores emissoras de metano em terras úmidas do planeta. Segundo um artigo publicado na edição desta semana da revista Nature, elas funcionam como condutoras do metano armazenado no solo encharcado, contribuindo com uma quantidade anual de metano comparável ao dos Oceanos ou ao das terras úmidas da Tundra, no Hemisfério Norte.

O estudo, realizado por uma equipe internacional de pesquisadores, inclusive brasileiros, estimou que das árvores existentes em planícies alagadas sazonalmente da Amazônia sejam emitidas entre 15.1 e 21.2 milhões de toneladas de metano por ano. Os oceanos produzem cerca de18 milhões de toneladas de metano por ano, enquanto da Tundra saem entre 16 e 27 milhões de toneladas.

Para chegar a esse número, os pesquisadores usaram sensores para medir as emissões de mais de 2.300 trezentas árvores, algumas que ficam em áreas alagadas de até 10 metros de profundidade. Os dados foram comparados com medições feitas quinzenalmente por meio de aeronaves.

O professor de Ecologia e Mudanças Globais na Open University, do Reino Unido, Vincent Gauci, um dos autores do estudo, lembra que as áreas úmidas são importantes no balanço de metano, um gás cujos efeitos para o aquecimento global são 34 vezes maior do que o do dióxido de carbono (CO2).

“(As áreas úmidas) não apenas podem estocar vastas quantidades de carbono em seus solos saturados, elas também emitem metano”, afirmou em um texto publicado no site Carbon Brief.

Ele explica que a grande quantidade de água no solo reduz a quantidade de oxigênio, aumentando o tempo necessários para a decomposição da matéria orgânica. Uma das consequências desse déficit de oxigênio e lenta decomposição é a produção de metano no lugar de CO2.

“Este processo é o que faz as terras úmidas do planeta a maior fonte única de metano para a atmosfera”, afirma Gauci. “Compreender quanto metano as terras úmidas produzem é, por isso, se tornou uma prioridade para ecologistas e cientistas da atmosfera”, completa.

Para chegar aos resultados, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) trabalharam ao lado de colegas de instituições estrangeiras, como a Linköping University, Open University, University of Leeds e University of British Columbia e outras instituições.

Foram feitas medições em 13 locais da Amazônia Brasileira, para calcular a quantidade de metano que saída da superfície das águas, dos solos expostos, plantas, além dos caules e folhas de árvores inundadas. Muitas vezes, nas árvores da Amazônia, chegou-se a identificar um fluxo de metano 200 vezes maior do que encontradas em árvores de Bornéu ou do Reino Unido. A pesquisa conseguiu também uma estimativa feita em solo compatível com dados obtidos por aeronaves, o que não havia ocorrido em estudos anteriores.

Gauci destaca que o estudo não sugere que haja intervenções para reduzir as emissões naturais de carbono pelas árvores, que segundo ele tem funcionado dessa maneira há muito tempo. Mas destaca que é preciso cuidado ao escolher espécies para restaurar a floresta em áreas alagáveis, para que as novas plantas não se tornem emissoras ainda maiores.

Ele faz um alerta quanto as mudanças que vem sendo provocadas pela construção de barragens, que podem alterar o ecossistema. “Nós não conhecemos as consequências decorrentes das emissões de tal atividade. No entanto, algumas mudanças na dinâmica hidrológicas desses sistemas podem alterar as funções dessas árvores de maneiras imprevisíveis com consequências potencialmente altas para nosso clima”, adverte.

 

Saiba Mais

Artigo: Large emissions from floodplain trees close the Amazon methane budget”. Sunitha R. Pangala, Alex Enrich-Prast, Luana S. Basso, Roberta Bittencourt Peixoto, David Bastviken, Edward R. C. Hornibrook, Luciana V. Gatti, Humberto Marotta Ribeiro, Luana Silva Braucks Calazans, Cassia Mônica Sakuragui, Wanderley Rodrigues Bastos, Olaf Malm, Emanuel Gloor, John Bharat Miller andVincent Gauci, (2017).

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