Notícias

Um periquito do barulho em Manaus

Morte de aves em frente condomínio de luxo causou protestos em Manaus. Instituto de Proteção Ambiente e Polícia Civil investigam o caso.

Vandré Fonseca ·
2 de dezembro de 2014 · 11 anos atrás

Foto: Ipaam/Divulgação
Foto: Ipaam/Divulgação

Manaus, AM — Quem achava chato o barulho dos periquitos-de-asa-branca (Brotogeres versicolurus) em Manaus não poderia imaginar que eles se tornariam ainda mais escandalosos depois de mortos. A morte de aproximadamente 200 aves na Avenida Efigênio Sales, na quinta-feira (27 de novembro), em frente a um condomínio de luxo, fez surgir uma onda de protestos nas redes sociais exigindo uma investigação e medidas para proteger as aves. Esta mobilização resultou em um ato realizado no domingo, que reuniu mais de cem pessoas no local onde os periquitos foram encontrados mortos.

Ainda não se sabe o que causou a morte das aves. A suspeita dos manifestantes é que eles tenham sido envenenados. No dia em que foram encontrados mortos, 40 periquitos foram recolhidos pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) para análises. Nesta segunda-feira, um periquito foi submetido a necropsia. Amostras serão enviadas para análise na Universidade Federal de Minas Gerais. Até a Delegacia do Meio Ambiente iniciou investigação.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



O biólogo Mário Cohn-Haft, curador da Coleção de Aves do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), explica que os periquitos-de-asa-branca são característicos da várzea, mas que se adaptaram bem à vida na cidade de Manaus. Durante o dia, encontram alimentos em abundância nas mangueiras e outras árvores frutíferas. À noite buscam proteção em árvores altas e isoladas, como as palmeiras imperiais que enfeitam a entrada do condomínio Efigênio Sales.

“A abundância especialmente alta na área dos condomínios do V-8 (Avenida Efigênio Sales) se deve às condições seguras para dormir oferecidas pelas palmeiras imperiais”, explica Cohn-Haft. “Não estão necessariamente comendo naquela região, mas aparecem para se empoleirar e passar a noite”.

Foto: Ipaam/Divulgação
Foto: Ipaam/Divulgação

Embora, a revoada de periquitos represente um espetáculo para boa parte da população de Manaus, para o condomínio de luxo se tornou um problema, principalmente devido ao barulho. Os periquitos não se calam durante a noite. Quando eles chegaram há três anos, o condomínio conseguiu autorização do Ibama e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente para proteger as palmeiras com telas. Não resolveu, periquitos continuaram a buscar abrigo nas árvores próximas.

No domingo, os manifestantes conseguiram que o Corpo de Bombeiros retirasse e libertasse periquitos que haviam ficado presos nas telas. Partes da tela também foram retiradas para análise. Os manifestantes querem saber se não existe alguma substância nelas que poderia ter causado a morte dos periquitos-de-asa-branca. O síndico do condomínio esteve nesta segunda-feira no Ipaam, para prestar esclarecimentos e também para discutir uma forma de manejar e ao mesmo tempo assegurar a integridade dos periquitos.

O certo é que mesmo após o possível atentado, os periquitos-de-asa-branca não se calaram. Eles continuam a fazer barulho em vários pontos da cidade de Manaus, principalmente na Avenida Efigênio Sales. E agora, eles não estão gritando sozinhos.

Clique nas imagens para ampliá-las e ler as legendas

 

 

Leia também
Nova descoberta reforça esperança para o periquito-cara-suja
Periquito-estrela só quer transar com quem é igualzinho
Fortalezas para periquito ameaçado

 

 

 

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Colunas
27 de abril de 2026

Entre o fim de um mundo e a urgência de outro: a batalha pela nossa imaginação

Somos tão bombardeados por distrações que é mais fácil vislumbrar o fim do Planeta do que do uso dos combustíveis fósseis

Notícias
27 de abril de 2026

Assassinatos dobram e Amazônia concentra violência no campo, aponta relatório da CPT

Violências por terra representam a maioria dos registros de ocorrências no último ano; País teve 1.593 conflitos por terra, água e trabalho no ano passado

Reportagens
27 de abril de 2026

Merenda escolar amazônica garante renda em município mais desmatado do Brasil

Experiência em Altamira (PA) mostra como a alimentação escolar pode integrar segurança alimentar, adaptação climática e desenvolvimento regional na Amazônia

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.