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Pedra do Quilombo. Foto: Hugo de Castro

Pedra do Quilombo. Foto: Hugo de Castro

 

Para quem está no Rio de Janeiro, gosta de natureza e curte aventuras e caminhadas pela mata, uma das boas opções é a Trilha do Pico da Pedra Branca. Com 1.025 metros, o Maciço da Pedra Branca é o maior da cidade e localiza-se no Parque Estadual de mesmo nome. A caminhada é considerada difícil com fortes aclives, mas, em compensação, oferece uma visão privilegiada da zona oeste do Rio.

Contracapa do Guia de Trilhas

Contracapa do Guia de Trilhas

No Pico, existe uma rocha de três metros de altura. Ela parece ter sido “cuidadosamente colocada no local” para permitir que a Pedra Branca supere o Pico da Tijuca de 1.021 metros, brinca o escalador André Ilha, também diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do Instituto Estadual do Ambiente (Inea).

Criado em 1974, o Parque Estadual da Pedra Branca ocupa pouco mais de 10% do território do município do Rio, mas só agora ganhou um guia de trilhas completo com mapas e fotografias das suas travessias e circuitos de caminhada.

Este é o segundo guia de uma série elaborada pelo INEA. O primeiro foi o guia do Parque Estadual do Desengano, disponível para download. Os guias ainda são bilíngues, com versão dos textos em inglês, incluindo legendas de ilustrações e indicativos de níveis de dificuldade.

“Havia muita carência de informação disponível sobre as belas trilhas do parque. Pretendemos ter guias completos e bonitos para todos os nossos parques, mas é um processo que demanda tempo, pois é grande a quantidade de informação contida em trabalhos desta natureza”, disse a ((o))eco André Ilha.

Um Parque especial

“O Parque Estadual da Pedra Branca é um dos maiores, se não o maior, parque urbano do mundo, com 12.394 hectares, três vezes o tamanho do Parque Nacional da Tijuca, por exemplo. Só isso já é um grande diferencial”.

Uma curiosidade: o nome "Pedra Branca" deriva de um bloco rochoso, localizado em um topo de montanha, e que ficou branquinho devido aos dejetos de urubus, que ali pousavam com frequência. Hoje, André garante que os urubus se foram das matas do entorno.

A região foi afetada pela expansão urbana da cidade. É rodeada por 17 bairros como Campo Grande, Vargem Grande e Recreio dos Bandeirantes.

Vários níveis

André Ilha diz que o guia oferece opções de trilhas de vários níveis de dificuldade: “Tivemos a preocupação de incluir trilhas para todos os gostos. A trilha para o Pico da Pedra Branca, que deu o nome ao parque, por exemplo, é bem longa, leva mais ou menos três horas, mas é bem suave".

A trilha da Pedra do Quilombo, embora mais curta, tem uma passagem mais exposta em um paredão rochoso, onde foi instalado um cabo de aço e apoios metálicos para os pés neste curto trecho de 10 metros de extensão, para aumentar a segurança dos caminhantes.

A travessia mais extensa tem 11,8 quilômetros e leva o visitante de Jacarepaguá a Campo Grande. São 5 horas de caminhada em trechos de uma antiga estrada colonial, onde ainda podem ser vistos os resquícios do calçamento com grandes blocos de pedra.

A mais difícil é a Travessia Pau da Fome-Rio da Prata, mas que recompensa com mirantes naturais, rios, cachoeiras e vegetação de Mata Atlântica, numa altitude máxima de 793 metros.

Se o visitante quiser aproveitar para tomar banho de mar, é possível seguir pelas áreas de praia, como a Travessia Piabas-Grumari, com 3 quilômetros e direito a banho de mar na Praia de Grumari. Esta é uma outra antiga estrada colonial utilizada para o escoamento da produção do Engenho de Grumari, onde se cultivava café e cana-de-açúcar. Com altitude máxima de 184 metros, a travessia inclui mirantes e densa vegetação de Mata Atlântica.

Riqueza e biodiversidade

A riqueza da fauna e flora do Parque inclui espécies raras e ameaçadas. Segundo a bióloga do INEA, Camila Rezende, a cobertura florestal do Parque é um grande mosaico formado por manchas de vegetação em diferentes estágios. O tipo dominante é a Floresta Ombrófila Densa.

Na área do Parque, catalogou-se um total de 934 espécies pertencentes a 118 famílias botânicas. Destas, 429 apresentam algum grau de endemismo. “Vale ressaltar a presença, inclusive, de uma espécie endêmica de bromélia, a Neoregelia camorimiana, encontrada especialmente nas matas em estágio avançado de regeneração”, escreveu Camila referindo-se ao plano de manejo do parque.

A fauna registra 338 espécies de aves, das quais 20 encontram-se em alguma categoria de ameaça, como a tiriba-de-orelha-branca, classificado como espécie vulnerável à extinção nas listas estadual e nacional, e também no resto do mundo.

Existem ainda 51 espécies de mamíferos, das quais 8 ameaçadas, como o morcego-fruteiro-claro, vulnerável à extinção em território nacional. Entre as 43 espécies de peixes, 5 são ameaçadas, como o peixe-das-nuvens.

Maior número de visitantes

A média estimada de visitantes ao mês é de pelo menos 3 mil, ou, segundo o INEA, 36 mil frequentadores por ano. Mas há novas e ambiciosas metas, como, em 2015, receber 45 mil visitantes. O guia bilíngue vai ajudar na divulgação do lugar para os turistas. No ano de 2016, a meta é alcançar um público de 60 mil visitantes.

Por ser considerado um dos maiores parques urbanos do mundo, ele também sofre pressões e ameaças à sua preservação. André Ilha admite que o “cardápio de ameaças” do Parque da Pedra Branca é "completo", pois ele está cercado pela área que mais cresce no município do Rio de Janeiro, a sua Zona Oeste.

O local tem 40 guarda-parques e lá foi instalada a primeira Unidade de Polícia Ambiental (UPAm) do estado. Entretanto, nenhuma das duas medidas resolve o problema dos balões, que caem sobre o parque em grande número na época das festas juninas e julinas – que coincidem com o período mais seco do ano.

“Representam um autêntico bombardeio aéreo que temos que enfrentar todos os anos. Felizmente,  graças ao pronto combate dos guarda-parques, tais incêndios, cujo início não conseguimos evitar, não prosperam", disse Ilha.

 

Clique nas imagens para ampliá-las e ler as legendas

 

*editado às 16h00 do dia 10.01.16

 

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